quarta-feira, outubro 29, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 2)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 02:
Oi, G,

Acabei de me lembrar de uma história sobre um monge que começou sua prática no templo Tu Hieu, em Hue (o mesmo templo em que Thay foi ordenado quando jovem e de onde é abade até hoje, pelo menos tecnicamente. Se eu me lembro bem da história, o monge levava uma vida muito simples, obedecia aos princípios budistas e era, inclusive, vegetariano. Sua mãe já era uma senhora idosa e vivia no templo com ele. Um dia, ele foi visto comprando peixe no mercado local. As pessoas em Hue começaram a comentar que o monge estava violando seus votos e consumindo peixe. Quando o imperador, que conhecia o monge, questionou-o a respeito, o monge lhe respondeu a verdade, ou seja, que sua mãe estava doente e que ele havia comprado o peixe para preparar um remédio para tratar sua doença. Dali em diante, o monge ficou conhecido como ´´O Filho Bom´´.

Corro o risco de estar criando minha própria versão de trechos da história, mas acho que ela ilustra bem que precisamos fazer o que é certo no momento, sem deixar que os treinamentos da plena consciência e o dharma tornem-se rígidos e causem sofrimento desnecessário. Se você e seu médico sentem que o consumo de peixe pode ajudar no tratamento, então pense no maravilhoso presente que o peixe está lhe oferecendo. Pessoalmente, acho que é algo que precisa ser muito valorizado. Se você acha que pode obter os mesmos benefícios consumindo soja ou outros extratos vegetais, aí está então outro presente maravilhoso. Acho que tem muito mais a ver com o modo como consumimos o alimento e ao que conferimos a ele do que com o tipo de alimento em si.

Espero que consiga descansar bem e que tenha uma rápida recuperação.

S.

3 comentários:

Anônimo disse...

Discordo plenamente do médioo que recomendou o consumo de carne. Essa é uma questão muito delicada, porque o consumo de carne está fortemente arraigado na cultura. Muitos médicos desconhecem os mecanismos da nutrição e não se esforçam por obtê-los. A idéia de que comer carne é saudável é fruto de hábitos primitivos e hoje é sustentada pelo sistema capitalista (já imaginaram o caos econômico para indústrias se o consumo da carne dos animais cessar?).
Biólogos afirmam: o organismo humano não foi feito para a carne. O organismo humano é tipicamente herbívoro. Então, por que o drama? A Terra é pródiga em nos doar alimentos. Parece-me até incoerente receitar carne a uma pessoa que sofreu uma cirurgia cardíaca. A carne chega ao nosso consumo saturada de adrelina e muitas outras toxinas que são despejadas no sangue do animal na hora do abate. Isso sem falar dos hormônios e antibióticos com que são criados. Coração é um órgão que simbolicamente centraliza o amor e a compaixão. O sofrimento do animal deixa uma energia vibracional nefasta.Existem tantos alimentos saudáveis! Feijão de soja, leite de soja, proteína de soja... riquíssimos, verdadeiras bênçôes da natureza. Não conheço vegetariano anêmico. Couve, brócolis, cenoura, beterraba, acelga, todas as folhas de cor escura... milho, ervilha, batatas de todos os tipos, feijões de todas as cores, arroz integral, arroz vermelho, aveia, centeio, trigo, linhaça, maçãs, melão, morango, laranja, mamão, pera, banana. Fechem os olhos e imaginem o festival de cores e variedades de alimentos! Conversem com biólogos sérios a respeito disso e sejam mais felizes. Ninguém nunca morreu por não comer carne. Essa é uma crendice que escraviza. Procure outro médico e reze por esse que recomenda carne para que possa voltar a estudar, a abrir a mente, participar de congressos, etc.
Corção saudável pede alimentação saudável e a carne é um cadáver.
A questão de deixar de comer carne, porém, não deve estar vinculada a religiões e sim à percepção do homem. Se deixamos de comer carne deve ser por pura compreensão de que um animal é um ser vivo, que sente e pensa também. Ele chora, experimenta alegria e tristeza, medo, ansiedade. O boi chora quando vai para o abate. Devemos parar de comer carne não por ser um preceito do budismo, mas porque não gostamos do sofrimento dos outros seres.
Seja feliz, você que fez a cirurgia, com muitos legumes, verduras, cereais e sentimentos positivos. Que o amor do darma faça você ser recuperar mais depressa.
Saúde e alegria.
Fátima

Orminda disse...

Quando iniciante eu também tinha muitas dúvidas.
Praticava alimentação vegetariana nos lugares onde iniciei, de modo incorreto, pois não praticava a Atenção Plena. Tive por duas vezes anemia e descobri osteoporose. Precisei consultar, e um dos meus médicos, muito equilibrado me pediu que eu comesse peixe de vez em quando, Que eu tomasse consciência de estar comendo aquele peixe, não por desejo, mas para ter saúde e continuar meu caminho.
Depois de eu tomar os refúgios nos cinco treinamentos de Plena Atenção, uso o discernimento da Consciência Plena. Tenho uma alimentação bem balanceada e nunca mais tive anemia, nem sintomas de osteoporose.

Usando o discernimento em tudo, tudo se tornou mais saudável na minha mente e no meu corpo. Senti mais liberdade de viver com amor, compaixão e alegria!
O nosso grande mestre Thay fala que nos não precisamos sair correndo para ser outra pessoa. Só precisamos ser nos mesmos.
Para isso precisamos estar pleno- conscientes dos nossos atos, diante das nossas necessidades
Sou Feliz!

Anônimo disse...

Conheço uma pessoa que tb fez uma dessas cirurgias e ouviu duas recomendações do médico: dieta e exercícios.

Mas ele respondeu que prefiria morrer a fazer dieta. Ficou só com os exercícios, supervisionados no começo, e depois longas caminhadas. Caminhava 10 km por dia, a passos rápidos. Depois de um tempo o problema cardíaco desapareceu, para surpresa do próprio médico!

Mas, tenho ainda uma opinião a acrescentar: sem motivação para viver, nenhum tratamento tem muita eficácia.

Célia