
Se perguntarmos a nós mesmos a questão, a cada momento, estamos realmente perguntando a nós mesmos, como eu estou gerando não-medo para mim mesmo, para minha família, para minha comunidade? Deste modo não somos mais prisioneiros de nenhum governo, de nossa sociedade, do medo de que alguém está vindo e atirando no nosso filho pequeno, ou qualquer outro medo que tenhamos.
Nossos medos são irracionais. Entramos em carros e dirigimos por aí todo dia, e é muito mais provável que morramos em um acidente de carro do que sermos seqüestrados em um avião. Aquecimento global é algo para se temer – estamos falando sobre todas gerações seguintes.
Na minha prática, quando eu olho para o que eu faço a cada momento, eu tomo cuidado em não basear o que eu estou fazendo em uma visão. Eu sinto que isto é uma grande causa pela qual somos ineficientes em transformar o modo que a sociedade funciona. Eu pertencia a grupos ativistas antes de me tornar um monge, portanto experimentei o que significa basear as ações em uma visão. ”Isto é claro, estas pessoas estão matando, estão destruindo o ambiente, certo? Portanto eu tenho que fazer isso.”
No seu ensinamento do Nobre Caminho Óctuplo, o Buda disse que tudo é baseado na visão correta. Se não temos a visão correta, como podemos falar sobre pensamento correto? Como podemos falar sobre concentração correta? Precisamos ter uma visão correta.
Em última análise visão correta é a ausência de qualquer visão. É apenas uma questão de se temos clareza ou não. Não é uma questão de bom ou mau, de julgar, punir ou mesmo estatística. Estas são todas apenas visões, modos de ver o mundo. Avidya é ignorância; uma maneira de traduzir essa palavra é ausência de luz.
Como podemos deixar esta mente clara a cada momento? Não há medo, porque na claridade não há nascimento, não há morte. É apenas manifestação e ausência de manifestação.
O que fazemos hoje em dia, dez mil anos atrás era a mesma coisa. No tempo do Buda, havia um príncipe que matou seu pai e aterrorizou o país. O Buda não saiu e protestou. Isto é o que eles faziam naquele tempo. Agora temos eleições.
Quando fazemos meditação caminhando com Thay, chamamos isso uma caminhada de paz, mas o que está acontecendo lá? Já andei com faixas, é muito tedioso. Mas quando você vê Thay andando, é realmente interessante! Você não está tão certo do que ele está fazendo. E nós também não! Nós estamos andando. Não, estamos seguindo nossa respiração, estamos seguindo nossos passos.
(Irmão Phap Luu, Monge de Deer Park – publicado na revista Mindfulness Bell 45)
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