quarta-feira, julho 01, 2009

Sala de Meditação

Gostaria de compartilhar com você um insight do Marcelo, um companheiro nosso da Sangha Virtual. Ele passou recentemente alguns meses em Plum Village em uma experiência de uma riqueza espiritual extraordinária.

"Não é um insight por si mesmo, com alguma sabedoria nele, é apenas um insight para mim. Eu estava em minha última meditação sentada na sala de meditação de Upper Hamlet, Plum Village; eu estaria indo embora em alguns dias. Me sentia meio emotivo, sabendo que era minha última vez ali, sem saber se algum dia voltaria. A Sangha ao meu redor, as muitas sessões que eu tinha comparecido ali. Eu me curvei em direção ao altar antes de passar pela porta de saída e deixando a sala eu estava segurando as lágrimas. E então aconteceu.

Era mais um sentimento forte que um pensamento, e é por isso que o chamo de insight. Quando eu deixei a sala de meditação e pisei nos degraus de pedra e olhei sobre o jardim em direção ao pagode, eu tive a impressão que estava reentrando na Sala de Meditação. O planeta todo, começando sobre meus pés, era a Sala de Meditação. Não haveria mais nenhuma possibilidade de deixar a Sala de Meditação, nunca, enquanto eu viver. A Sala de Meditação não estava apenas dentro da sala, na verdade estava fora, estava em todo lugar, como se a Sala de Meditação se espalhasse, como se tivesse tomado todo o planeta.

Era uma manhã escura, o alvorecer ainda não havia chegado, a lua era refletia nas poças de água ao longo do caminho, e enquanto eu andava ao redor de Upper Hamlet, eu olhei para as pedras e vi almofadas, olhei para os trocos caídos e vi altares. Eu senti que tudo era sagrado e nada era realmente sagrado, não era separado do mundano. Era apenas meu olhar formando o mundo, discriminando, mas no mundo sendo uma Sala de Meditação, tudo era aceitável, tudo estava incluído, tudo estava iluminado, tudo era uma iluminação."

domingo, junho 28, 2009

Espiritualidade

A espiritualidade é algo que podemos cultivar. Ser espiritual significa ser estável, calmo e pacífico e ser capaz de olhar profundamente para dentro e para fora de nós. Significa termos a capacidade de lidarmos com nossas aflições: nossa raiva, ânsia, desespero e discriminação.

É a capacidade de ver a natureza do interser entre as pessoas nações, raças e todas as formas de vida. A espiritualidade deixou de ser um luxo; temos que cultivá-la para superar as dificuldades de nossa época.

-Thich Nhat Hanh (Do livro "Eu busco refúgio na Sangha")

quarta-feira, junho 24, 2009

Transformando sua Consciência, Transformando seu Sofrimento

O texto dessa semana (clique aqui) traz uma mensagem muito forte: Tudo vem da mente. Se a mente é transformada, tudo se transformará. Pense um pouco sobre esse frase e perceba os impactos profundos e as possibilidades que se abrem.

No texto, Thich Nhat Hanh nos ensina que: "A inabilidade vem de nossa mente, e a inabilidade pode ser transformada por nossa mente. Se a transformação acontece em sua consciência, então a inabilidade desaparecerá como uma realidade no mundo manifestado. A mente é como um pintor." Essa afirmação traz a responsabilidade para nós mesmos. Temos que parar de culpar os outros por nossos sofrimentos, medos, ansiedades e tomar a responsabilidade pela nossa felicidade.

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quarta-feira, junho 17, 2009

Ouça os sinos de plena consciência

Os sinos de plena consciência estão soando. Por toda a Terra estamos experimentando enchentes, secas e incêndios florestais. O gelo está derretendo no Ártico e furacões e ondas de calor estão matando milhares. As florestas estão desaparecendo rapidamente, os desertos estão crescendo, espécies estão se extinguindo cada dia, e mesmo assim continuamos a consumir, ignorando o soar dos sinos.

O texto (clique aqui) sugerido dessa semana traz um alerta de Thich Nhat Hanh, nos mostrando que os sinos de plena consciência sobre a situação de nosso planeta estão soando, mas poucos estão ouvindo e agindo realmente. O que você está fazendo de concreto para mudar a situação do planeta?

Leia (clique aqui) e divida suas práticas para salvar o planeta em nosso blog.

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segunda-feira, junho 15, 2009

O Sentido da Vida

Uma mulher pergunta para Thich Nhat Hanh:

- Qual o sentido da vida?
- Isto é filosofia, responde rindo Thay
- Não, mas deve haver uma razão! Porque estamos aqui? perguntou novamente ela.

Thich Nhat Hanh respondeu:

"Esta é uma chance de descobrir o mistério da vida. Muito excitante! (risos) Você tem algo a descobrir, algo muito profundo, algo muito maravilhoso. Esta prática de olhar profundamente pode satisfazer sua curiosidade, e esta é uma razão para estar vivo - para descobrir você mesma, para descobrir o cosmos. Esta é uma alegria.

Você poderia focar sua questão em "como" e não ser capturada sempre no "porquê". A vida é uma maravilha! Estamos aqui para experimentar as maravilhas da vida. Se você tiver plena atenção e concentração suficientes, poderá ter uma descoberta importante e penetrar na realidade da maravilha da vida.

A vida é uma manifestação prodigiosa. Não apenas a rosa é maravilhosa, não apenas as nuvens e o céu são um milagre, mas o barro e o sofrimento são também maravilhosos. Portanto desfrute entrar em contato com a vida; descubra o mistério da vida. E não gaste seu tempo perguntando questões metafísicas! (risos)"

sábado, junho 13, 2009

Budismo Engajado e o Conflito Israel-Palestina

Querido Thay, Querida Sangha,

Sinto-me humilde ao estar aqui, na presença de tantas pessoas cuja compaixão e dedicação tocaram os corações e as vidas de muitas outras. Em comparação com a sua bondade, a sua prática e os frutos dos seus esforços, sou realmente um peixe bem pequenino. Mas é muito melhor ser um peixinho nadando no riacho da compaixão do que frigindo na panela do ódio.

Falo com vocês como israelense, americano, cidadão adotivo da cidade de Roma, judeu, budista, poeta. Como músico, estudante de política e religião, professor, amigo, parceiro, ex-marido, motociclista entusiástico; como um ex-soldado de infantaria que até hoje ainda sente a presença do seu fuzil de assalto automático da mesma forma que alguns mutilados sentem os membros perdidos, apoiado sobre o ombro, com cheiro de graxa e suor. Falo com vocês como irmão, filho e algum dia, talvez, pai. Gostaria de lhes oferecer a seguinte reflexão sobre minha compreensão limitada do Budismo Aplicado no contexto do Oriente Médio.

Vocês podem pensar que na Terra Santa há um conflito entre israelenses e palestinos. Essa não é a verdade. Há um grande sofrimento, sim. O medo a tudo impregna: não apenas o medo de incursões militares, de assassinatos, de ataques terroristas, do chamado para se apresentar à força militar de reserva ou da aniquilação nuclear, mas o medo da exploração, da insegurança econômica, o medo da perda, de não produzirmos o suficiente, de não sermos fortes o suficiente. O conflito se alastra por todos os setores da sociedade, desde as escolas até o governo, o tráfico assassino, a família, o exército; as esferas pública e privada, religiosa e secular. Há uma violência tremenda contra mulheres e crianças, abuso de poder nos locais de trabalho, corrupção, negligência em grande escala e destruição do meio ambiente natural e humano.

Toda essa violência é o resultado da confusão, de percepções enganosas e de visões errôneas. O sofrimento é imenso, mas se nós o interpretarmos erroneamente como o resultado de um conflito entre duas nações, estaremos ignorando suas raízes reais e só vamos perpetuá-las. Usando a ferramenta budista de olhar a fundo no vazio de um eu independente, nós podemos ver uma realidade diferente. Nós, israelenses e palestinos, podemos não ser o mesmo, mas também não somos diferentes. Somos unidos no nosso medo, limitados pelo nosso ódio, intimamente conectados pela nossa incapacidade para ouvir com um coração aberto e idênticos ao sustentarmos a noção errônea de que o nosso sofrimento é o resultado de um conflito nacional.

Por Favor, Não Se Junte a Nós
Não estou negando a existência das máquinas de guerra, dos ataques suicidas, dos pontos de checagem ou das ameaças existenciais. Mas, observando a realidade a fundo, podemos ver que a guerra física é um reflexo da guerra nos nossos corações, uma tentativa de controlar nosso sofrimento, projetando-o em um inimigo externo claramente identificável. Encobrir a realidade mais profunda do nosso sofrimento e de suas causas, disfarçá-lo com uma narrativa de dois personagens, é fazer uma grande injustiça e tornar impossível qualquer transformação real.

Na minha opinião, entender a dimensão mais profunda do sofrimento na Terra Santa já é uma forma de budismo aplicado. Que passos práticos podemos dar para aliviar o sofrimento?

O primeiro passo, como sempre, é nos protegermos e cultivarmos a compaixão. Você pode viver no Sudeste Asiático, na Europa, ou em qualquer parte deste planeta tão generoso nos prover, e assistir frequentemente na televisão às imagens de conflitos políticos. Se nós respondermos a essas imagens movidos pelo julgamento, reduzindo a rede infinita de causas e condições sociais, políticas, institucionais, familiares e psicológicas a um esquema simplista de dois lados, um sendo a vítima e o outro o agressor, estaremos regando as sementes de julgamento em nós mesmos. O ódio e a raiva não precisam de autorização nem de passaporte para passar por pontos de checagem ou muros de concreto e com essa mesma facilidade eles podem entrar nos nossos corações. Se nós fortalecermos as sementes do julgamento, do ódio e da raiva, seus frutos encontrarão um caminho para todos os aspectos das nossas vidas e prejudicarão nossos relacionamentos com todos os que nos rodeiam. Seus parceiros, seus filhos, seus pais e todos os seus entes amados são preciosos para você. Seria uma grande vergonha se os nossos males e a nossa confusão provocassem um momento sequer de discórdia ou de desarmonia na sua família e na sua comunidade.

As mesmas imagens de televisão podem ser abraçadas com compaixão e compreensão profunda. Pense em alguém que lança um foguete Qassam em Israel. Ser um militante não é toda a verdade. Ninguém é apenas um militante. Ele pode ser um militante, filho, irmão, amigo, artista, estudante e assim por diante, inclusive uma vítima de numerosas causas em vários níveis e oriundas de várias direções – levando a essa crença de que matar pode resolver o seu sofrimento ou o sofrimento de seus entes amados. Tampouco alguém é apenas um soldado. A verdade de um soldado é igualmente complexa, humana, sua confusão e suas ações podem ser vistas como o resultado de várias causas, profundas e abrangentes, das quais ele, seu comandante e seu general são todos vítimas. Se eles fossem capazes de olhar mais a fundo, agiriam de forma diferente.

Por favor amigos, para seu próprio bem e felicidade, tomem isto como uma meditação na não-dualidade, na ausência de sinais e no interser, para desenvolverem sua compaixão pelos que ainda não aprenderam a fazer isso. Vocês darão aos seus filhos um belo exemplo de não-julgamento e eles então poderão enriquecer suas vidas e as de seus amados com compaixão e compreensão. Assim, vocês podem transformar um ataque de foguetes ou uma incursão militar em amor, transformando a ignorância em uma lição do Darma. Eu acredito que essa prática vai levar mais alegria para a sua própria vida e isso é motivo suficiente para praticá-la.

Remover o obstáculo de uma visão dualista também oferece várias oportunidades para o Budismo Aplicado em uma escala maior. Assim como encontramos o medo em cada setor da nossa sociedade, podemos encontrar também oportunidades. Nós do Oriente Médio faríamos bem em aprender a apreciar as muitas condições para alegria e felicidade que já estão presentes no aqui e agora. Isso inclui nossas amizades já existentes, nossos filhos, a beleza natural espetacular que nos rodeia e a alegria que podemos encontrar retornando ao milagre da nossa respiração.

Entre essas condições, encontram-se também os incontáveis projetos de paz e de desenvolvimento, graças à dedicação e à generosidade de indivíduos do mundo todo. Seja qual for a sua especialidade – serviço social, saúde, agricultura, meio-ambiente, arte e cultura, esporte e assim por diante – eu acredito que toda contribuição pode aliviar o sofrimento e aos poucos regar as sementes da alegria, desde que seja oferecida após ter se dado o aprofundamento pessoal da prática da compaixão, do não-julgamento e da não-dualidade. Sem essa prática, receio que qualquer esforço, infelizmente, apenas contribuirá para mais sofrimento. Projetos de coexistência são úteis e bem-vindos, mas enfocar só a coexistência, na minha opinião, é correr o risco de enfatizar apenas um resultado das causas subjacentes. A compaixão, a escuta profunda e a fala amorosa podem ser praticadas em todos os níveis da sociedade e em todas as línguas.

- discurso apresentado por Bar Zecharya na conferência “Budismo Engajado no Século XXI”, no Dia Vesak das Nações Unidas de 2008, em Hanói, Vietnã - Publicado na revista Mindfulness Bell)

Fotos: Leonardo Dobbin

Tradução: Renata Colacco

quinta-feira, junho 11, 2009

Aprendendo o que é falar a verdade

Recomendamos a leitura do texto (clique
aqui
) retirado de uma palestra de Dharma de Thay Phap An, professor de Dharma de Plum Village.

Nessa aula o monge sênior mostra que temos que buscar formas habilidosas para falarmos a verdade de modo que possamos regar as sementes positivas do outro. Regar essas sementes positivas é a base para que possamos encarar nosso sofrimento sem sermos subjugados por ele. Ele ensina que Verdade é algo que tem a capacidade de reconciliar, dar às pessoas esperança, dar felicidade às pessoas. Quando você fala e causa dano, embora possa estar correto, não é nenhuma verdade.

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quinta-feira, junho 04, 2009

Abraçando nossa dor depois do desastre

Nessa semana onde ficamos perplexos com a queda do avião no oceano e da morte das muitas pessoas a bordo, sugerimos a leitura de uma reflexão (clique aqui) de Thich Nhat Hanh sobre como abraçar nossa dor depois de um desastre desses.

Thay escreveu esse texto após o Tsunami que varreu a Ásia há alguns anos atrás e se pergunta porque essas coisas acontecem a alguns de nós. Vontade de Deus, karma? Porque alguns morrem e outros sobrevivem? Como clarear a dor que nos aflige nesses momentos?

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quinta-feira, maio 28, 2009

Nossos ancestrais estão vivos em nós

Você vê sua mãe e seu pai em você? Com quanta clareza e profundidade você pode ver isso? E quando você olha para a sua mãe e o seu pai, você se vê neles? Quão profundamente você enxerga isso? A leitura do texto em anexo (clique aqui) traduzido por Marcelo Abreu (blog Paraserzen), de uma palestra de Thay realizada no ano passado, trata desse assunto.

Thay encerra o texto assim: "Meu pai e minha mãe, eles são meus ancestrais, os meus ancestrais mais jovens. Como seres humanos, nós temos ancestrais humanos. Tivemos diversas gerações de ancestrais humanos e, geneticamente falando, todos os nossos ancestrais estão vivos em nós. Pensamos que todos eles já morreram, porém isso não é verdade. Nossos ancestrais de diversas gerações ainda estão vivos em nós, e nós os carregamos futuro adentro. Nós os transmitimos futuro adentro. Então, quando você se casa e tem filhos, você transmite seus ancestrais aos seus filhos. Os seus ancestrais adentram, assim, o futuro."

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sábado, maio 23, 2009

Pimentão

Saiu o ranking dos alimentos movidos a agrotóxico. Cruzando na frente a faixa de chegada vem o pimentão, vermelho como uma Ferrari envenenada. Graças a Deus eu não ligo para pimentão. Mas para cenoura eu ligo, para tomate, brócolis, couve, espinafre, agrião, alface. Fiz muito regime na vida, cresci comendo salada; quando se é jovem, a vaidade conta mais que a própria vida. Há vinte anos não existiam os orgânicos nos supermercados, somente a carne e o açúcar acendiam o sinal de alerta dos mais naturebas. O nascimento do meu filho mais velho, há nove anos, foi o divisor de águas da geladeira lá de casa. Só aí aboli os pesticidas do cardápio. Frango e ovo também, só se forem de galinhas caipiras. Treinamento de guerreiro espartano é pinto perto dos horrores praticados nas granjas. Quando eu vejo um paillard de frango, me dá vontade de chorar. Dizem que as galinhas não andam, que as luzes nunca se apagam para que ponham mais ovos, que enchem as coitadas de hormônio. A coisa é séria. Nasceu barba na bebê de uma amiga quando a menina começou a tomar canja. Pararam de dar frango, a barba sumiu. Já ouvi de um médico que essas máquinas que fazem suco com casca e tudo poderiam ser batizadas de "Jesus me chama" porque o mata-peste acumulado na casca vai para o copo junto com a fruta.

Eu como muito atum. Achava saudável até descobrir que, além das doses mortíferas de mercúrio entranhadas no peixe, o que chega a nossa mesa é tão de granja quanto as penosas, alimentado com a mesma ração. Além do mais, o bendito ômega 3 só é encontrado no atum selvagem, daqueles que nadam quilômetros em mar aberto. O mesmo acontece com o salmão. Esse peixe só é rosa porque come krill em alto-mar. O tom avermelhado do salmão que chega às nossas feiras é pura maquiagem de betacaroteno. Tanto que salmão na minha infância era iguaria rara, hoje dá mais que chuchu na serra.

Meus pais compraram um sítio não muito grande em Teresópolis há mais de quarenta anos. É uma região de pequenos agricultores, na grande maioria veneneiros. A única mata nativa que restou no vale está na nossa propriedade. A do vizinho foi toda torrada em fomos de carvão junto com um pomar centenário. O que nós vimos de atrocidades naturais acontecerem em volta não está no gibi. Vimos e, confesso, também cometemos algumas.

Meu pai tinha o sonho de ser fazendeiro e tentou realizá-lo modestamente no sítio. Lembro dele manuseando um galão de agrotóxico como se fosse a grande solução da lavoura. Eram os anos 70, e não se falava em alternativas viáveis para o plantio. O sonho de fazendeiro do meu pai morreu junto com o seu Almeida, o agricultor que cuidava da plantação. Seu Almeida prosperou a ponto de comprar um Fusca. Num fim de semana mais animado, voltando para casa com o teor alcoólico acima do permitido, enfiou o Fusca debaixo de um caminhão e nunca mais o sítio foi produtivo. Estranhamente, essa tragédia acabou salvando nossa terrinha.

Marcos Palmeira tem sua fazenda de orgânicos quase vizinha à nossa propriedade. Ele e seu sócio senegalês, Ali, nos convenceram a replantar o sítio com as técnicas limpas que dominam. O solo virgem, parado há mais de vinte anos, permitiu que já se entrasse plantando. Eles puxaram a água da nascente por gravidade, sem motores, bombas ou baterias, e plantaram vários pés de limão siciliano e uma horta para os de casa. Tudo com irrigação por gotejamento, sem desperdício. Construíram um galinheiro arejado, com umas galinhas lindas que ciscam no meio da plantação e produzem ovos, carne e adubo. Vingou tudo o que se pode imaginar. Dá orgulho ver. Justamente agora, na semana em que o ministro da Saúde afirmou que não come mais pimentão, estamos recebendo em casa nossa primeira cesta básica. Só lamento meu pai não estar aqui. Acho que ele ia gostar de ser fazendeiro com selo verde de qualidade.

- Fernanda Torres (publicado na Veja Rio em 29 de abril de 2009)

quarta-feira, maio 20, 2009

Oração Funciona?

Recentemente na Sangha Viver Consciente um companheiro mencionou sobre suas orações e questionou a forma como as fazia. Você também já deve ter se questionado: oração funciona? Para te ajudar a refletir sobre esse tema sugerimos a leitura do texto em anexo (clique aqui) retirado de um livro do Thay que fala sobre o poder da oração.

Pessoas de todas as crenças usam alguma forma de oração ou meditação na sua prática espiritual, embora possam parecer bastante diferentes uma das outras. Nesse texto o Thay busca nos dar uma visão abrangente sobre esse tema, colocando questões como: Porque rezar? Quem é a pessoa para quem rezamos? Porque a oração funciona às vezes e outras não? Há algum modo de pedir que garanta resultados satisfatórios?

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segunda-feira, maio 18, 2009

Significado de Não Violência

Não-violência não significa não-ação. Não-violência significa que agimos com amor e compaixão. No momento que paramos de agir, minamos o princípio da não-violência.

-Thich Nhat Hanh

sábado, maio 16, 2009

O espírito de Não Violência

Um veterano do Vietnã estava criticando o monge vietnamita Thich Nhat Hanh sobre sua firme dedicação a não violência. "Você é um tolo" disse o veterano - "o que você faria se alguém varresse todos os budistas do mundo e você fosse o último que restasse. Você não tentaria matar a pessoa que estava tentando te matar, e dessa forma salvando o budismo?"

Thich Nhat Hanh respondeu pacientemente "Seria melhor ele me matar. Se há alguma verdade no budismo e no dharma, ela não irá desaparecer da face da Terra, mas reaparecerá quando buscadores da verdade estiverem prontos para redescobri-la. Ao matar eu estaria abandonando os verdadeiros ensinamentos que estaria buscando preservar. Portanto seria melhor deixar ele me matar e permanecer verdadeiro ao espírito do dharma."

quarta-feira, maio 13, 2009

Uma Flor Para Sua Lapela

Nesta semana que iniciamos com a comemoração do dia das Mães, sugerimos a leitura de um texto (clique aqui) enviado pela Sangha Plena Consciência de São Paulo.

O que melhor resume o texto é o poema de Thich Nhat Hanh:

Naquele ano, embora eu ainda fosse muito jovem,
Minha mãe me deixou,
E compreendi
Que era um órfão.
Todos ao meu redor estavam chorando.
Eu sofri em silêncio...
Deixando que as lágrimas corressem,
Senti minha dor suavizar-se.
A noite cobriu o túmulo da minha mãe,
O sino do templo tocou docemente.
E eu entendi que perder a mãe
É perder todo o universo.

Leia e se emocione com esse texto belíssimo sobre as mães (clique aqui). Depois divida o que você achou do texto.

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quarta-feira, maio 06, 2009

Conhecendo a Melhor Maneira de Viver Sozinho

Neste Vesak, sugerimos a leitura de um texto (clique aqui) extraído de um livro do Thay sobre a vida do Buda.

No texto podemos ler o sutra do Buda sobre a melhor maneira de viver sozinho. Ele diz que a melhor maneira é habitar na plena consciência. Estar consciente do que está acontecendo no momento presente, o que está acontecendo no seu corpo, sentimentos, mente e objetos da mente. Saber como olhar em profundidade para as coisas no momento presente. Não perseguir o passado nem se perder no futuro, porque o passado não mais existe e o futuro ainda não chegou. A vida só pode acontecer no momento presente. Se perdermos o momento presente, perderemos a vida.

Leia (clique aqui) e depois divida seu insight conosco.

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sábado, maio 02, 2009

Carta do Chefe Índio

“O Presidente, em Washington, informa que deseja comprar nossa terra, mas como é possível comprar ou vender o céu, ou a terra? A idéia nos é estranha. Se não possuímos o frescor do ar e a vivacidade da água, como vocês poderão comprá-los?

Cada parte desta terra é sagrada para meu povo. Cada arbusto brilhante do pinheiro, cada porção de praia, cada bruma na floresta escura, cada campina, cada inseto que zune. Todos são sagrados na memória e na experiência do meu povo.

Conhecemos a seiva que circula nas árvores, como conhecemos o sangue que circula em nossas veias. Somos parte da terra, e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o gamo e a grande águia são nossos irmãos. O topo das montanhas, o húmus das campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, pertencem todos à mesma família.

A água brilhante que se move nos rios e riachos não é apenas água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se lhes vendermos nossa terra, vocês deverão lembrar-se de que ela é sagrada. Cada reflexo espectral nas claras águas dos lagos fala de eventos e memórias na vida do meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai.

Os rios são nossos irmãos. Eles saciam nossa sede, conduzem nossas canoas e alimentam nossos filhos. Assim, é preciso dedicar aos rios a mesma bondade que se dedicaria a um irmão.

Se lhes vendermos nossa terra, lembrem-se de que o ar é precioso para nós, o ar partilha seu espírito com toda a vida que ampara. O vento, que deu ao nosso avô seu primeiro alento, também recebe seu último suspiro. O vento também dá às nossas crianças o espírito da vida. Assim, se lhes vendermos nossa terra, vocês deverão mantê-la à parte e sagrada, como um lugar onde o homem possa ir apreciar o vento, adocicado pelas flores da campina.

Ensinarão vocês às suas crianças o que ensinamos às nossas? Que a terra é nossa mãe? O que acontece à terra acontece a todos os filhos da terra.

O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a rede da vida, ê apenas um dos fios dela. O que quer que ele faça à rede, fará a si mesmo. “

- Carta do Chefe Índio Seattle ao Presidente dos EUA que queria comprar as terras dos índios em 1852 para colocar imigrantes

quarta-feira, abril 29, 2009

Nutrindo Paz (parte 2)

Essa semana sugerimos a continuação do texto sobre os nutrientes (clique aqui). Nessa semana vamos estudar os dois últimos nutrientes: a volição e a nossa consciência.

A volição é nosso desejo mais profundo. Nós temos que perguntar para nós mesmos, o que é meu desejo mais profundo nesta vida? Nosso desejo pode nos levar na direção da felicidade ou na direção do sofrimento.

O último tipo de nutriente é nossa consciência. Quando a semente de raiva está em nossa consciência mental, nos alimentamos dela enquanto ela estiver lá e a raiva ficará mais forte em nós. Thay nos aconselha a estarmos atentos às sementes que estão em nossa consciência mental para nos alimentarmos de forma saudável.

Leia (clique aqui) e depois divida seu insight conosco.

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Sangha

Não espere por um mestre ou uma Sangha perfeitos. É preciso apenas um grupo de pessoas comuns comprometidas, para que se recebam grandes benefícios. Quando as pessoas do grupo tomam refúgio na Sangha, esta cresce forte e harmoniosa. Quando sorrimos e respiramos conscientemente, a Sangha toda sorri e respira conscientemente junto conosco.

Na Sangha, as pessoas se ajudam mutuamente. Quando caímos, há sempre alguém que nos ajuda a levantar. Quando praticamos meditação andando, estamos servindo a nossa Sangha. As técnicas para construir uma Sangha são: manter um leve sorriso, meditar andando, parar (shamatha) e permanecer no momento presente. Alicerçados nessas bases, podemos ajudar os outros. O mais importante é a Sangha ser feliz, nutrida e estável.

-Thich Nhat Hanh do livro "Tansformações na Consciência"

sexta-feira, abril 24, 2009

Encontro de Praticantes do Nordeste

É com muita alegria que informo que o primeiro encontro dos construtores de Sangas e praticantes nordestinos da linhagem do Mestre Thich Nhat Hanh foi confirmado.

O tema será “Nossa oração é a nossa ação”. Acontecerá entre 15 e 17 de maio na Serra do Xammaiar, Chã Grande, a 70 km de Recife, PE.

Se você quiser participar entre em contato com Maria Goretti no e-mail
maria_goretti9@hotmail.com
ou nos telefones
(81) 41015799,
(81) 91034639,
(81) 96196849 ou
(81) 94462716.
Ela tem também as informações sobre os custos de estadia e alimentação...

Já estão confirmados praticantes de Fortaleza, da Sangha de Natal e de nascente Sangha de Recife.

Mesmo que você não tenha uma comunidade organizada de prática, que você seja apenas um simpatizante ou curioso acerca da abordagem do budismo socialmente engajado, por favor, não encare esses elementos como obstáculos - todos são bem-vindos para sentir e experimentar alguns dias de prática sem compromisso nenhum.

quarta-feira, abril 22, 2009

Quem é o Buda?

Há alguns anos Thich Nhat Hanh escreveu um livro sobre budismo para crianças. Como Thay sempre nos chama de suas crianças espirituias, sugerimos que você leia essa semana duas histórias desse livro (clique aqui).

Na primeira Thay nos conta a história do garoto que queria saber quem era o Buda. Através de uma história simples Thay nos lembra que o Buda não é uma estátua, nem um Deus, mas está dentro de cada um de nós. Um Buda é uma pessoa que está consciente sobre o que está acontecendo dentro de si e a sua volta e tem muito entendimento e compaixão.

Na segunda história Thay conta a história de um filho que desperdiçou todas as riquezas de seu pai. Através da história, Thay nos mostra que somos ricos mas não nos damos conta. Temos tudo que precisamos para sermos felizes, mas desperdiçamos nossa vida lamentando.

Leia e veja em profundidade através da simplicidade do texto (clique aqui). Depois divida seu insight conosco.

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Lugares Sagrados

Podemos ir a um monastério ou a uma bela ilha para retiro e cura, desde que saibamos que a cura está dentro de nós e que o lugar é apenas a condição que permite à cura manifestar-se. Não confira poderes especiais de cura ao lugar. Quando deixarmos de correr de um lugar para outro, seremos muito mais felizes.

- Thich Nhat Hanh

quarta-feira, abril 15, 2009

Os quatro nutrientes (parte 1)

Nessa semana sugerimos que você leia (clique aqui) a primeira parte de um texto onde o Thay analiza os tipos de nutrientes que consumimos todo dia. Entendendo a natureza do que consumimos, poderemos transformar o sofrimento dentro de nós e ao nosso redor.

Nesse primeiro texto analisamos os dois primeiros nutrientes: Os alimentos que consumimos e os alimentos sensoriais. A leitura desse texto é importante porque os alimentos que nós comemos podem trazer venenos ao nosso corpo que podem destruir nossa compaixão.

Se alimente desses insights do Thay!

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quarta-feira, abril 08, 2009

Não-Desejo

Não-desejo significa a natureza da realidade. Como temos percepções erradas, a realidade não pode se revelar para nós. Nesse semana sugerimos o texto (clique aqui), onde Thay nos mostra as imagens que o Buda usou para nos mostrar claramente o que é o desejo, a ganância.

O Buda nos advertiu para olharmos a natureza de nosso desejo de forma que a realidade possa se revelar fortemente, e então não mais seremos capturados em percepções erradas. Acreditamos que se não obtivermos o que queremos, não poderemos ser felizes, e perseguimos esses objetos. O Buda nos adverte para olharmos em profundidade para o objeto, usando plena consciência e concentração, de forma que ele revele sua verdadeira natureza.

Leia e pratique e divida sua prática com todos em nosso blog.

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terça-feira, abril 07, 2009

Livro Vivo

Pergunta: Thay, você já pensou em escrever um livro sobre questões de saúde? Pensou em um livro que ajudaria pessoas com as principais doenças?

Thay: Conto com você para escrever este livro para mim (risos). Cada um de vocês deveria ser um livro vivo. Trazemos nossas tochas e recebemos a luz do Buda. Cada um de nós tem que levar nossa tocha para casa e tentar usar essa luz para ajudar as pessoas ao nosso redor. Portanto, por favor, escreva um livro com sua própria vida e não apenas com palavras. Você foi exposto aos ensinamentos, sabe o valor da prática, e estamos contando com você para ajudar as pessoas ao seu redor.

-Thich Nhat Hanh (respondendo a uma pergunta em retiro em Vermont 1998)

segunda-feira, abril 06, 2009

Inscrições abertas para o Retiro 2009 - Monges trad. Thich Nhat Hanh

Como já anunciado, mais uma vez receberemos a visita de monges da tradição de Thich Nhat Hanh. Este ano são dois monges, Thay Phap Dung e Thay Phap Uyen, que vêm de Plum Village para palestras e retiros no Rio, São Paulo e Porto Alegre.

As inscrições para o retiro no Rio de Janeiro já estão abertas. Se você já decidiu, não espere por que as vagas são limitadas e devido à antecedência estamos parcelando o pagamento da inscrição. Garanta já sua acomodação!

Para obter informações acesse o site http://www.viverconsciente.com/retiro2009.html, preencha a ficha de inscrição e nos envie.

sexta-feira, abril 03, 2009

Nova Sangha no Rio

Temos o orgulho de anunciar a criação de mais uma Sangha ligada a Plum Village no Rio de Janeiro. A Sangha Caminho do Interser fica no Méier, zona norte do Rio, e nasceu a partir da Sangha Viver Consciente, por iniciativa do Marco Sampaio (Obra Compassiva do Coração).

A Sangha se reúne nas 6as feiras, às 19hs, na rua Oldegard Sapucaia, n.6, grupo 201 e 203. Fica na Estação do Méier em frente ao Banco do Brasil.

Se você quiser mais informações pode ligar para 9867-6584 ou 3272-8471. Se mora na zona norte do Rio é uma excelente oportunidade de praticar em grupo.

quarta-feira, abril 01, 2009

A Concentração Correta

Nesse mês de abril sugerimos que seja aprimorada a prática da Concentração Correta, mais um passo do Nobre Caminho Óctuplo.

Nesse texto (clique aqui), Thich Nhat Hanh ensina que a pratica da Concentração Correta consiste em cultivar uma mente focada, capaz de se concentrar em uma única coisa. A Concentração Correta conduz a felicidade e também a Ação Correta. Quanto maior for o nosso grau de concentração, melhor a qualidade de nossa vida.

O Caminho Óctuplo são práticas ensinadas pelo Buda que nos levam ao bem-estar, nos livrando do sofrimento, medo, ansiedade, angústia, raiva. Experimente! Pratique!

Divida sua experiência sobre essa prática (clique aqui) com todos os praticantes em nosso blog.

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segunda-feira, março 30, 2009

Carne aumenta risco de câncer e doença cardíaca

Comer carne vermelha e carne processada (bacon, salsicha, presunto defumado) em excesso aumenta o risco de desenvolvimento de câncer no sistema digestivo e de doenças cardiovasculares. É o que aponta estudo realizado com 500 mil americanos de 50 a 71 anos de idade, divulgado na semana passada, pelo Jornal da Associação Médica Americana (Jama).

De acordo com a pesquisa, em dez anos de acompanhamento, morreram 47.976 homens e 23.276 mulheres entre os 500 mil analisados no período. Do total, 11% das mortes entre os homens e 16% dos óbitos entre as mulheres poderiam ser adiados se houvesse redução do consumo de carne vermelha para 9 gramas do produto a cada mil calorias ingeridas.

O grupo que mais comeu carne vermelha (68 g/1.000 calorias) foi o que apresentou maior incidência de morte. Entre as mortes causadas por doenças cardiovasculares, a diminuição do risco seria de até 21% entre as mulheres.

O perigo da carne processada é devido ao alto teor de sal e gordura saturada, que eleva o risco de contrair doenças cardiovasculares e hipertensão arterial.

(Fonte: www.destakjornal.com.br)

quarta-feira, março 25, 2009

Reconciliação

Você tem algum problema com seus pais? Guarda alguma mágoa pelo que eles fizeram ou não no passado? O texto (clique aqui) fala sobre reconciliação, em particular a reconciliação com nossos ancestrais.

Thay ensina que somos a continuação dos nossos pais; nós somos nossos pais. O único caminho é buscar reconciliação conosco mesmo e com os nossos pais internos. Não há outra maneira. Fomos vítimas de comportamentos negativos, sementes negativas, mas através da prática profunda, percebemos que a outra pessoa, nossos pais, podem também ser vítimas da transmissão dessa semente. Quando você vê seus pais como vítimas da transmissão, sua raiva desaparece.

Quando olhamos para todos os seres com esses olhos paramos de culpar e julgar. Passamos a querer ajudar a transformar. Leia, reconcilie e depois divida sua experiência sobre o texto (clique aqui) em nosso blog.

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domingo, março 22, 2009

Sem complexos

O método oferecido pelo Buda serve para remover o sofrimento e cultivar o bem estar. Bem estar pode ser descrito como saúde mental. Quando temos baixa auto-estima, a saúde mental não está presente. Psicoterapeutas tentam ajudar pessoas a cultivar o oposto da baixa auto-estima. Mas o que podemos dizer da alta auto-estima? Alta auto-estima é também uma forma de doença mental. Você perdeu contato com a realidade e imagina coisas sobre si mesmo.

Seres humanos olham superiormente para outros seres vivos. Pensamos que os animais são criados para nos alimentar e que podemos fazer o que quisermos com animais, vegetais e minerais. Não somos saudáveis nesse aspecto. Há um outro tipo de estima, não um complexo de inferioridade ou de superioridade, mas a idéia que somos completamente iguais. Nos ensinamentos do Buda isto também é uma doença, porque é baseada na noção de eu, ego. "Eu sou igual a ele. Eu não sou pior que ele." Soa bom, sem baixa auto-estima ou alta auto-estima, mas é um aviso que você está ainda preso a noção de eu.

Nos ensinamentos do Buda, considerar você mesmo superior a outra pessoa, inferior a outra pessoa, ou igual a outra pessoa são percepções erradas. A correta noção de equanimidade é chamada a sabedoria de samata. De acordo com essa sabedoria, você divide a mesma base com outros seres vivos. Se uma pessoa tem a semente da budeidade, você também tem. Se uma pessoa tem a capacidade de se tornar completamente iluminado, você também tem essa capacidade. Se uma pessoa tem a capacidade de amar e ser feliz, você também, porque vocês dividem a mesma base do ser.

- Thich Nhat Hanh (Do livro "The Path of Emancipation")


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quarta-feira, março 18, 2009

Praticando Plena Consciência

Selecionamos nessa semana um texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh explica uma das práticas mais básicas do budismo, a plena consciência.

Thay ensina que não há paz ou felicidade sem plena consciência. Plena consciência é lembrar de voltar ao momento presente. Tudo que estamos procurando está aqui no momento presente. Se permitirmos a nós mesmos estar no momento presente, teremos a capacidade de tocar as coisas maravilhosas. Mas se não nos permitirmos, continuaremos a lutar. Plena consciência nos ajuda a viver de forma mais feliz e ver a beleza das coisas mais profundamente.

Leia e pratique e depois divida sua experiência sobre o texto (clique aqui) em nosso blog.

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Caça e Caçadores

Plum Village encontra-se numa região rural, cercada por vinhedos e plantações de girassóis, e muitos bosques. Em alguns destes bosques é permitida a caça, e às vezes, de Plum Village ouvimos os tiros dos caçadores. Ou então, quando vamos fazer meditação caminhando nestes bosques, deparamo-nos com as armadilhas e as torres de observação utilizadas pelos caçadores. Dentro da tradição de Budismo Engajado nasce esta iniciativa de Plum Village, através do monge Pháp An, de oferecer uma alternativa pacífica à caça esportiva, olhando em profundidade todo o contexto de interser que dá origem a essa atividade. Esta carta foi traduzida para diversos idiomas e tem sido compartilhada com Sanghas ao redor do mundo, que depois fornecem feedback a Plum Village. O Marcelo Abreu da Sangha Plena Consciência (SP) que passou recentemente 6 meses em Plum Village traduziu e se comprometeu com o Pháp An de compartilhar a iniciativa dele com a Sangha brasileira. O nosso blog se une a iniciativa de Plum Village e do Marcelo e divulga a carta.


Caro Thây, cara comunidade, caros amigos,

Irmão Phap An tem uma idéia, uma visão, a qual tem compartilhado com inúmeros praticantes, vindos de distintos paises e meios culturais e sociais, e que estão passando o Retiro de Inverno no templo de Son Ha, Plum Village, França. Hoje gostaríamos de compartilhar esta visão com Thây, com a comunidade, com membros da Ordem do Interser e praticantes de Sanghas laicas locais, pedindo que nos ajudem a tentar dar vida e substância a esta idéia.

É sobre caça e caçadores.

Desfrutamos profundamente passear pelas florestas, e estamos cientes de que caçadores e associações de caça participam significativamente na manutenção de trilhas e da acessibilidade à mata, tornando possível caminhar ali.

Estamos cientes de que a motivação dos caçadores é o amor à natureza, a busca do contato com a natureza e com suas próprias raízes.

Em tempos passados, nossos ancestrais tinham de caçar para alimentar-se, e às suas famílias. Atualmente, entretanto, os tempos mudaram e, num país desenvolvido, não mais precisamos caçar para alimentar nossas famílias.

De caçadores coletores, nossos ancestrais tornaram-se fazendeiros e pastores; mantiveram porém e nos transmitiram o desejo pela liberdade e proximidade com a natureza selvagem, que talvez só seja verdadeiramente conhecida por caçadores coletores.

Também estamos cientes de que nossos ancestrais atravessaram muitas guerras, mortandades, massacres, algumas vezes como presas e outras como predadores, e que as sementes da violência e do terror experienciados por eles estão presentes em cada um de nós.

Estamos cientes, ainda, da degradação do meio-ambiente e da violência associada ao uso de armas, no presente.

Neste contexto, como podemos reconciliar, hoje em dia, a nobre aspiração de viver livremente em contato com a natureza, com respeito pela vida e pela natureza em todos os aspectos, incluindo animais, plantas e minerais? Como podemos transmitir a nossos filhos e descendentes a rica herança que nos foi dada por nossos ancestrais, sem ao mesmo tempo transmitir-lhes todo o sofrimento associado à violência, guerras, mortandades, massacres, que nossos ancestrais atravessaram?

Aqui podemos manifestar nossa visão, nosso projeto:

Propondo, localmente, através das Sanghas laicas locais de Plum Village, em tantos lugares do mundo quanto possíveis, para associações ligadas ao meio-ambiente, à caca, e para associações de fotógrafos amadores, tornarem-se parte de uma campanha que poderia ser chamada:
OS CAÇADORES DE IMAGENS

Esquema desta campanha:
Competição de fotografia de animais vivendo em seu habitat natural.
Serão convidados a participar:
- caçadores, familiarizados com os animais e seu meio-ambiente,
- fotógrafos amadores,
- todos os amantes da natureza.

- Um júri pode selecionar fotos baseadas em critérios artísticos e na representação do meio-ambiente e comportamento dos animais. - Tal júri pode ser composto por membros de grupos para conservação do meio-ambiente, associações de caça e fotógrafos profissionais.
- Os prêmios incluiriam câmeras e outros equipamentos de alta qualidade, doados por patrocinadores, encorajando os participantes a desenvolver seus talentos.
- Um site na internet pode ser criado a fim de compartilhar as fotos e as experiências dos participantes.

Nossos objetivos:
- Promover a proteção à vida e ao meio-ambiente através da arte e da ciência da fotografia;
- Ajudar caçadores e todos os amantes da natureza a reconhecer que compartilham o amor pela natureza e o desejo de conservar e proteger nossa herança comum;
- Facilitar a comunicação construtiva e amistosa e o compartilhar de conhecimento entre pessoas (por exemplo, caçadores poderiam compartilhar com os habitantes urbanos seus conhecimentos sobre a floresta; fotógrafos amadores poderiam compartilhar seu conhecimento e paixão pela fotografia; aqueles que amam a vida poderiam compartilhar seu cuidado e respeito à vida em todas as suas formas);
- Desenvolver a consciência da importância cultural, histórica e ecológica de proteger e transmitir a nossas crianças espaços naturais livres e protegidos de toda violência.

Nota 1: Fotografar animais vivendo livremente na natureza requer grande paciência e concentração, as quais são qualidades de um verdadeiro caçador; também requer humildade e compaixão, que são qualidades de um verdadeiro ser humano.
Nota 2: Não se pode empunhar uma arma e uma câmera ao mesmo tempo. Desejamos encorajar nossos irmãos caçadores a trocar suas armas por uma câmera, e regar suas sementes de compaixão, estimulando-os a reconhecer o valor da vida e a curar as feridas da violência em nossa consciência coletiva.

Voila, apresentamos assim nossa visão, nosso projeto. Este projeto pode ser traduzido e apresentado a Sanghas ligadas a Plum Village em todo o mundo, como um exercício e proposta de colocar em prática aquilo que chamamos de Budismo Engajado. Tal exercício pretende colocar em prática:
- Ética: proteger a vida e o meio-ambiente;
- Olhar em profundidade: enxergar a relação de interser entre homens e natureza, entre caçadores e ativistas ecológicos, e entre todos nós, incluindo nossos ancestrais e descendentes;
- Discernimento: capacitar-nos a encontrar e utilizar meios hábeis de mover-nos de uma visão correta na direção da ação correta, através do discurso correto.


Obrigado por sua resposta e por oferecer-nos sugestões.

Participaram da preparação e várias traduções deste projeto:
Kelsang Jampel (USA), David (Canadá), Ricardo (Itália), Robert (Alemanha), Bart e Yuri (Bélgica e México), Karel, Gerard (Holanda), Gerard (Catalunha), Gregorio (Espanha), Marcelo (Brasil), Phap An (França)

terça-feira, março 17, 2009

A linguagem do Zen

Em uma corrida pela paz na Filadélfia, em 1966, um repórter perguntou-me, "Você é do Vietnã do Norte ou do Sul?" Se eu dissesse que era do norte, ele teria pensado que eu era pró-comunista, e se dissesse que era do sul, ele teria pensado que eu era pró-americano. Então respondi, "Eu sou do Centro".


Eu queria ajudá-lo a deixar suas noções e a encontrar a realidade que estava bem na frente ele. Esta é a linguagem do Zen.


Um monge Zen viu um belo ganso voando e quis compartilhar sua alegria com seu irmão mais velho, que estava caminhando ao lado dele. Mas por um momento, esse outro monge se abaixou para tirar uma pedra de sua sandália. Quando ele olhou para cima, o ganso já tinha ido. Ele perguntou, "O que você queria que eu visse?", mas o monge mais novo permaneceu em silêncio.


O mestre Tai Xu disse, "Enquanto a árvore estiver atrás de você, você poderá ver apenas a sua sombra. Se você quiser tocar a realidade, você deve se virar."


O "ensinamento de imagem" usa palavras e idéias. O "ensinamento de substância" comunica-se pelo modo em que você vive.

-Thich Nhat Hanh

quarta-feira, março 11, 2009

Acredite na sua experiência antes de aceitar algo

Essa semana sugerimos o texto (clique aqui) retirado de uma palestra do Thay em um retiro para cientistas em 2005, onde Thich Nhat Hanh diz que os ensinamentos do Buda são verdadeiramente científicos. O budismo não pode ser descrito como ciência, mas tem o espírito científico.

O Buda disse: "Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo."

Pratique esse espírito de desapego a idéias, liberdade de pensamento e abertura a outros pontos de vista! Leia o texto (clique aqui).

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quarta-feira, março 04, 2009

Começando Novamente

No texto sugerido desta semana (clique aqui) Thay nos fala sobre a importância da prática do Começar de Novo. Ele diz que deveríamos saber nascer, saber começar novamente, como um novo ser a cada momento de nossas vidas. Nós não devemos ficar presos na prisão da culpa apenas porque cometemos enganos em nossas vidas. Sem cometer enganos não há nenhum modo de aprendermos formas de ser uma pessoa melhor. Eis porque os erros têm um papel em nosso treinamento, em nossa aprendizagem.

Thay também diz que nossa boa vontade não é suficiente para a prática. Temos que ser hábeis em nossa prática. Caminhando, comendo, respirando, falando, trabalhando, deveríamos aprender a arte de viver atentos, porque se formos bons artistas, poderemos criar muita felicidade e alegria ao nosso redor e dentro de nós; mas se possuirmos apenas boa vontade, não será suficiente porque com boa vontade podemos causar muito sofrimento.

Reflita sobre o texto, e comente em nosso blog.

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Vídeo do 2o Treinamento

O Samuel Cavalcante de Fortaleza nos brinda com mais um vídeo feito por ele. Dessa vez podemos assistir ao 2o. Treinamento de Plena Consciência em belas imagens e trilha sonora. Aproveitem. Conheçam o blog dele clicando em http://interserblog.blogspot.com


Instituto Budista abre na Alemanha

O Instituto Europeu de Budismo Aplicado (EIAB) abriu em setembro de 2008 em Waldbrol, Alemanha. A primeira visita de Thay ao EIAB depois de ter sido adquirido pela comunidade de Plum Village aconteceu na segunda semana de setembro de 2008. Os monges e monjas que acompanharam Thay na visita não puderam contar com calor ou água quente porque o prédio estava desabitado há 2 anos e havia uma grande necessidade de limpar o local. O prefeito de Waldbrol gentilmente ofereceu os serviços da cidade para limpar o local antes da conferência de imprensa presidida por Thay.

O prédio foi construído em 1897, por um filantropo local para tratamento de doentes mentais de famílias que não podiam pagar pelo tratamento. Em 1938 os nazistas removeram 700 pessoas da cidade para local incerto, inclusive alguns pacientes do hospital. Muitos foram mortos por injeção ou esterelizados pelos nazistas. O hospital se tornou um dos centros recreacionais de Hitler. Desde o fim do nazismo o prédio voltou a ser um hospital e depois uma academia militar da OTAN. O passado deste prédio é de filantropia e compaixão bem como de ignorância e sofrimento.

O prédio foi chamado de Casa da Transformação. Durante o retiro de inverno, as portas estavam abertas para os habitantes locais para que se juntassem aos monásticos nas meditações sentadas e caminhando, bem como em 2 dias de plena consciência a cada semana. Os habitantes locais expressaram sua apreciação pela paz e alegria que sentem quando estão com os monásticos.

- Da revista Minsfulness Bell n. 50

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Perguntas e Respostas

O texto sugerido desta semana (clique aqui) transcreve um sessão de perguntas e respostas feitas em um retiro em Vermont, EUA. Nessa sessão os praticantes fazem perguntas diversas para Thay.

As perguntas são: Porque devemos nos alimentar em silêncio durante o retiro? Como praticar quando alguém continuamente rega suas sementes negativas? Sou lésbica e me sinto discriminada pela sociedade. Como lutar para mudar essa situação? Confira as respostas do Thay clicando aqui.

Reflita sobre o texto, e comente em nosso blog.

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domingo, fevereiro 15, 2009

Receber, abraçar e transformar

Um dia o Buda deu a Rahula, um jovem monge, uma palestra de Dharma sobre a capacidade da Terra de receber, abraçar e transformar todos os tipos de elementos. Há quatro grandes elementos: terra, água, fogo e ar. Todos os quatro grandes elementos têm a capacidade de receber, abraçar e transformar. “Rahula”, o Buda disse, “aprenda a ser como a terra. Se as pessoas derramarem leite ou fragrância, depositarem flores ou jóias ou derramarem urina, excremento ou muco na terra, ela os recebe sem discriminação.” Por quê? Porque a terra tem a capacidade de receber, abraçar e transformar. A terra pode receber excrementos e urina porque é imensa. Ela os transforma em flores, grama e árvores. Se você cultivar seu coração de forma que seja aberto, se tornará imenso como a terra e poderá abraçar qualquer um ou qualquer coisa sem sofrimento.

Se você colocar um punhado de sal em uma bacia e agitá-la, a água se torna tão salgada que não se pode beber. Se você coloca esta água em um rio, ele não é afetado porque é imenso. Se seu coração é como o rio, você não sofrerá devido a pequenos problemas. Sofremos porque nossos corações são pequenos e não inclusivos. Nossos corações têm a tendência a excluir e eliminar.

-Thich Nhat Hanh (traduzido do livro "The Path of Emancipation")

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Soltando Nossas Vacas

Existe alguma coisa que você possui que considere fundamental para seu bem estar e felicidade? Um emprego? Dinheiro? Um imóvel? Um relacionamento? Uma ideologia ou filosofia?

Thich Nhat Hanh nos convida a olhar em profundidade (clique aqui) para essas coisas e perceber se elas contribuem realmente para nossa felicidade ou sofrimento. Há muitas coisas que não somos capazes de deixar para trás, que nos prendem. Se você não está feliz por que está preso nelas, deixá-las para trás será fonte de alegria para você. Liberdade é a base de nossa felicidade. Não podemos ser felizes se estamos presos.

Reflita sobre o texto, e comente quais são suas vacas em nosso blog. O que você vai fazer para soltá-las?

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

O Meio de Vida Correto

Sugerimos que você nesse mês de fevereiro leia e reflita sobre o texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh discute mais uma prática do Caminho Óctuplo, o caminho das práticas que nos liberta do sofrimento: o Meio de Vida Correto.

Para praticar o Meio de Vida Correto, é necessário encontrar uma forma de ganhar a vida que não represente uma transgressão aos ideais de amor e compaixão. A forma pela qual você se sustenta pode ser uma expressão do seu ser mais profundo ou pode ser uma fonte de sofrimento para você e para os outros.

Temos sempre que ter consciência das consequências, imediatas ou remotas, do nosso trabalho. O Meio de Vida Correto não é apenas uma questão de escolha pessoal. Ele representa o nosso carma coletivo.Tudo o que fazemos é parte de nosso esforço de praticar o Meio de Vida Correto. Trata-se de um assunto muito mais amplo do que apenas o meio pelo qual obtemos nossa renda mensal.

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Vídeo do Primeiro Treinamento

Nosso amigo Samuel Cavalcante de Fortaleza fez um vídeo ilustrando o Primeiro Treinamento de Plena Consciência. Vale a pena assistir. Agradeço ao Samuel pelo presente. Quem quiser conferir outras preciosidades dos ensinamentos do Thay pode visitar o blog dele em http://interserblog.blogspot.com/



segunda-feira, fevereiro 02, 2009

As Cinco Consciências no Casamento

Em Plum Village, toda vez que há um casamento, a comunidade inteira celebra a união e leva seu apoio aos noivos. Depois da cerimônia, a cada lua cheia, o casal recita as Cinco Consciências juntos, relembrando que amigos de toda parte apóiam seu relacionamento. Seja a união firmada ou não por lei, ela será mais forte e mais duradoura se tiver sido realizada na presença de uma Sangha - amigos que amam as duas pessoas e as apóiam dentro do espírito da compreensão e do amor.

Antes das duas pessoas se casarem, elas têm que realizar junta a prática da plena consciência e, tornando-se casados, deverão continuar praticando as Cinco Consciências como manifestação da Plena Consciência:



  • Somos conscientes de que todas as gerações dos nossos ancestrais e da nossa descendência estão presente em nós.

  • Somos conscientes das esperanças que nossos ancestrais, nossos filhos e os filhos de nossos filhos depositam em nós.

  • Somos conscientes de que nossa alegria, nossa paz, nossa liberdade e harmonia, são a alegria , a paz, a liberdade e a harmonia de nossos ancestrais, de nossos filhos e dos filhos de nossos filhos.

  • Somos conscientes de que a compreensão é o próprio fundamento do amor.

  • Somos conscientes de que reclamações e brigas não nos ajudam e fazem apenas crescer o fosso entre nós. É unicamente graças à compreensão, à confiança e ao amor que podemos nos transformar e crescer.

Na primeira consciência nos vemos como um elemento de continuação dos nossos ancestrais e um elo para as gerações futuras. Quando adquirimos essa visão, sabemos que, tratando bem o corpo e a consciência no momento presente, estamos cuidando de todas as gerações passadas e futuras.

A segunda consciência nos lembra que nossos antepassados têm expectativas em relação a nós, assim como nossos filhos e netos. Nossa felicidade é a felicidade deles, e nosso sofrimento é o sofrimento deles também. Observando a fundo, saberemos o que nossos filhos e netos esperam de nós. Pode ser que ainda não os estejamos vendo em pessoa, mas eles já estão conversando conosco. Querem que vivamos de tal modo que não sejam infelizes quando se manifestarem. Os budistas vietnamitas não se vêem como indivíduos separados de seus ancestrais e sim como uma continuação que representa todas as gerações anteriores. As ações do casal não visam apenas satisfazer suas necessidades físicas e espirituais como indivíduos. Elas também têm como objetivo concretizar as esperanças e expectativas de seus ancestrais, bem como preparar as futuras gerações.

A terceira consciência nos diz que a alegria, paz, liberdade e harmonia não são questões individuais. Temos que viver de modo que possamos permitir a libertação dos ancestrais que estão dentro de nós, o que significa nos libertar. Se não agirmos assim, ficaremos amarrados por toda a vida e transmitiremos isso aos nossos filhos e netos. Agora é a hora de libertarmos os nossos pais e os ancestrais que estão dentro de nós. Oferecer-lhes alegria, paz, liberdade e harmonia proporciona, ao mesmo tempo, alegria, paz, liberdade e harmonia a nós mesmos, a nossos filhos e nossos netos. Isso reflete o ensinamento da interconexão. Enquanto nossos ancestrais, que estão em nós sofrendo, permanecerem sofrendo, não poderemos ser realmente felizes. Dando um passo com plena consciência, livre e felizes ao tocar a terra, o fazemos por todos - por nossos ancestrais e as gerações futuras. As três primeiras consciências são aspectos de um ensinamento profundo. Temos que continuar a estudá-las e praticá-las para aprofundarmos a nossa compreensão.

A quarta consciência é também um ensinamento básico do Buda. Onde existe compreensão, existe amor. Quando entendemos os sofrimento de alguém, ficamos motivados a ajudar, e as energias do amor e da compreensão são liberadas. O que quer que façamos com esse espírito será para a felicidade e libertação da pessoa que amamos. Às vezes , porém, destruímos essa pessoa. É como o general americano, quando disse que suas bombas tinham que destruir a cidade de Bem Tre para salvá-la. Precisamos praticar de modo a que tudo o que fizermos para os outros os torne felizes. Vontade de amar não suficiente. Se as pessoas não se entendem é impossível uma amar a outra.

Quando as pessoas se casam, elas formam uma Sangha de dois a fim de praticarem o amor - cuidar uma da outra, fazer o cônjuge florescer como uma flor, tornando a felicidade algo real. A felicidade não é uma questão individual. A pessoa deve procurar sorrir pelo menos uma vez ao dia, não só por ela mesma, mas pela outra também. Tem que praticar a meditação andando, não só pela outra, mas por si mesma também. Estamos ligados a muitos seres e pessoas. Cada passo, cada sorriso tem um efeito sobre todos os que nos rodeiam. Nossa felicidade é a felicidade de outras tantas pessoas.

- Thich Nhat Hanh
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quarta-feira, janeiro 28, 2009

A Paz está na Esquina

O conflito entre palestinos e israelenses é o tema de nossa semana. Se você olhar em profundidade poderá ver que também vivemos essas guerras em nossa realidade. É o asfalto contra o morro. A polícia contra os traficantes. Olhando mais em profundidade poderemos ver que a guerra pode ser filho contra pai, marido contra mulher, nós contra alguém na rua que nos aborrece. São todos conflitos humanos. Como resolvê-los?

Sugerimos essa semana (clique aqui) dois artigos traduzidos da revista Mindfulness Bell. O primeiro é um relato de uma israelense e a forma como a escuta atenciosa e a fala amorosa resolveram um mini-conflito árabe-israelense. O segundo é a resposta de Thay a pergunta de um soldado israelense sobre quando a força deve ser usada.

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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Gratidão, a Primeira Ceia

Você sente gratidão pelas coisas que tem? E pelo que recebeu? É grato a seus pais pelo amor que recebeu? Thich Nhat Hanh, no texto sugerido (clique aqui), diz que se sente extremamente grato por tudo. Todas as vezes em que toca a comida, sempre que vê uma flor, quando respira ar puro.

Thay diz que "Sempre que fazemos uma refeição, praticamos a gratidão. Somos gratos por estarmos juntos numa comunidade. Somos gratos por termos alimentos para comer, e realmente apreciamos a comida e a presença uns dos outros. Sentimo-nos gratos durante toda a refeição e todo o dia, e expressamos esse sentimento ficando completamente conscientes da comida e vivendo profundamente cada momento. É assim que tento manifestar minha gratidão a toda a vida. "

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(Foto:Leonardo Dobbin)

quinta-feira, janeiro 15, 2009

A Consciência do Momento Presente

Um dos pilares da prática budista é o estar no aqui e agora e para isso é necessário vencer energias de hábito que nos empurram para o esquecimento. A energia através da qual nós fazemos estas coisas é a Consciência. Consciência é um tipo de energia que nos ajuda a estar atentos ao que está acontecendo.

Sugerimos essa semana a leitura da transcrição de uma palestra do Thay (clique aqui) onde ele nos explica o que é a consciência. Thay define a consciência como a prática de estar ali, corpo e mente unidos. A prática de estar totalmente presente, a prática de estar totalmente vivo. Você tem um encontro com a vida - e você não deveria perdê-lo. O tempo e o espaço de seu encontro são o aqui e o agora.

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(Foto:Leonardo Dobbin)

Carta da Sangha de Jerusalém

Querido Thay, Querida Sangha,

Esta manhã, em casa, em Jerusalém, chorei.

Para minha surpresa, não chorei pelos habitantes de Gaza e do sul de Israel, nem pelos jovens israelenses convocados para o serviço militar, por quem sinto uma preocupação natural. Estava meditando sobre o dilema moral enfrentado pelo governo e pelos militares: mísseis e foguetes escondidos em escolas cheias de crianças e de pessoas inocentes em Gaza, lançados sobre crianças e inocentes em Israel. Felizmente, o jardim da infância destruído há poucos dias em Israel havia sido evacuado. A neutralização de mísseis e foguetes antes do lançamento mata crianças e inocentes. A não-neutralização também mata crianças e inocentes. De repente me dei conta do grande sofrimento e do enorme peso da responsabilidade dos tomadores de decisão do governo de meu país, dos quais discordo em tantos aspectos e que infelizmente não tiveram a oportunidade de obter maior clareza da mente através da prática. Ao pensar nas decisões que precisam tomar... Não desejo que ninguém esteja em seu lugar.

Meditei sobre a impermanência usando trechos de um livro do Thay, “Transformation and Healing”, e estou ciente de que minha capacidade de mudar a situação em Gaza – hoje – é limitada. Farei tudo que estiver ao meu alcance para cessar o conflito, mas sei também que as pessoas permanecerão na ignorância, no sofrimento e acabarão transmitindo suas dificuldades, lembranças, sentimentos e formações mentais de uma geração a outra. Devido à natureza da impermanência e do interser, algum dia todos esses fios que estão vivos hoje, a poucas centenas de quilômetros daqui, entrarão em contato com os fios que estou tecendo e transformando neste momento: minha própria ignorância, minhas dificuldades, sentimentos e formações mentais. Quando este momento de contato chegar, seja nesta manifestação ou na próxima, quero que os fios que teço agora estejam preparados, repletos de alegria e com estabilidade suficiente para aceitar e transformar a confusão e a raiva, não importa de onde venham e que forma assumam. Só a guerra causa guerra, só alegria causa alegria, portanto quero cultivar minha alegria hoje, aqui, para que não se perca quando o amanhã chegar.

Inspirando, estou consciente do milagre da vida.
Expirando, sou grato pelo milagre da vida.

Esta tarde, em casa, em Jerusalém, sorrio.

Bar Zecharya
Harmonious Service of the Heart
Jerusalém, Israel
Planeta Terra

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A Fala Correta

Em janeiro, sugerimos que você procure praticar esse passo do Caminho Óctuplo: a Fala Correta. Lembre-se que as práticas do caminho óctuplo foram o caminho que o Buda ensinou para nos livrarmos do sofrimento.

Resumidamente, segundo Thay, a Fala Correta pode ser explicada como:


(1) Falar sempre a verdade.
(2) Não falar coisas contraditórias deliberadamente.
(3) Não falar com crueldade.
(4) Não exagerar nem retocar os fatos.

Nesse texto (clique aqui) o Thay nos explica em detalhes essa prática através de seu insight privilegiado. Depois de ler divida seu insight e suas dúvidas sobre o texto em nosso blog.

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terça-feira, dezembro 23, 2008

A Mais Elevada Forma de Prece

Nesta véspera de Natal, sugerimos um texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh busca em Jesus sua inspiração.

Jesus disse: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame seu próximo e odeie seu inimigo.' Eu, porém, lhes digo: amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam, façam o bem àqueles que os odeiam e orem por aqueles que rancorosamente os usam e os perseguem. Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu: porque ele faz o sol nascer sobre os maus e os bons, e a chuva cair sobre os justos e os injustos." Muitas pessoas rezam a Deus porque querem que Ele satisfaça algumas de suas necessidades. Se elas querem fazer um piquenique, pedem a Deus que lhes dê um dia claro e ensolarado. Ao mesmo tempo, os agricultores poderão estar rezando para pedir chuva. Se o tempo ficar bom, as pessoas que querem fazer o piquenique dirão: "Deus está do nosso lado; Ele atendeu às nossas preces." Mas, se chove, os fazendeiros dirão que Deus ouviu as preces deles. É dessa maneira que costumamos rezar.

Quando você reza apenas pelo seu piquenique, e não pelos fazendeiros que precisam de chuva, está fazendo o oposto do que Jesus ensinou. Jesus disse: "Amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam." Jesus chamou essa atitude de "amar seu inimigo". Quando você é capaz de amar seu inimigo, ele deixa de ser seu inimigo. A idéia de "inimigo" desaparece e é substituída pela noção de alguém que está sofrendo e precisa de compaixão.

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(Foto de Bruno Jordão)

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Do que você se alimenta?

Quando você pensa em nutrientes certamente pensa nos alimentos que ingerimos pela boca, certo? Nessa semana, o texto proposto (clique aqui) amplia este conceito de uma forma brilhante

Thich Nhat Hanh nos ensina sobre os quatro tipos de nutrientes: alimentos, impressões sensoriais, volição e consciência. O primeiro deles é o que habitualmente conhecemos, mas entendendo nutriente como algo que nos dá energia e que nos faz agir em uma determinada direção, vemos que os outros três tipos são igualmente importantes para nossa alimentação.

Nesse final de ano, após ler o texto, porque você não tenta se alimentar mais conscientemente? Pergunte: “Essa comida é compatível com meu corpo e minha consciência?” Seguindo a prescrição da plena consciência você saberá o que consumir.

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

Buda e Mara

Nessa semana sugerimos que você leia (clique aqui) uma história escrita por Thich Nhat Hanh sobre Buda e Mara.

O oposto de Buda é Mara. Se Buda é iluminação, então tem que haver algo que não é iluminação. Mara é a ausência de iluminação. Se o Buda é entendimento, então Mara é desentendimento, e se o Buda é bondade amorosa, então Mara é ódio ou raiva e assim por diante. Se não entendermos Mara, não podemos entender o Buda.

Com uma visão não dual, Thay quebra nossa maneira habitual de ver o que é o mal. Aproveite!

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quarta-feira, dezembro 03, 2008

Retiro em Plum Village

Plum Village é um lugar especial e acho que cada um encontra a sua Plum Village na França. Ao chegarmos lá, temos questões e dificuldades que nem sabemos e várias se revelam naquele ambiente transformador. A paisagem é especial nessa época do ano. As folhas de várias cores e tonalidades dão um colorido especial. Os vinhedos recém colhidos estão pelados, mas mesmo assim lindos. Tudo bastante inspirador.

As pessoas são outro fator importante. Todos que estão lá têm um compromisso com a prática e uma aspiração comum. Buscam a transformação do sofrimento através das práticas oferecidas pelos monásticos e pelos ensinamentos do Thay. Eles são um refúgio. A prática deles ajudou minha prática nos momentos difíceis e creio que eu ajudei a vários. Em Plum Village o ambiente é calmo e frequentemente somos convidados através do sino ou do relógio do refeitório a parar tudo e apenas respirar. Nada é mais importante naquele momento. Apenas respirar.

Tive muitas dificuldades no início e não conseguia me conectar com a prática nem com o local. Depois de alguns dias pude ver profundamente em mim o porquê. Toquei sementes que remontavam minha infância, pude ver comportamentos que se repetiam há décadas sem que eu percebesse e creio que me curei. Quando isso aconteceu eu passei a ver outra Plum Village. Eu passei a pertencer, passei a existir ali. A sensação de cura me despertou para muitas outras coisas.

Ao fazer working meditation na cozinha pude ver o quão árduo é esse trabalho. Quando suor e amor são necessários para preparar o que comemos. Um sentimento de verdadeira gratidão me invadia a cada refeição, lembrando dos rostos dos amigos que passaram horas na cozinha para que eu pudesse me alimentar. Olhando mais profundamente vi que ao criar um filho fazemos o mesmo. São anos de amor, carinho, preocupações e muito trabalho árduo para que um filho cresça e se lance ao mundo. Vi o quão pouco grato era a meus pais por tudo que fizeram. Publicamente em uma discussão do Dharma manifestei minha gratidão a eles e ao voltar fiz isso pessoalmente. Não só a eles, mas a meu avô que ainda está vivo.

Por fim, o ritmo lento de Plum Village cada vez me levava mais ao momento presente. Não havia muito o que fazer por lá, nem nenhum outro lugar para ir. Um dia em um almoço com o Thay na sala de meditação, ele sugeriu que pessoas oferecessem canções. Naquele instante vi que não tinha nada mais a fazer naquele dia, e nem podia sair da sala. A única coisa que havia era desfrutar das belas canções. Vivi intensamente aquele momento. “Nowhere to go, nothing to do”. Uma felicidade verdadeira brotou em mim, a felicidade de estar verdadeiramente e inteiramente no momento presente, talvez pela primeira vez na minha vida tão intensamente. Foi muito forte. As palavras da música de Plum Village fizeram todo sentido: “Happiness is here and now/ I have dropped my worries./ Nowhere to go./ Nothing to do./No longer in a hurry.”

Depois de uma semana me sinto transformado. As palavras do Thay ganharam outro significado devido a minha experiência direta. Minha confiança na prática aumentou e também sinto mais espaço interior. Meu desafio agora é levar minha Plum Village Portátil aonde quer que eu vá. Seja no trabalho, seja no trânsito, aonde que eu vá agora sei que há um lugar lá dentro onde posso encontrar a Plum Village que continua em mim. Para isso preciso nutrir constantemente essa Plum Village interior para que ela não desapareça.