quarta-feira, julho 29, 2009

O Esforço Correto

Nesse mês de agosto sugerimos que você pratique um passo do Caminho Óctuplo: (clique aqui) o Esforço Correto.
As quatro práticas que costumam estar associadas ao Esforço Correto são:

(1) Impedir o crescimento e o desenvolvimento das sementes indesejáveis contidas em nossa consciência armazenadora.

(2) Ajudar as sementes indesejáveis já desenvolvidas a retornar à consciência armazenadora.

(3) Encontrar formas de irrigar as sementes sadias que ainda não cresceram em nossa consciência armazenadora, incentivando o mesmo processo aos amigos.

(4) Nutrir as sementes sadias que já cresceram, para que permaneçam em nossa consciência mental, tornando-se cada vez mais fortes. Isso é chamado de Esforço Correto Quádruplo.

Leia (clique aqui) o texto e procure praticar esse mês! Se você quiser ler a nossa newsletter semanal clique aqui ou nos mande um e-mail (clique aqui) para passar a recebê-la diretamente.

segunda-feira, julho 27, 2009

Fonte de sabedoria

Budismo precisa ser reconhecido como uma fonte de sabedoria, uma longa tradição de prática de entendimento e amor e não apenas devoção. O espírito do Dharma é muito próximo do espírito da ciência. Ambos nos ajudam a cultivar uma mente aberta e não-discriminativa. A prática de maitri, de bondade amorosa, a prática de irmandade está na base do Dharma.

- Missão do movimento Wake up

terça-feira, julho 21, 2009

Nada a Fazer, Nenhum Lugar para Ir

Essa semana sugerimos um texto (clique aqui) onde Thay responde perguntas de praticantes como nós. O tema das perguntas gira em torno da nossa incessante atividade física e mental, nossa constante ocupação.

Está tudo bem em não fazer nada? Como controlar meu desejo incessante? O que posso fazer para parar de sempre pensar sobre o caminho não tomado? Viver o momento presente e planejar o futuro são coisas conflitantes? Estas são perguntas respondidas por Thay nesse texto (clique aqui).

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segunda-feira, julho 20, 2009

UM BREVE RELATO DOS ACONTECIMENTOS NO MOSTEIRO PRAJÑA

CARTA AOS POLÍTICOS DO GOVERNO DO VIETNÃ

Plum Village, 26 de junho de 2009

Ao respeitável Ministro do Exterior da República Socialista do Vietnã.
A todos vocês que amam e apóiam os 400 monásticos do Mosteiro Prajña.

(Estes jovens monges e monjas, que estão na faixa de idade entre dezesseis e trinta e cinco anos, nasceram no Vietnã e foram educados e nutridos pela República Socialista do Vietnã. Eles estiveram vivendo no Mosteiro Prajña, Hamlet 13, Dambri Village, Bao Loc District, Lam Dong Province desde 2005, quando o nosso professor voltou à sua terra natal pela primeira vez.)

Por favor, deixe-me apresentar algumas informações elucidativas sobre a história do Mosteiro Prajña:
Nosso professor Thich Nhat Hanh – carinhosamente conhecido por seus alunos como “Su Ong”, que em vietnamita significa “Professor Avô” – está agora com 83 anos de idade. O desejo profundo dele para este presente dilema é que o governo vietnamita apóie e não atormente os filhos e filhas do seu próprio país materno, o Vietnã. A única aspiração dos jovens monásticos é praticar a paz e levar uma vida simples de serviço à humanidade e ao povo do Vietnã. A luta atual no Mosteiro Prajña deve preocupar a todos nós e se opõe aos direitos humanos de cada cidadão vietnamita. Nosso professor acredita que se o governo central estiver sabendo deste fato, poderá ajudar a por um fim nesta situação de forma justa.

Nosso professor não tem planos de retornar ao Vietnã mais uma vez, nem está pedindo coisa alguma ao governo vietnamita. Ele não está pedindo terra para estabelecer centros de prática, e já abandonou a idéia de pedir de volta àquela terra que pertencia à School of Youth for Social Service [Escola da Juventude para o Serviço Social]. (Esta terra pertencia oficialmente a SYSS até 1975 e desde então foi ocupada pelo governo). Todos nós temos visto sinais nos últimos anos de que o estado do Vietnã se abriu para mudanças. Nas três visitas à sua terra natal, o nosso professor de 83 anos, com o intuito de construir um belo futuro, tem partilhado com o governo central a sua profunda compreensão das necessidades do país. Ele partilhou tudo o que estava em seu coração e não tem nada mais a acrescentar.

Os eventos que estão sendo aqui partilhados é uma descrição dos atos criminosos cometidos por pessoas corruptas, que abusaram do poder que têm, com a colaboração silenciosa do serviço de imigração governamental e o departamento de assuntos religiosos nacional. Antes de o mosteiro ter sido oferecido ao nosso professor em 2005 pelo monge Duc Nghi com afirmações juradas e gravadas diante de milhares de pessoas, o terreno do templo onde o Mosteiro Prajña se localiza só tinha poucas construções: um pequeno salão de Buda, uma pequena casa de hóspedes, uns dois quartos para monges e uma cozinha de um pavimento com um teto de asbesto, e um prédio de um pavimento planejado para pessoas idosas. Além destas construções, o resto dos 30 hectares de terra estava vazio.

Durante a viagem de volta do nosso professor e da comitiva de Plum Village ao Vietnã, de 12 de janeiro a 11 de abril de 2005, houve muita gente que se entusiasmou para se tornar monástico e praticar meditação de acordo com a tradição de Plum Village. A viagem deixou mais de 80 aspirantes desejosos de se tornarem monásticos, então o monge Duc Nghi ofereceu o templo dele ao nosso professor e para estes jovens aspirantes. Ele celebrou a cerimônia de ordenação e raspou as cabeças deles com suas próprias mãos como representante do nosso professor. Esta propagação de jovens dedicando suas vidas para servir inspirou muitos de nós e trouxe energia positiva e benéfica ao país e aos praticantes budistas ao redor do mundo.

Todos os amigos de várias partes do mundo que apreciavam os ensinamentos de Plum Village se entusiasmaram por este desenvolvimento e se sensibilizaram para apoiar os esforços do monge Duc Nghi de sustentar estes jovens praticantes. Eles começaram a se organizar em suas comunidades para angariar fundos e doações que eram todas enviadas ao templo Prajña para ajudar a prover estes jovens monásticos e desenvolver e construir mais prédios para alojá-los.

Os amigos estrangeiros que seguiam a tradição de Plum Village investiram grandes somas de dinheiro aos empenhos de construir o Mosteiro Prajña. Nós pagamos U$90.000 (noventa mil dólares americanos) para renovar e contribuir com o prédio anteriormente planejado para as pessoas idosas, mas que estava inabitável, com o acordo de que outro prédio para idosos seria construído em outro templo próximo. Nós transformamos este prédio num de três pavimentos que contém um salão de meditação, um refeitório, uma cozinha e dormitórios para cem monjas, que ficou chamado de Prédio Jacarandá. A procura por mais espaço de moradia aumentou com o número de aspirantes e praticantes vindos de toda parte do país e posições sociais. Não podíamos recusar a nobre aspiração e coração puro deles. Na área das monjas, nós tivemos até que espremer 16 pessoas em um único quarto usando beliches de três níveis. Então tivemos que construir um segundo prédio para 100 monges, chamado de Prédio Floresta das Fragrantes Folhas de Palmeira. Mas o número de jovens aumentou tão rapidamente que tivemos que construir uma segunda residência de monjas para outras 100 monjas, chamado de Prédio Salgueiro Verde. Na área dos monges, já subimos outro prédio para moradia de aspirantes homens, chamado de Prédio Mente de Principiante.

Até o final do ano, o número de pessoas aumentou tanto, muito além de todas as nossas expectativas. Com o monge Duc Nghi agindo a nosso favor, nós compramos um terreno adjacente e construímos outro amplo prédio para monjas e membros laicos da Ordem Interser. Nós também renovamos a área da cozinha e a transformamos em um prédio de dois pavimentos com uma cozinha totalmente nova no térreo, uma ampla despensa e refeitório no andar superior. Além disso, nós também construímos um amplo salão de meditação que poderia acomodar milhares de pessoas para meditação sentada e para ouvir o Darma. Estes são os maiores investimentos que os nossos amigos estrangeiros e de casa investiram neste mosteiro, isso sem mencionar as pequenas contribuições que apóiam a manutenção diária e funcionamento deste mosteiro.

Assim como o súbito influxo de jovens no mosteiro, muitos destes jovens monásticos concluíram recentemente o segundo grau. Um número substancial deles tem curso universitário e alguns até mesmo tiveram carreiras bem sucedidas em suas áreas. Mas abandonaram suas carreiras por um propósito mais elevado, respondendo a um chamado vindo de dentro do coração para que vivessem uma vida simples de serviço aos outros com compreensão e amor. Como o monge Duc Nghi ordenou a todos eles em nome de nosso Professor, todos se referem ao monge Duch Nghi como “Si Fu”, que significa “Professor Pai” em chinês. Estes quatrocentos jovens nasceram para a vida espiritual e estiveram praticando no Mosteiro Prajña por toda vida monástica deles – no terreno sagrado onde o monge Duc Nghi se comprometeu a apoiar a prática deles na tradição de Plum Village. Ele agiu em nome deles e do nosso nome ao comprar terreno e construir prédios com o capital de terceiros para eles viverem.

Como conseqüência da sincera prática deles, mesmo após poucos meses ou poucos anos, nós vimos tantos frutos maravilhosos desabrochando em suas famílias. Muitas estórias foram partilhadas – de pais que pararam de bater nas mães, de divórcios que foram evitados, de reconciliações entre membros de famílias divididas. Na medida em que estas estórias foram se espalhando pelo país e ao redor do mundo, muitos outros jovens se inspiraram a seguir a vida monástica e muitos outros vieram para ajudar e doar em apoio ao mosteiro. Nós temos a relação dos recibos destas doações feitas pelo povo vietnamita e pelos patrocinadores estrangeiros de todo o mundo. As intenções desde o início foram deixadas claras e reconhecidas por todos, inclusive a afirmação jurada e gravada do monge Duc Nghi, que o desenvolvimento das propriedades do Mosteiro Prajña era para estes jovens monásticos viverem e praticarem.

Em 2007, durante a sua segunda visita ao Vietnã para celebração de três missas de réquiem ao público em geral por nosso professor e a comitiva de Plum Village, o nosso professor foi convidado a visitar o Presidente do Vietnã. Nosso professor partilhou que ele o visitaria somente se o governo estivesse pronto a ouvir a voz do povo. O Presidente concordou e a reunião entre os dois aconteceu. Durante a visita e diálogo informal, nosso professor fez algumas sugestões que ele achava que ajudaria a melhorar as relações do país internamente e diplomaticamente. Ele preparou uma proposta com dez pontos que incluía sugestões, tais como permitir aos europeus ou americanos de origem vietnamita a retornar ao Vietnã por 90 dias sem um visto, da forma como eles podem entrar em outros países. Ele também sugeriu que estes vietnamitas no exterior tivessem dupla cidadania, e a construção de um monumento em memória do monge Thich Quang Duc, que morreu defendendo o fim da discriminação religiosa sob o regime Diem. Parece que o governo levou adiante praticamente todas as sugestões do nosso professor, fazendo-as mais populares aos estrangeiros e povo de casa, com exceção da última sugestão, que era para dissolver dentro de um período de cinco ou seis anos o Departamento de Assuntos Religiosos e política religiosa.

Parece que as dificuldades com o Mosteiro Prajña podem ser rastreadas até este ponto, a esta última sugestão do nosso professor. É claro que existem muitas outras condições e forças imprevistas e causando indiretamente a virada das intenções e dos eventos, especialmente do monge Duc Nghi. Antes do nosso professor e da comitiva de Plum Village retornarem ao Vietnã pela terceira vez, em 2008 para participar da UNESCO Vesak conference, o monge Duc Nghi partilhou muitas vezes que o Departamento de Imigração tinha pedido permissão a ele para expulsar, do mosteiro e do Vietnã, os monges e monjas estrangeiros de Plum Village, que já tinham obtidos um visto válido. Temos estas declarações de Duc Nghi feitas ao nosso professor e outros professores do Darma de Plum Village gravadas duas vezes.

A tragédia começou a se intensificar no dia 8 de agosto de 2008, quando a polícia nos enviou uma carta afirmando que o proprietário do templo onde os 379 monásticos estavam morando (isto é, o monge Duc Nghi) queria eles todos fora da propriedade, e tinha pedido a polícia para despejá-los, e, de acordo com a carta, os monásticos estariam vivendo ali ilegalmente. Desde aquele dia, a polícia tem vindo quase toda noite checar a identidade de cada monástico, e pedir a eles para assinar um documento que diz que eles estão vivendo ali ilegalmente. Os monásticos se recusaram a assinar estes documentos e permaneceram calmos e amáveis diante disto. Eles sempre falaram gentilmente com os policiais e até mesmo ofereceram chá e canções para eles aliviarem suas tensões. Os policiais ficaram muito envergonhados com a situação, mas não podiam desobedecer as ordens de seus superiores. Com o pedido de ajuda ao governo feita pelo povo, as pessoas vêm esperando por esta inteligente intervenção do governo, mas não obtiveram qualquer resposta.

A partir de agosto de 2008 até hoje, o serviço de imigração não tem dado vistos aos professores de Darma de Plum Village de cidadania não-vietnamita para entrarem no Vietnã. Estes professores de Darma não podem voltar para ensinar estes 400 monásticos que foram ordenados no Mosteiro Prajña desde o primeiro retorno do nosso professor ao Vietnã em 2005. A repartição do serviço de vistos da Embaixada Vietnamita na França até mesmo cancelou o visto de cinco anos dado anteriormente a duas irmãs de Plum Village para visitarem o Vietnã. Nós ainda não protestamos nada disto, e permanecemos pacientes com os líderes do Vietnã.

No dia 13 de novembro de 2008, nós pedimos ao Embaixador do Vietnã em Paris para transmitir 600 cartas de praticantes franceses ao governo do Vietnã, pedindo amavelmente que o governo intervenha na situação do Mosteiro Prajña. A Embaixada apoiou de todo coração este esforço enviando todas as cartas através de email ao invés de através do correio diplomático. No dia 19 de novembro, o governo central organizou uma reunião em Ho Chi Minh City para tentar resolver o problema pacificamente. Após a reunião, muitos monges e dignitários da Igreja Budista anunciaram alegremente para nós que tudo estava bem e que a decisão estava tomada: os jovens monásticos poderiam permanecer e praticar em paz no Mosteiro Prajña, o único lar espiritual deles. Nós pedimos um relato escrito da reunião e da decisão, e eles nos prometeram enviar em breve tal relato. Depois de três meses, o relato finalmente chega, mas nele estava dito o oposto do que tinha sido previamente anunciado como sendo o resultado da reunião do dia 19 de Novembro. Foi dito de forma rude aos 400 monges e monjas que se mudassem do terreno do mosteiro até o dia 29 de abril de 2009. Daquele dia em diante, a entrada do mosteiro tem estado trancada e acorrentada. As pessoas laicas que vem aos retiros de finais de semana são afugentadas.

No dia 26 de junho de 2009, Dong Nanh, um discípulo de Duc Nghi, e alguns outros tentaram queimar as nossas cabanas com telhados de sapé que os monásticos usam para retiros solitários. Como estava chovendo, as cabanas não se incendiaram, então eles usaram picaretas para derrubar as cabanas. Quando um monge e uma monja vieram pedir a eles que parassem, eles os atacaram com as mesmas ferramentas. Felizmente, nós escapamos ilesos por um triz. Uma moça se ajoelhou e implorou aos agressores que a matassem ao invés dos monges. Alguns de nós tiramos fotos destes eventos. Devido à escalada de violência e do perigo a estes monásticos, nós pedimos seriamente ao embaixador que leve isto à atenção do governo central.

Nós compreendemos a fé ingênua de Dong Hanh, discípulo de Duc Nghi, para com o professor dele que por isso o forçou a trilhar este caminho obscuro. O próprio Dong Hanh disse que ele tinha ido longe demais e não podia voltar. Esta é uma afirmação alarmante. Todos nós ainda podemos rezar para que haja esperança e saída para ele se ele tiver a coragem. Existe um grande número de relatos de residentes antigos da província de Bao Loc, onde o Mosteiro Bat Nha está localizado, sobre as ações passadas do monge Duc Nghi, que são semelhantes, mas de proporção menor; contudo, tão erradas e prejudiciais quanto às presentes. Agora diante de nós, pedimos somente para viver e praticar pacificamente em nossa casa espiritual com todos os direitos de qualquer outro cidadão vietnamita.

Em Novembro de 2008, o nosso professor escreveu uma carta ao monge Duc Nghi pedindo a ele para retornar as responsabilidades dele enquanto professor-pai destes 400 jovens monásticos. Nosso professor estava pronto para perdoar e esquecer qualquer erro passado. Nós ainda sustentamos o pedido de nosso professor e estamos prontos a fazer o que for necessário para levar paz ao Mosteiro Prajña, sob a condição de que as vidas destes 400 monásticos sejam salvas.

Semana passada, em um esforço coordenado de propaganda, os chefes de catorze aldeias da vila Dambri anunciaram uma reunião com os moradores para declarar que se o governo expulsa nossos monásticos, é porque os monásticos legalmente ordenados estão engajados em política. Isto seria difícil de provar, pois a maior parte das atividades diárias e anuais dos monges e monjas inclui meditação sentada, cânticos, cuidar do jardim, meditação caminhando e muitas outras práticas da consciência plena. A única intenção deles é viver uma vida simples e pacífica sem engajamento em qualquer atividade política. Tem havido muitos relatos de policiais chamando os pais destes jovens monges e monjas, e pedindo a eles para levarem os seus filhos de volta à vida familiar, e renunciarem a escolha deles de uma vida espiritual. Estes incidentes ocultos nos revelam que isto não é só uma questão interna entre Duc Nghi e nossos monásticos, mas um esforço coordenado por várias forças governamentais, cujos motivos estão se tornando cada vez mais claros a cada evento.

Esta é uma carta pessoal escrita para esclarecer àqueles que conhecem nossa comunidade e nossa situação no Mosteiro Bat Nha. Se algum de vocês ai puderem ajudar nossos irmãos e irmãs com sua conexão e influência, por favor, ajam motivados a partir da compaixão e espírito de reconciliação. Se esta carta puder ser partilhada com o Embaixador Vietnamita na França, Estados Unidos ou Canadá, talvez ela possa ser transmitida a várias autoridades de alto calão do governo central Vietnamita que conhecem nosso professor e amam sim e apóiam estes jovens monásticos. Por favor, estejam motivados a agir.

Com amor e confiança,
Chan Khong

sábado, julho 18, 2009

Olhe para dentro

Temos o hábito de sempre olhar para fora de nós mesmos, pensando que podemos obter compaixão e sabedoria de outra pessoa ou do Buda ou de seus ensinamentos (dharma) ou de nossa comunidade (sangha). Mas você é o Buda, você é o Dharma, você é a Sangha.

Armazenar conhecimento sobre budismo não responderá suas questões ardentes. Temos que aprender as coisas que podem nos ajudar a transformar nosso próprio sofrimento, as próprias situações em que somos capturados. Se nosso professor é um professor verdadeiro, então suas palavras estão presentes para nos ajudar a estar em contato com a vida e a desamarrar os preconceitos, visões, raiva e energias de hábito que temos. O objetivo de um verdadeiro professor é ajudar seus alunos a se transformar.

- Thich Nhat Hanh (Do livro "Answers from the heart")

quarta-feira, julho 15, 2009

Parar, Acalmar-se, Descansar e Curar-se

Sugerimos a leitura do texto (clique aqui) onde Thay fala sobre os aspectos da meditação budista: shamatha (cessação) e vipashyana (olhar em profundidade). Ele também mostra as três funções da shamatha: fazer parar, acalmar e repousar.

É um texto básico de budismo onde Thay detalha o aspecto de cessação na meditação e aponta muitas de nossas dificuldades com a prática.

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terça-feira, julho 14, 2009

Ajuda Urgente aos Monges e Monjas do Monastério de Bat Nha, Vietnã

Carta redigida pela Ordem do Interser, ligada à Comunidade do Venerável Mestre Zen-Vietnamita Thich Nhat Hanh

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Querida Comunidade,

Por favor, ajude-nos a assinar esta petição ao Governo Vietnamita, a ser enviada ao Consulado do Vietnã em São Francisco (EUA). Por favor, peça aos amigos e entes queridos para participarem também. A petição será enviada em 21 de julho de 2009.
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12 de julho de 2009

Sr. Le Quoc Hung, Cônsul Geral

Consulado Geral do Vietnã em São Francisco, EUA
1700 California St, Suite 430 San Francisco, CA 94109

Telefone: (415)922-1707 (415)922-1577

Fax: (415)922-1848 (415)922-1757
Email: info@vietnamconsulate-sf.org

RE: URGENTE Solicitação para que o Governo Central do Vietnã tome medidas para aliviar a tensão sofrida pelos residentes do Monastério Bat Nha, na Província de Lam Dong, Vietnã.

Honorável Cônsul Geral,
Respeitados Líderes do Governo Vietnamita,
Prezadas Comissões de Relações Religiosas do Vietnã,

O objetivo desta carta de hoje é chamar atenção imediata para uma crise que se agrava cada vez mais no Vietnã e clamar pela intervenção do governo para que proteja jovens cidadãos pacifistas do Vietnã, que hoje habitam o Monastério Bat Nha, na Província de Lam Dong. Um grupo de 400 jovens monges e monjas vive no monastério há quatro anos. São continuamente importunados por monges e habitantes das aldeias locais e enfrentam a inércia e o descaso de dirigentes do governo. Esses jovens monásticos têm sido privados de suas necessidades humanas mais básicas, como acesso a alimentos e água, já há duas semanas. Além de não se resolver sozinha, esta situação torna-se cada vez mais grave. Muitas dessas violações e incidentes diários são testemunhados, documentados e denunciados em primeira mão ao público em geral por simpatizantes locais. Todos os relatos podem ser lidos em www.phusaonline.free.fr e em outros sites da internet.

Suplicamos ao Governo do Vietnã, com a maior veemência possível, que intervenha e garanta que esta comunidade possa viver em paz, com os direitos assegurados por lei aos cidadãos vietnamitas, e que tenha acesso seguro a alimentos, água, eletricidade, ou seja, a direitos humanos básicos.

Desde 2005, estes 400 monges e monjas vivem no Monastério Bat Nha (Hamlet 13, Dambri Village, Bao Loc District), na Província de Lam Dong. Investiram energia e recursos consideráveis (mais de US$ 1 milhão) para melhorar a região próxima ao monastério e a comunidade local. Não constituem um corpo político e sua única intenção é praticar a plena consciência e servir aos demais.

Recentemente, a água e as linhas de comunicação do monastério foram cortadas e os 400 monásticos que vivem ali vêm sendo importunados. Quando se tentou instalar um poço de água, os trabalhadores foram ameaçados e o projeto, abandonado. O nível de tensão aumenta e os monges e monjas vêm sendo ameaçados de ataques. Alguns sentem tanto medo que nem conseguem sair do monastério em busca de água ou alimentos. A polícia local continua sem intervir para restaurar a paz. Além disso, as linhas de telefone e internet também foram cortadas. Mais detalhes da situação podem ser encontrados no link http://helpbatnha.org - um website mantido por pessoas do mundo todo, em busca de apoio ao monastério.

É fundamental que o governo do Vietnã interfira e lide com a situação no âmbito da Legislação Internacional dos Direitos Humanos. Esses 400 jovens monges e monjas não fizeram nada errado e, no entanto, estão privados de direitos humanos básicos, com sua saúde e bem-estar prejudicados.

Esta não é uma questão política ou religiosa — é uma questão de direitos humanos.

Os monges e monjas são filhos e filhas do Vietnã. Merecem proteção de seu governo e liberdade para que suas necessidades humanas básicas sejam atendidas em paz e segurança. Sabemos que você concorda conosco ao dizermos que cabe a todo governo garantir tais direitos a seu povo.

Pedimos sua ação imediata para ajudar a resolver esta situação.

Precisamos de ajuda urgente.

Atenciosamente,
A Comunidade Internacional da Ordem do Interser

NOTA: Esta é uma tradução para o português da petição em inglês elaborada pela Ordem do Interser (tradição do mestre zen-vietnamita Thich Nhat Hanh).

A petição pode ser assinada por qualquer pessoa. Para assiná-la, clique aqui.

quarta-feira, julho 08, 2009

Encontre sua Felicidade

O texto dessa semana (clique aqui) foi retirado de uma palestra do professor de Dharma Phap Dung, monge sênior de Thich Nhat Hanh. Ele nos mostra que se você souber onde se encontrar, ao mesmo tempo, você saberá onde encontrar a sua felicidade. Portanto, ver-se, descobrir-se é maravilhoso. Phap Dung nos mostra como podemos nos encontrar: em nosso corpo, em nossos sentimentos.

Ensina também que se você for um bom praticante não deve praticar exaustivamente. Porque praticar não é lutar por algo ou para ser algo. Praticar é retornar, é parar, é voltar-se para dentro de si e descobrir. Agradecemos a Maria Goretti da Sangha Flor de Mandacaru pela tradução e oferecimento desse texto à Sangha.

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quarta-feira, julho 01, 2009

Uma Ética Global

No texto dessa semana (clique aqui) Thich Nhat Hanh defende que para haver harmonia global entre os seres humanos de diversas religiões e nações, é necessário haver uma ética global. Esse caminho de irmandade é mais precioso que qualquer ideologia ou religião.

A ética global que o Buda sugeriu são os Cinco Treinamentos de Plena Consciência. Eles são o caminho que deveríamos seguir nesta era de crise global porque eles são práticas de irmandade, entendimento, amor, e a prática de nos protegermos e protegermos o planeta. Eles não são sectários, não levam a marca de nenhuma religião, raça ou ideologia. Sua natureza é universal.

Conheça os Treinamentos (clique aqui) e divida suas práticas em nosso blog.

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Foto:Instalação de Lia do Rio

Sala de Meditação

Gostaria de compartilhar com você um insight do Marcelo, um companheiro nosso da Sangha Virtual. Ele passou recentemente alguns meses em Plum Village em uma experiência de uma riqueza espiritual extraordinária.

"Não é um insight por si mesmo, com alguma sabedoria nele, é apenas um insight para mim. Eu estava em minha última meditação sentada na sala de meditação de Upper Hamlet, Plum Village; eu estaria indo embora em alguns dias. Me sentia meio emotivo, sabendo que era minha última vez ali, sem saber se algum dia voltaria. A Sangha ao meu redor, as muitas sessões que eu tinha comparecido ali. Eu me curvei em direção ao altar antes de passar pela porta de saída e deixando a sala eu estava segurando as lágrimas. E então aconteceu.

Era mais um sentimento forte que um pensamento, e é por isso que o chamo de insight. Quando eu deixei a sala de meditação e pisei nos degraus de pedra e olhei sobre o jardim em direção ao pagode, eu tive a impressão que estava reentrando na Sala de Meditação. O planeta todo, começando sobre meus pés, era a Sala de Meditação. Não haveria mais nenhuma possibilidade de deixar a Sala de Meditação, nunca, enquanto eu viver. A Sala de Meditação não estava apenas dentro da sala, na verdade estava fora, estava em todo lugar, como se a Sala de Meditação se espalhasse, como se tivesse tomado todo o planeta.

Era uma manhã escura, o alvorecer ainda não havia chegado, a lua era refletia nas poças de água ao longo do caminho, e enquanto eu andava ao redor de Upper Hamlet, eu olhei para as pedras e vi almofadas, olhei para os trocos caídos e vi altares. Eu senti que tudo era sagrado e nada era realmente sagrado, não era separado do mundano. Era apenas meu olhar formando o mundo, discriminando, mas no mundo sendo uma Sala de Meditação, tudo era aceitável, tudo estava incluído, tudo estava iluminado, tudo era uma iluminação."

domingo, junho 28, 2009

Espiritualidade

A espiritualidade é algo que podemos cultivar. Ser espiritual significa ser estável, calmo e pacífico e ser capaz de olhar profundamente para dentro e para fora de nós. Significa termos a capacidade de lidarmos com nossas aflições: nossa raiva, ânsia, desespero e discriminação.

É a capacidade de ver a natureza do interser entre as pessoas nações, raças e todas as formas de vida. A espiritualidade deixou de ser um luxo; temos que cultivá-la para superar as dificuldades de nossa época.

-Thich Nhat Hanh (Do livro "Eu busco refúgio na Sangha")

quarta-feira, junho 24, 2009

Transformando sua Consciência, Transformando seu Sofrimento

O texto dessa semana (clique aqui) traz uma mensagem muito forte: Tudo vem da mente. Se a mente é transformada, tudo se transformará. Pense um pouco sobre esse frase e perceba os impactos profundos e as possibilidades que se abrem.

No texto, Thich Nhat Hanh nos ensina que: "A inabilidade vem de nossa mente, e a inabilidade pode ser transformada por nossa mente. Se a transformação acontece em sua consciência, então a inabilidade desaparecerá como uma realidade no mundo manifestado. A mente é como um pintor." Essa afirmação traz a responsabilidade para nós mesmos. Temos que parar de culpar os outros por nossos sofrimentos, medos, ansiedades e tomar a responsabilidade pela nossa felicidade.

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quarta-feira, junho 17, 2009

Ouça os sinos de plena consciência

Os sinos de plena consciência estão soando. Por toda a Terra estamos experimentando enchentes, secas e incêndios florestais. O gelo está derretendo no Ártico e furacões e ondas de calor estão matando milhares. As florestas estão desaparecendo rapidamente, os desertos estão crescendo, espécies estão se extinguindo cada dia, e mesmo assim continuamos a consumir, ignorando o soar dos sinos.

O texto (clique aqui) sugerido dessa semana traz um alerta de Thich Nhat Hanh, nos mostrando que os sinos de plena consciência sobre a situação de nosso planeta estão soando, mas poucos estão ouvindo e agindo realmente. O que você está fazendo de concreto para mudar a situação do planeta?

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segunda-feira, junho 15, 2009

O Sentido da Vida

Uma mulher pergunta para Thich Nhat Hanh:

- Qual o sentido da vida?
- Isto é filosofia, responde rindo Thay
- Não, mas deve haver uma razão! Porque estamos aqui? perguntou novamente ela.

Thich Nhat Hanh respondeu:

"Esta é uma chance de descobrir o mistério da vida. Muito excitante! (risos) Você tem algo a descobrir, algo muito profundo, algo muito maravilhoso. Esta prática de olhar profundamente pode satisfazer sua curiosidade, e esta é uma razão para estar vivo - para descobrir você mesma, para descobrir o cosmos. Esta é uma alegria.

Você poderia focar sua questão em "como" e não ser capturada sempre no "porquê". A vida é uma maravilha! Estamos aqui para experimentar as maravilhas da vida. Se você tiver plena atenção e concentração suficientes, poderá ter uma descoberta importante e penetrar na realidade da maravilha da vida.

A vida é uma manifestação prodigiosa. Não apenas a rosa é maravilhosa, não apenas as nuvens e o céu são um milagre, mas o barro e o sofrimento são também maravilhosos. Portanto desfrute entrar em contato com a vida; descubra o mistério da vida. E não gaste seu tempo perguntando questões metafísicas! (risos)"

sábado, junho 13, 2009

Budismo Engajado e o Conflito Israel-Palestina

Querido Thay, Querida Sangha,

Sinto-me humilde ao estar aqui, na presença de tantas pessoas cuja compaixão e dedicação tocaram os corações e as vidas de muitas outras. Em comparação com a sua bondade, a sua prática e os frutos dos seus esforços, sou realmente um peixe bem pequenino. Mas é muito melhor ser um peixinho nadando no riacho da compaixão do que frigindo na panela do ódio.

Falo com vocês como israelense, americano, cidadão adotivo da cidade de Roma, judeu, budista, poeta. Como músico, estudante de política e religião, professor, amigo, parceiro, ex-marido, motociclista entusiástico; como um ex-soldado de infantaria que até hoje ainda sente a presença do seu fuzil de assalto automático da mesma forma que alguns mutilados sentem os membros perdidos, apoiado sobre o ombro, com cheiro de graxa e suor. Falo com vocês como irmão, filho e algum dia, talvez, pai. Gostaria de lhes oferecer a seguinte reflexão sobre minha compreensão limitada do Budismo Aplicado no contexto do Oriente Médio.

Vocês podem pensar que na Terra Santa há um conflito entre israelenses e palestinos. Essa não é a verdade. Há um grande sofrimento, sim. O medo a tudo impregna: não apenas o medo de incursões militares, de assassinatos, de ataques terroristas, do chamado para se apresentar à força militar de reserva ou da aniquilação nuclear, mas o medo da exploração, da insegurança econômica, o medo da perda, de não produzirmos o suficiente, de não sermos fortes o suficiente. O conflito se alastra por todos os setores da sociedade, desde as escolas até o governo, o tráfico assassino, a família, o exército; as esferas pública e privada, religiosa e secular. Há uma violência tremenda contra mulheres e crianças, abuso de poder nos locais de trabalho, corrupção, negligência em grande escala e destruição do meio ambiente natural e humano.

Toda essa violência é o resultado da confusão, de percepções enganosas e de visões errôneas. O sofrimento é imenso, mas se nós o interpretarmos erroneamente como o resultado de um conflito entre duas nações, estaremos ignorando suas raízes reais e só vamos perpetuá-las. Usando a ferramenta budista de olhar a fundo no vazio de um eu independente, nós podemos ver uma realidade diferente. Nós, israelenses e palestinos, podemos não ser o mesmo, mas também não somos diferentes. Somos unidos no nosso medo, limitados pelo nosso ódio, intimamente conectados pela nossa incapacidade para ouvir com um coração aberto e idênticos ao sustentarmos a noção errônea de que o nosso sofrimento é o resultado de um conflito nacional.

Por Favor, Não Se Junte a Nós
Não estou negando a existência das máquinas de guerra, dos ataques suicidas, dos pontos de checagem ou das ameaças existenciais. Mas, observando a realidade a fundo, podemos ver que a guerra física é um reflexo da guerra nos nossos corações, uma tentativa de controlar nosso sofrimento, projetando-o em um inimigo externo claramente identificável. Encobrir a realidade mais profunda do nosso sofrimento e de suas causas, disfarçá-lo com uma narrativa de dois personagens, é fazer uma grande injustiça e tornar impossível qualquer transformação real.

Na minha opinião, entender a dimensão mais profunda do sofrimento na Terra Santa já é uma forma de budismo aplicado. Que passos práticos podemos dar para aliviar o sofrimento?

O primeiro passo, como sempre, é nos protegermos e cultivarmos a compaixão. Você pode viver no Sudeste Asiático, na Europa, ou em qualquer parte deste planeta tão generoso nos prover, e assistir frequentemente na televisão às imagens de conflitos políticos. Se nós respondermos a essas imagens movidos pelo julgamento, reduzindo a rede infinita de causas e condições sociais, políticas, institucionais, familiares e psicológicas a um esquema simplista de dois lados, um sendo a vítima e o outro o agressor, estaremos regando as sementes de julgamento em nós mesmos. O ódio e a raiva não precisam de autorização nem de passaporte para passar por pontos de checagem ou muros de concreto e com essa mesma facilidade eles podem entrar nos nossos corações. Se nós fortalecermos as sementes do julgamento, do ódio e da raiva, seus frutos encontrarão um caminho para todos os aspectos das nossas vidas e prejudicarão nossos relacionamentos com todos os que nos rodeiam. Seus parceiros, seus filhos, seus pais e todos os seus entes amados são preciosos para você. Seria uma grande vergonha se os nossos males e a nossa confusão provocassem um momento sequer de discórdia ou de desarmonia na sua família e na sua comunidade.

As mesmas imagens de televisão podem ser abraçadas com compaixão e compreensão profunda. Pense em alguém que lança um foguete Qassam em Israel. Ser um militante não é toda a verdade. Ninguém é apenas um militante. Ele pode ser um militante, filho, irmão, amigo, artista, estudante e assim por diante, inclusive uma vítima de numerosas causas em vários níveis e oriundas de várias direções – levando a essa crença de que matar pode resolver o seu sofrimento ou o sofrimento de seus entes amados. Tampouco alguém é apenas um soldado. A verdade de um soldado é igualmente complexa, humana, sua confusão e suas ações podem ser vistas como o resultado de várias causas, profundas e abrangentes, das quais ele, seu comandante e seu general são todos vítimas. Se eles fossem capazes de olhar mais a fundo, agiriam de forma diferente.

Por favor amigos, para seu próprio bem e felicidade, tomem isto como uma meditação na não-dualidade, na ausência de sinais e no interser, para desenvolverem sua compaixão pelos que ainda não aprenderam a fazer isso. Vocês darão aos seus filhos um belo exemplo de não-julgamento e eles então poderão enriquecer suas vidas e as de seus amados com compaixão e compreensão. Assim, vocês podem transformar um ataque de foguetes ou uma incursão militar em amor, transformando a ignorância em uma lição do Darma. Eu acredito que essa prática vai levar mais alegria para a sua própria vida e isso é motivo suficiente para praticá-la.

Remover o obstáculo de uma visão dualista também oferece várias oportunidades para o Budismo Aplicado em uma escala maior. Assim como encontramos o medo em cada setor da nossa sociedade, podemos encontrar também oportunidades. Nós do Oriente Médio faríamos bem em aprender a apreciar as muitas condições para alegria e felicidade que já estão presentes no aqui e agora. Isso inclui nossas amizades já existentes, nossos filhos, a beleza natural espetacular que nos rodeia e a alegria que podemos encontrar retornando ao milagre da nossa respiração.

Entre essas condições, encontram-se também os incontáveis projetos de paz e de desenvolvimento, graças à dedicação e à generosidade de indivíduos do mundo todo. Seja qual for a sua especialidade – serviço social, saúde, agricultura, meio-ambiente, arte e cultura, esporte e assim por diante – eu acredito que toda contribuição pode aliviar o sofrimento e aos poucos regar as sementes da alegria, desde que seja oferecida após ter se dado o aprofundamento pessoal da prática da compaixão, do não-julgamento e da não-dualidade. Sem essa prática, receio que qualquer esforço, infelizmente, apenas contribuirá para mais sofrimento. Projetos de coexistência são úteis e bem-vindos, mas enfocar só a coexistência, na minha opinião, é correr o risco de enfatizar apenas um resultado das causas subjacentes. A compaixão, a escuta profunda e a fala amorosa podem ser praticadas em todos os níveis da sociedade e em todas as línguas.

- discurso apresentado por Bar Zecharya na conferência “Budismo Engajado no Século XXI”, no Dia Vesak das Nações Unidas de 2008, em Hanói, Vietnã - Publicado na revista Mindfulness Bell)

Fotos: Leonardo Dobbin

Tradução: Renata Colacco

quinta-feira, junho 11, 2009

Aprendendo o que é falar a verdade

Recomendamos a leitura do texto (clique
aqui
) retirado de uma palestra de Dharma de Thay Phap An, professor de Dharma de Plum Village.

Nessa aula o monge sênior mostra que temos que buscar formas habilidosas para falarmos a verdade de modo que possamos regar as sementes positivas do outro. Regar essas sementes positivas é a base para que possamos encarar nosso sofrimento sem sermos subjugados por ele. Ele ensina que Verdade é algo que tem a capacidade de reconciliar, dar às pessoas esperança, dar felicidade às pessoas. Quando você fala e causa dano, embora possa estar correto, não é nenhuma verdade.

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quinta-feira, junho 04, 2009

Abraçando nossa dor depois do desastre

Nessa semana onde ficamos perplexos com a queda do avião no oceano e da morte das muitas pessoas a bordo, sugerimos a leitura de uma reflexão (clique aqui) de Thich Nhat Hanh sobre como abraçar nossa dor depois de um desastre desses.

Thay escreveu esse texto após o Tsunami que varreu a Ásia há alguns anos atrás e se pergunta porque essas coisas acontecem a alguns de nós. Vontade de Deus, karma? Porque alguns morrem e outros sobrevivem? Como clarear a dor que nos aflige nesses momentos?

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quinta-feira, maio 28, 2009

Nossos ancestrais estão vivos em nós

Você vê sua mãe e seu pai em você? Com quanta clareza e profundidade você pode ver isso? E quando você olha para a sua mãe e o seu pai, você se vê neles? Quão profundamente você enxerga isso? A leitura do texto em anexo (clique aqui) traduzido por Marcelo Abreu (blog Paraserzen), de uma palestra de Thay realizada no ano passado, trata desse assunto.

Thay encerra o texto assim: "Meu pai e minha mãe, eles são meus ancestrais, os meus ancestrais mais jovens. Como seres humanos, nós temos ancestrais humanos. Tivemos diversas gerações de ancestrais humanos e, geneticamente falando, todos os nossos ancestrais estão vivos em nós. Pensamos que todos eles já morreram, porém isso não é verdade. Nossos ancestrais de diversas gerações ainda estão vivos em nós, e nós os carregamos futuro adentro. Nós os transmitimos futuro adentro. Então, quando você se casa e tem filhos, você transmite seus ancestrais aos seus filhos. Os seus ancestrais adentram, assim, o futuro."

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sábado, maio 23, 2009

Pimentão

Saiu o ranking dos alimentos movidos a agrotóxico. Cruzando na frente a faixa de chegada vem o pimentão, vermelho como uma Ferrari envenenada. Graças a Deus eu não ligo para pimentão. Mas para cenoura eu ligo, para tomate, brócolis, couve, espinafre, agrião, alface. Fiz muito regime na vida, cresci comendo salada; quando se é jovem, a vaidade conta mais que a própria vida. Há vinte anos não existiam os orgânicos nos supermercados, somente a carne e o açúcar acendiam o sinal de alerta dos mais naturebas. O nascimento do meu filho mais velho, há nove anos, foi o divisor de águas da geladeira lá de casa. Só aí aboli os pesticidas do cardápio. Frango e ovo também, só se forem de galinhas caipiras. Treinamento de guerreiro espartano é pinto perto dos horrores praticados nas granjas. Quando eu vejo um paillard de frango, me dá vontade de chorar. Dizem que as galinhas não andam, que as luzes nunca se apagam para que ponham mais ovos, que enchem as coitadas de hormônio. A coisa é séria. Nasceu barba na bebê de uma amiga quando a menina começou a tomar canja. Pararam de dar frango, a barba sumiu. Já ouvi de um médico que essas máquinas que fazem suco com casca e tudo poderiam ser batizadas de "Jesus me chama" porque o mata-peste acumulado na casca vai para o copo junto com a fruta.

Eu como muito atum. Achava saudável até descobrir que, além das doses mortíferas de mercúrio entranhadas no peixe, o que chega a nossa mesa é tão de granja quanto as penosas, alimentado com a mesma ração. Além do mais, o bendito ômega 3 só é encontrado no atum selvagem, daqueles que nadam quilômetros em mar aberto. O mesmo acontece com o salmão. Esse peixe só é rosa porque come krill em alto-mar. O tom avermelhado do salmão que chega às nossas feiras é pura maquiagem de betacaroteno. Tanto que salmão na minha infância era iguaria rara, hoje dá mais que chuchu na serra.

Meus pais compraram um sítio não muito grande em Teresópolis há mais de quarenta anos. É uma região de pequenos agricultores, na grande maioria veneneiros. A única mata nativa que restou no vale está na nossa propriedade. A do vizinho foi toda torrada em fomos de carvão junto com um pomar centenário. O que nós vimos de atrocidades naturais acontecerem em volta não está no gibi. Vimos e, confesso, também cometemos algumas.

Meu pai tinha o sonho de ser fazendeiro e tentou realizá-lo modestamente no sítio. Lembro dele manuseando um galão de agrotóxico como se fosse a grande solução da lavoura. Eram os anos 70, e não se falava em alternativas viáveis para o plantio. O sonho de fazendeiro do meu pai morreu junto com o seu Almeida, o agricultor que cuidava da plantação. Seu Almeida prosperou a ponto de comprar um Fusca. Num fim de semana mais animado, voltando para casa com o teor alcoólico acima do permitido, enfiou o Fusca debaixo de um caminhão e nunca mais o sítio foi produtivo. Estranhamente, essa tragédia acabou salvando nossa terrinha.

Marcos Palmeira tem sua fazenda de orgânicos quase vizinha à nossa propriedade. Ele e seu sócio senegalês, Ali, nos convenceram a replantar o sítio com as técnicas limpas que dominam. O solo virgem, parado há mais de vinte anos, permitiu que já se entrasse plantando. Eles puxaram a água da nascente por gravidade, sem motores, bombas ou baterias, e plantaram vários pés de limão siciliano e uma horta para os de casa. Tudo com irrigação por gotejamento, sem desperdício. Construíram um galinheiro arejado, com umas galinhas lindas que ciscam no meio da plantação e produzem ovos, carne e adubo. Vingou tudo o que se pode imaginar. Dá orgulho ver. Justamente agora, na semana em que o ministro da Saúde afirmou que não come mais pimentão, estamos recebendo em casa nossa primeira cesta básica. Só lamento meu pai não estar aqui. Acho que ele ia gostar de ser fazendeiro com selo verde de qualidade.

- Fernanda Torres (publicado na Veja Rio em 29 de abril de 2009)

quarta-feira, maio 20, 2009

Oração Funciona?

Recentemente na Sangha Viver Consciente um companheiro mencionou sobre suas orações e questionou a forma como as fazia. Você também já deve ter se questionado: oração funciona? Para te ajudar a refletir sobre esse tema sugerimos a leitura do texto em anexo (clique aqui) retirado de um livro do Thay que fala sobre o poder da oração.

Pessoas de todas as crenças usam alguma forma de oração ou meditação na sua prática espiritual, embora possam parecer bastante diferentes uma das outras. Nesse texto o Thay busca nos dar uma visão abrangente sobre esse tema, colocando questões como: Porque rezar? Quem é a pessoa para quem rezamos? Porque a oração funciona às vezes e outras não? Há algum modo de pedir que garanta resultados satisfatórios?

Leia (clique aqui) e divida sua experiência com oração no nosso blog.

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