quinta-feira, agosto 21, 2008

Práticas de Paz

O texto dessa semana (clique aqui) foi retirado de uma palestra pública de Thay na Universidade de San Diego em 2007 para mais de 2.000 pessoas. A parte que selecionamos mostra práticas para obtermos paz.

Thay nos ensina que a prática da paz envolve corpo e mente. A paz pode começar apenas com levar nossa atenção à nossa inspiração. Thay propõe uma série de exercícios concretos para levar paz ao nosso corpo e a nossa mente extraído diretamente dos ensinamentos do Buda. No texto Thay nos mostra também como lidar com sentimentos dolorosos.

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quinta-feira, agosto 14, 2008

O Caminho para o Bem Estar (parte 3)

Essa semana sugerimos que você termine de estudar (clique aqui) o caminho para o bem-estar. Continuando o texto da semana passada, a irmã Annabel, monja sênior do Thay e abadessa do monastério de Green Mountain, nos ensina práticas associadas às Quatro Nobres Verdades. De uma forma original, ela nos mostra o caminho ensinado pelo Buda para o bem-estar.(clique aqui)

Ela nos ensina que as Quatro Nobres Verdades são uma prática, e não devemos apenas cortar o sofrimento fora, bani-lo, mas descobrir suas causas. E vamos remover as causas, porque não queremos tratar os sintomas, queremos tratar as raízes do nosso sofrimento. Nessa semana vamos estudar o Esforço Correto, a Atenção Plena Correta e a Concentração Correta.

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Sangha do Thay em Natal

É com muita alegria que posso te dar a notícia da criação de mais uma Sangha ligada ao Thay no Brasil. A Sangha de Natal depois de um longo período de gestação finalmente nasceu. Estão todos convidados para o encontro de apresentação que acontecerá na quarta-feira, 20 de agosto, às 21:30 hs na Academia Central de Aikido, rua Professor João Ferreira de Melo, atrás do CCAB Sul. Para mais informações sobre como chegar, acessem: http://www.aikidorn.com.br/aikidorn/V2/index.html

Na reunião os idealizadores do projeto da comunidade - Antonino Condorelli e Gabriel Lopes - apresentarão a mensagem de Thây, divulgarão material sobre seus ensinamentos, ilustrarão as suas próprias experiências de prática e discutirão junto aos interessados e as interessadas sobre como organizar a nascente Sangha. No encontro serão também apresentadas as atividades e os projetos da organização-não-governamental Coletivo Quan An, inspirada nos princípios do Budismo Engajado.

Se você mora em Natal, não deixe de ir e aproveitar essa oportunidade única de participar de uma Sangha.

quinta-feira, agosto 07, 2008

O Caminho para o Bem Estar (parte 2)

Essa semana sugerimos que você continue estudando (clique aqui) sobre o caminho para o bem-estar. Continuando o texto da semana passada, a irmã Annabel, monja sênior do Thay e abadessa do monastério de Green Mountain, nos ensina as Quatro Nobres Verdades de uma maneira diferente. Em uma formulação positiva, ela nos mostra o caminho ensinado pelo Buda para o bem-estar.(clique aqui)

Ela nos ensina que as Quatro Nobres Verdades são uma prática, e não precisamos ser eruditos para entendê-las. Precisamos apenas ser praticantes. Não precisamos nem mesmo ser budistas. No texto ela nos ensina uma prática bem concreta de trazermos as Nobres Verdades para nossa vida. Nessa semana vamos estudar a Fala Correta, a Ação Correta e o Meio de Vida Correto.

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segunda-feira, agosto 04, 2008

Obrigado Thay

Querido Thay,

Eu recentemente fiz um retiro com o professor de Dharma Larry Ward. O insight e a plena atenção que aprendi foram muito úteis para minha prática e essenciais para meu crescimento.

Você não deve lembrar, mas em 1995 eu estava preso na Prisão Estadual de Folsom. Enquanto estava lá, sua organização me mandou uma assinatura grátis da revista Mindfulness Bell. Iniciamos um grupo de meditação e você doou muitos livros e fitas de áudio. Quando fui solto em 1997 nosso grupo tinha crescido para mais de 300 homens que se encontravam semanalmente para sentar em meditação. Eu ouvi dizer que agora o grupo cresceu para pelo menos 80 prisões, com mais de 3.000 homens meditando diariamente. Os livros e a ajuda em meditação que você nos deu são ainda parte da biblioteca de meditação da Prisão Folsom.

Eu permaneci com minha prática e o que aprendi dos seus livros e ensinamentos me ajudou a ser bem sucedido com minha liberdade. Por isso eu devo dizer obrigado.

Eu também tomei as Três Jóias e os Cinco Treinamentos de Plena Atenção esta manhã no nosso retiro com Larry Ward.

Eu agora começo a usar meu talento para ensinar a mais prisioneiros sobre meditação através de um jornal/newsletter. Você pode ler sobre ele no meu website (http://m-squared.org/dharmaseeds.html)

Eu espero que algum dia possa te conhecer pessoalmente e me curvar em reverência pelo que você me passou através dos seus ensinamentos – pelos quais serei sempre grato.

Paz,

Mark Maxey
Oklahome City

(Carta publicada na revista Mindfulness Bell n. 48 - Traduzido por Leonardo Dobbin)

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quinta-feira, julho 31, 2008

O Caminho para o Bem Estar

Você sabe qual o caminho para o bem-estar? A formulação comum das Quatro Nobres Verdades fala do caminho do sofrimento, mas a irmã Annabel, monja sênior do Thay e abadessa do monastério de Green Mountain, nos ensina de uma maneira diferente. Em uma formulação positiva, ela nos mostra qual o caminho para o bem-estar.(clique aqui)

Ela nos ensina que as Quatro Nobres Verdades são uma prática, e não precisamos ser eruditos para entendê-las. Precisamos apenas ser praticantes. Não precisamos nem mesmo ser budistas. No texto ela nos ensina uma prática bem concreta de trazermos as Nobres Verdades para nossa vida.

Um texto básico de budismo. Leia (clique aqui) e aprenda.

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quarta-feira, julho 30, 2008

Contemplação sobre o retiro em Deer Park por um novato (por Jim Dudley)

Sou um policial por mais de 27 anos na polícia de San Francisco. É um trabalho desafiador, recompensador, mas às vezes difícil. Eu já vi mais que minha parcela de violência e tragédias humanas. (...) Quando minha parceira Susan sugeriu que eu a acompanhasse no retiro em setembro, eu prontamente aceitei. Susan é médica com um estilo de vida similar ao meu – trabalho é importante, valoroso e recompensador, mas também muito estressante. Ela segue o Mestre Thich Nhat Hanh e possui e lê muitos de seus livros.

Nos registramos, fizemos nossa tenda e caminhei pela área. Inicialmente estava um pouco apreensivo sobre os dias seguintes, mas me soltei enquanto caminhávamos montanha acima e olhamos no cânion abaixo. A vista é calmante. (..) Subimos ao deck que tem uma vista do cânion, e que é perto do pagode. As árvores circundam o complexo como vigias. O cheiro das árvores de pimenta ainda está comigo. (...)

Susan e eu somos quase vegetarianos, portanto a mudança na dieta não foi difícil para nenhum de nós. As refeições eram ótimas e era óbvio que muito cuidado e pensamento acontecia a cada refeição preparada para nós. Nosso grupo de discussão de Dharma, “Nomes Verdadeiros”, tinha a tarefa de limpeza, tornando os potes e panelas limpos de novo. Era um trabalho bom, limpo e plenamente consciente que desfrutamos como time.

Quando o grupo de Dharma primeiramente se reuniu no nosso segundo dia, minhas primeiras impressões pegaram o melhor de mim. Eu era muito rápido para julgar as pessoas, aborrecido quando alguém pediu para mover o grupo de um local para outro ou quando alguns falavam muito mais frequentemente que outros. Nos apresentamos seguindo o círculo mas isto foi muito breve. Era aparente que todos éramos da área de San Francisco. Conversamos sobre a palestra de Dharma do Thay e o que isso significou para nós. Pelo menos, alguns de nós falamos. Parecia que aqueles que já pertenciam a Sanghas tinham mais a falar. Eu não estava certo sobre o protocolo, portanto me mantive quieto, preferindo ao invés ouvir e aprender. Eu deixei o grupo me sentindo um pouco frustrado, (...) sentindo como se estivesse em um encontro do clube que eu não era membro.

Não me ajudou o fato de no jantar e depois nos mantivéssemos em silêncio. Eu não podia expressar algumas de minhas frustrações e ignorância a Susan até depois do almoço do dia seguinte. É claro que na tarde seguinte, Susan me desarmou com sua habitual e calma razão. Sua voz suave foi um morno boas vindas depois do silêncio prolongado não familiar. Ela me encorajou a me manter um livro aberto, experimentar os ensinamentos, ouvir e aprender da nossa irmã no Dharma e dos outros no grupo. Eu segui seu conselho com renovada determinação. Eu estava plenamente consciente da respiração. Tornei mais lento meu passo durante a meditação caminhando. Senti meu usual pescoço rígido soltando um pouco.

Eu estava cético com relação às palestras de Dharma. Isto mudou um pouco quando ouvi aos ensinamentos do Thay e percebi que não era retórica, mas razão. Ele falou sobre partilha e sacrifício, esperança e inspiração. Quando ele respondeu perguntas de ambos, crianças e adultos, falou em termos facilmente compreensíveis. Não havia ambigüidade. Ele respondeu às questões diretamente. Ele não disse o que as pessoas queriam ouvir. Às vezes ele pedia aos que perguntavam que olhassem para ele. O melhor de tudo é que ele não julgava os outros.

Em um determinado ponto Thay parecia que estava falando para mim quando falou o quão importante os agentes da lei são para nossa comunidade e que ele já organizou retiro para eles. Ás vezes fiquei indeciso, tentando reconciliar ser plenamente atento em um trabalho que requer que sejamos vigilantes, abordar os outros e reagir rápido com instinto em algumas situações. Às vezes meu trabalho requer que usemos força, em algumas ocasiões força para matar. Ele mencionou seu livro, "Keeping the Peace: Mindfulness and Public Service". Eu pensei que seria bom ler sobre como ser mais plenamente atento na minha profissão.

Quando li os Cinco Treinamentos de Plena Atenção, me perguntei se eu poderia cumpri-los. Susan já tinha indicado que tomaria os votos no último dia do retiro. Eu verdadeiramente lutei com o pensamento. Eu poderia facilmente ter dito que iria tentar, como disse alguém no nosso grupo de Dharma, que eles eram "apenas guias". Alguns dos outros no nosso grupo lutaram contra o pensamento assim como eu. Alguns falaram em tomar os treinamentos e segui-los estritamente, enquanto outros davam suas versões do que é verdadeiro comprometimento, com alguma falha misturada.

Enquanto falávamos, o grupo se transformou diante de meus olhos. Indivíduos que anteriormente me aborreceram e que eu via como caricaturas, falavam com compaixão e insight. Um casal falou de tragédias pessoais que levaram eles a um comprometimento profundo com os Treinamentos. Outros falaram de suas religiões anteriores recebidas na infância e o conflito que isso causou dentro delas. Outros ainda falaram de conflitos morais e éticos com o que previamente conheciam. Ocorreu-me que a escolha é de fato um comprometimento pessoal que uma pessoa pode fazer somente por si mesma. No final, encontrei um respeito renovado por todos no meu grupo e desejei que tivéssemos tido essa conversa mais cedo na semana. Eu quis conhecê-los melhor e falar mais sobre mim.

Na manhã seguinte, sentei e assisti enquanto Susan e vários outros no nosso grupo de Dharma se comprometeram com os Cinco Treinamentos de Plena Atenção. A sala de meditação estava completamente cheia de gente apesar de ser bem cedo. Eu ouvi a descrição de cada um dos Cinco Treinamentos e as respostas dos homens, mulheres e crianças que participaram. Uma parte de mim queria estar ali também. Na conclusão da cerimônia, eu testemunhei o quanto isso significou para Susan, enquanto ela abraçava seus amigos e abertamente chorava. Lágrimas de alegria fluíam livremente na sala, incluindo algumas do meu grupo de discussão do Dharma que fizeram reservas a cerca dos Treinamentos na noite anterior. Eu estava feliz que falamos sobre nos encontrarmos novamente ao voltarmos para San Francisco.

Susan e eu juntamos e embalamos as coisas para voltarmos para casa. Desfrutamos de nosso último almoço com alguns de nossos amigos e demos nosso adeus. O que parecia ser potencialmente uma estadia muito longa quando chegamos, mudou para uma curta visita enquanto nos preparávamos para ir. Desde que voltamos para casa, ainda tento viver no presente, mastigar devagar e desfrutar minha comida, ser plenamente atento às coisas que faço. Sei que fisicamente me sinto melhor e muito mais relaxado. Eu realizei algumas caminhadas meditativas e sempre desfruto do relaxamento profundo, meu tipo favorito de meditação. Eu paro quando ouço um sino e lembro de respirar. Tento ser plenamente atento aos outros e não tão rápido para julgar. Estou começando a entender a filosofia de comunidade e apoio e tentarei ensinar e praticar com os outros.

Este retiro não será meu último.

(Jim Dudley é capitão da polícia de San Francisco)

quarta-feira, julho 23, 2008

Você é um Buda em potencial

O texto que sugerimos essa semana (clique aqui) vem te lembrar um grande fato. Você é um Buda em potencial. Todos temos o Buda interior que precisamos desenvolver de forma a transformarmos nosso sofrimento.

Thay nos ensina a conversar com nosso Buda interior, uma prática que toca todas as qualidades do Buda e percebe que o Buda é absolutamente real – não uma idéia, não uma noção, mas uma realidade. Nossa tarefa, nossa vida, nossa prática é nutrir o Buda em nós e nas pessoas que amamos. Thay também nos ensina a forma correta de tocar o sino, a voz do Buda, que nos ajuda na nossa prática.

Um texto básico de budismo. Leia (clique aqui) e aprenda. Divida seu insight sobre o texto em nosso blog.

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segunda-feira, julho 21, 2008

Sem Medo, Sem Visão (Irmão Phap Luu)

Muito do sofrimento que experimentamos no mundo, nos EUA hoje em dia, é devido ao medo. Vem do sentimento de sermos uma vítima, do sentimento que não estamos no controle, do sentimento que estão fora de nós forças que de alguma forma tem poder sobre nós. Portanto a questão é como trazemos o Dharma para este momento, para dentro de nossas vidas, de forma que possamos gerar não-medo em nós mesmos e naqueles ao nosso redor?

Se perguntarmos a nós mesmos a questão, a cada momento, estamos realmente perguntando a nós mesmos, como eu estou gerando não-medo para mim mesmo, para minha família, para minha comunidade? Deste modo não somos mais prisioneiros de nenhum governo, de nossa sociedade, do medo de que alguém está vindo e atirando no nosso filho pequeno, ou qualquer outro medo que tenhamos.

Nossos medos são irracionais. Entramos em carros e dirigimos por aí todo dia, e é muito mais provável que morramos em um acidente de carro do que sermos seqüestrados em um avião. Aquecimento global é algo para se temer – estamos falando sobre todas gerações seguintes.

Na minha prática, quando eu olho para o que eu faço a cada momento, eu tomo cuidado em não basear o que eu estou fazendo em uma visão. Eu sinto que isto é uma grande causa pela qual somos ineficientes em transformar o modo que a sociedade funciona. Eu pertencia a grupos ativistas antes de me tornar um monge, portanto experimentei o que significa basear as ações em uma visão. ”Isto é claro, estas pessoas estão matando, estão destruindo o ambiente, certo? Portanto eu tenho que fazer isso.”

No seu ensinamento do Nobre Caminho Óctuplo, o Buda disse que tudo é baseado na visão correta. Se não temos a visão correta, como podemos falar sobre pensamento correto? Como podemos falar sobre concentração correta? Precisamos ter uma visão correta.

Em última análise visão correta é a ausência de qualquer visão. É apenas uma questão de se temos clareza ou não. Não é uma questão de bom ou mau, de julgar, punir ou mesmo estatística. Estas são todas apenas visões, modos de ver o mundo. Avidya é ignorância; uma maneira de traduzir essa palavra é ausência de luz.

Como podemos deixar esta mente clara a cada momento? Não há medo, porque na claridade não há nascimento, não há morte. É apenas manifestação e ausência de manifestação.

O que fazemos hoje em dia, dez mil anos atrás era a mesma coisa. No tempo do Buda, havia um príncipe que matou seu pai e aterrorizou o país. O Buda não saiu e protestou. Isto é o que eles faziam naquele tempo. Agora temos eleições.

Quando fazemos meditação caminhando com Thay, chamamos isso uma caminhada de paz, mas o que está acontecendo lá? Já andei com faixas, é muito tedioso. Mas quando você vê Thay andando, é realmente interessante! Você não está tão certo do que ele está fazendo. E nós também não! Nós estamos andando. Não, estamos seguindo nossa respiração, estamos seguindo nossos passos.

(Irmão Phap Luu, Monge de Deer Park – publicado na revista Mindfulness Bell 45)

quinta-feira, julho 17, 2008

Questões sobre oração

Você costuma orar? Para quem rezamos no budismo? Há diferença entre a oração dos cristãos e a oração budista? Como evitar a armadilha da rotina na oração? É importante manter a postura do corpo na oração?

No texto dessa semana (clique aqui), extraído de uma entrevista a uma revista americana, Thay responde a algumas perguntas sobre a oração. Ele diz que orar é também pedir ajuda, e na tradição budista, pedimos ajuda à Sangha, pedimos ajuda ao Buda. Explica também que você não apenas pratica meditação com sua mente, sua mente é a metade. Você tem que meditar com seu corpo também.

Um texto muito interessante. Leia (clique aqui) e aprenda. Divida seu insight sobre o texto em nosso blog.

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segunda-feira, julho 14, 2008

Se eu morresse amanhã - por Irmã Chan Khong

Um dia em 1981, vendo o quanto eu estava absorvida enrolando pacotes para crianças famintas no Vietnã, Thay Nhat Hanh me perguntou: “Se você morresse hoje a noite, estaria preparada?” Ele disse que devemos viver nossas vidas de forma que se morrermos de repente, não tenhamos nada a lamentar. “Chan Khong você tem que aprender a viver livre como as nuvens ou a chuva. Se você morrer hoje a noite, não deveria sentir nenhum medo ou lamento. Você se tornará alguma coisa diferente, tão maravilhosa como é agora. Mas se você lamentar perder sua forma atual, não estará liberada. Ser liberada significa perceber que nada pode te obstruir, te impedir, mesmo enquanto cruza o oceano do nascimento e morte.”

Suas palavras me perfuraram e eu permaneci em silêncio por vários dias. Não, eu não estava preparada para morrer. Meu trabalho era minha vida. Eu tinha encontrado meios de ajudar as crianças famintas, apesar das dificuldades, e estava feliz de novo. Se eu morresse de repente, quem continuaria esse trabalho?

Eu contemplei muitas questões práticas como essa, enquanto seguia cada inspiração e cada expiração. Eu não estava exatamente tentando achar a solução. Eu sabia que a habilidade de achar uma estava em mim e quando eu estivesse calma o suficiente, uma resposta se revelaria por si. Portanto eu continuei a respirar e sorrir, e alguns dias depois, eu realmente vi a solução. Eu sabia que a única maneira que me permitiria morrer em paz seria se eu renascesse em outros que desejassem fazer o mesmo trabalho. Então minha aspiração poderia continuar mesmo se esse corpo falecesse. Eu pensei sobre os jovens que vinham para praticar plena atenção com Thay e decidi compartilhar com eles minhas experiências e desejos profundos sobre ajudar pessoas que sofrem. Eu os ensinaria como escolher remédios, como embrulhar pacotes, como escrever cartas pessoais aos pobres, e como manter os ocidentais em contato com o sofrimento das pessoas no Vietnã. Alguns jovens ficaram inspirados a começar seus próprios comitês, e hoje há trinta e oito comitês para crianças famintas. Se eu morrer hoje a noite de acidente de carro ou de ataque cardíaco, estas trinta e oito reencarnações me permitirão morrer em paz.

Nguyen Anh Huong, que chegou aos Estados Unidos em 1981, ouviu atenta a tudo que eu disse e me perguntou como começar um projeto. Como refugiada recém-chegada, ela conhecia melhor que eu as muitas famílias em grande sofrimento no Vietnã. Eu a encorajei a preparar sua própria lista de famílias que precisavam de ajuda e a achar patrocinadores para elas. Quando as crianças famintas escrevessem agradecendo, ela poderia traduzir as cartas e mandá-las aos patrocinadores. Lentamente, Anh Huong foi capaz de ajudar centenas de famílias. Bui Than Vu em Paris tem muitas famílias, Bui Ngoc Thuy em Sceaux na França tem oitenta e seis famílias, Annabel Laity em Plum Village está encarregada de quarenta famílias. Adicionalmente, quase todas as irmãs vietnamitas da ordem Tiep Hien (Ordem Interser) na Suíça, Austrália, Canadá, Alemanha e França têm ajudado grupos de famílias famintas.

Se hoje a noite meu coração parar de bater, você verá meu trabalho em todas essas irmãs e irmãos. Há aqueles que continuam meu trabalho pelas crianças famintas, outros que gostam de meu trabalho de ouvir o sofrimento das pessoas de forma que possam ser curadas. Você pode ver meu sorriso no seu olhar e minha voz nas suas palavras. Mas não verá minhas deficiências neles. O samsara de minhas deficiências terminará no dia que esse corpo for transformado em cinzas e então se tornar flor de novo.

Onde quer que eu faça algo, eu vejo os olhos de meus pais e avós em mim. Quando eu trabalhei com aldeões, sempre tinha a impressão que estava fazendo o trabalho conjuntamente com eles e também com as mãos amorosas daqueles amigos que economizaram um punhado de arroz ou poucos dólares para apoiar o trabalho. Minhas mãos eram suas mãos. Meu amor era o amor maravilhoso da rede de ancestrais, pais, parentes e amigos nascidos em mim. O trabalho que eu tenho feito é o trabalho de todos. Não é apenas meu trabalho. Enquanto você lê essas linhas e sabe que, em uma remota área do Vietnã, crianças que são severamente mal nutridas estão recebendo recursos de Plum Village, você pode ver o ato de amor do trabalho coletivo de milhares de mãos e corações. Todos nós, de fato, intersomos. Eu continuarei em cada um e cada coisa que eu já toquei. Não tenho nada a temer e nada a lamentar.

Queridos leitores, agradeço pela sua paciência em ler esse texto. Eu estou com você da mesma forma que você tem estado comigo, e nos encorajamos a perceber nosso mais profundo amor, carinho e generosidade. Juntos no caminho do amor, podemos tentar fazer pequenas diferenças na vida de alguém. O que mais há para fazer?

Quem é a irmã Chan Khong? Quem é Cao Ngoc Phuong? Ela é feita dos seus ancestrais, da terra chamada Vietnã, do ar, do sofrimento, das amizades, dos ensinamentos, da cruel ignorância dos que fazem a guerra, e do amor e entendimento de muitos professores e amigos durante seus primeiros trinta anos naquela parte do mundo e então quase quarenta anos entre muitos bodisatvas no ocidente. As experiências que compartilho são as experiências coletivas de todos que compartilharam a vida comigo.

Se você puder visitar Plum Village onde eu vivo, verá que não precisamos muito para sermos felizes. Um pedaço de madeira sobre quatro tijolos para uma cama, um fina espuma de colchão, um saco de dormir, um lençol fino, algumas caixas para nossos arquivos e muita inspiração e expiração consciente para termos consciência de nossa boa sorte por estar em paz e liberdade para trabalhar por aqueles em necessidade. Cartas vêm todo dia, trazendo boas notícias de trabalhos inspiradores. Mas algumas cartas e telefonemas trazem notícias que nosso trabalho falhou em algumas áreas. Respiração consciente sempre nos ajuda a acalmar e nos renovar de forma que possamos melhor lidar com as dificuldades e transformá-las. Sabemos que você pode fazer até melhor do que fizemos. Portanto é meu desejo que esse texto, este trabalho pelas crianças famintas, este trabalho organizando retiros tenha sido útil para você como testemunha de nossa prática de interser nesta maravilhosa viagem juntos.

- Irmã Chan Khong (primeira ajudante do Thay e com ele nos últimos 40 anos)

quarta-feira, julho 09, 2008

Sexualidade

Um tema que é sempre um tabu em nossa sociedade é a sexualidade. Nessa semana trazemos até você (clique aqui) respostas do Thay a perguntas feitas em retiros sobre esse tema.

Nas respostas Thay declara que o ato sexual pode ser muito sagrado, muito bonito, e também muito espiritual se está junto a compreensão profunda, aspiração profunda. Ele também pensa que a questão relativa a sexualidade no fundo é como administrar, como tomar cuidado com as fontes de energia em nós. Mas ele ressalva que a energia sexual é apenas um tipo de energia e todos temos energia sexual dentro de nós. Ela não deve ser olhada como algo maligno. Nós temos nossa humanidade dentro de nós, mas também temos nossa animalidade dentro de nós. Essas duas naturezas não têm que se contradizer.

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segunda-feira, julho 07, 2008

Minha História de Amor com Plum Village

Eu conheci a irmã Chan Khong em Paris, em Setembro de 1972 em uma reunião de um grupo ativista não violento liderado por César Chavez. Ela veio para compartilhar seu compromisso de reduzir o sofrimento no Vietnã. Era um tempo de guerra. Ela era leiga e também era fácil para mim ver que ela era movida por amor. Este amor me tocou profundamente e mudou completamente minha vida. No final da reunião, eu estava tão ávido por apoiá-la que perguntei se era possível encontrá-la de novo. Ela concordou e fiquei tão feliz porque meu desejo não era de fato encontrá-la de novo. Era encontrá-la muitas e muitas vezes! E eu tinha uma chance de fazê-lo.

No dia seguinte fui a Sceaux no sul de Paris onde ela estava trabalhando com a delegação oficial da Igreja Budista Unificada do Vietnã. Ela estava me ensinando como sentar no chão quando alguém entrou na sala em tanto silêncio que eu mal o notei. Ele sentou e sorriu para mim. Irmã Chan Khong me apresentou e disse que seu nome era Thich Nhat Hanh. Eu nunca esqueci este momento. Era como uma luz que muda tudo que vemos pela sua aparência brilhante. Nada era o mesmo apenas pela sua simples presença. Mas eu ainda estou envergonhado. Eu tirei um cigarro e comecei a fumar enquanto Thay estava falando para nós! Eu tinha 17 anos, era jovem e bobo. Thay não me embaraçou ou me pediu para parar. Ele apenas me aceitou do jeito que eu era. Esta foi uma experiência muito, muito especial que ainda me nutre. Eu esqueci suas palavras, mas não o efeito de sua presença e seu comportamento. Lentamente, fiquei consciente que eu estava à frente de um ser humano santo, um verdadeiro mestre espiritual.

Irmã Chan Khong me deu algum material para ler. Nele havia algumas cartas particulares. À noite eu comecei a ler. Então caí em lágrimas. A noite toda eu fiquei lendo estas cartas e chorando. A autora dessas cartas era Nhat Chi Mai. Eram cartas que escritas imediatamente antes de sua imolação. Através da imprensa eu tinha ouvido sobre as pessoas que se imolavam no Vietnã, mas eu era incapaz de entender isso como nada além de suicídio a partir do desespero. Lendo as cartas de Chi Mai, eu percebi seu desejo pleno e sincero de se tornar uma luz para ajudar todos nós a ver o que era real. Ela se tornou a luz que desejava. Mai se tornou minha querida luz desde aquela noite e ela ainda está aqui para nós em Plum Village, mesmo que não a notemos.

Isto foi como Plum Village nasceu no meu coração. Um presente de irmãs e irmãos morando no paraíso e inferno ao mesmo tempo, mas firmemente se recusando a deixar o inferno com ainda tantas pessoas nele. Eles estavam tentando trazer todos para o paraíso, enquanto viviam de forma simples com uma prática espiritual ensinada a milhares de anos atrás. Eles partiram meu coração devido a seu modo de vida, e foi como Plum Village começou a crescer profundamente em mim. A ordem Tiep Hien (Ordem do Interser) nutriu as sementes plantadas nesta noite, dia a dia.

Neste tempo, não havia um lugar chamado “Plum Village”. O nome ainda viria, mas o coração de “Plum Village”, a comunidade Tiep Hien, já tinha sido estabelecida por Thay no Vietnã. Nhat Chi Mai e a irmã Chan Khong estavam entre os primeiros leigos desta comunidade criada por Thay. Cada membro era sustentado pelo compromisso e a prática dos demais. Thay era o exemplo para cada um de nós seguindo como nosso guia, nosso pai espiritual. Seus ensinamentos não eram apenas o que ele escrevia, mas sua prática em cada momento. Um tipo de estrela polar para pessoas perdidas no oceano como eu. Ele nos estava mostrando o caminho naquele tempo, assim como hoje. Consciente das necessidades de um centro de retiro para alimentar nossa alegria e aprofundar nossa prática, Thay primeiramente começou um pequeno centro de prática em Fontvannes, não muito longe de Paris. Era de muito ajuda para todos nós. Mas, naquele tempo, “todos” éramos apenas cinco a dez pessoas!

O final da “guerra oficial” chegou ao Vietnã. Poucos meses depois, começou um fluxo de refugiados nos mares perigosos. “Plum Village” se tornou um barco no oceano para resgatá-los, com Thay e irmã Chan Khong a bordo. Os refugiados alcançaram a Europa. O governo e as pessoas estavam dando alívio e ajuda, mas havia muita dor em cada coração. Como trazer paz a estes corações partidos? Como oferecer suporte espiritual para cada um, especialmente as crianças? Eu lembro dos sentimentos de Thay e irmã Chan Khong por todas as crianças. Para mim, é o sofrimento destas crianças que foi o verdadeiro fundador de Plum Village, da qual tantos seres humanos se beneficiam hoje. Era tão difícil ser um refugiado depois de tamanha vida dura no Vietnã. Penso que apenas Thay ouviu o chamado por um “refugiado” – um verdadeiro refúgio espiritual, uma comunidade de prática. Desta necessidade, o nome “Plum Village” estava nascendo. Um verdadeiro refúgio para a Ordem Tiep Hien dar boas vindas para aqueles que sofrem. “Plum Village” nunca foi um conceito – apenas uma resposta apropriada para uma necessidade real, e veio do amor e dos corações abertos de Thay e irmã Chan Khong.

Recentemente eu visitei Plum Village. Estava tão emocionado pelas pedras que ainda são as mesmas. Sua transformação é lenta. Eu as reverenciei sabendo o quão lento eu estou na minha transformação. Eu fiquei emocionado também com as árvores. Lembro delas ainda tão pequenas. Fiquei um tempo olhando cada uma delas, uma por uma. Cada uma me lembrava a sabedoria de Thay. Ele ama tanto as crianças e seu amor é tão criativo. Ele teve a idéia de oferecer uma pequena árvore para cada criança refugiada vietnamita e convidou cada uma a tomar conta e nutrir a árvore e então oferecer os frutos da árvore para uma criança no Vietnã. Cada árvore em Plum Village ajudou duas crianças. Uma era uma refugiada e a outra estava no Vietnã. As ameixas são frutos para nutrir a espiritualidade de cada criança por compartilhar o processo. A sabedoria e criatividade do amor de Thay parecem não ter limites. Muitas pessoas vem e vão, mas as árvores permanecem.

Plum Village é uma dos lares da Ordem Tiep Hien, a Ordem do Interser. Não é sempre fácil interser em plena atenção, mas aqueles que vão lá não estão procurando por um caminho fácil. Apenas comprometidos em tentar, de novo e de novo, a seguir o caminho da plena consciência. As primeiras pessoas a viverem nos hamlets (alojamentos de Plum Village) eram do Vietnã e refugiados de muitos lugares. Plum Village nasceu deles e para eles. Depois os americanos vieram, e poucos franceses. Então, passo a passo, pessoas de todo mundo a visitaram, e mais recentemente da China. Então os franceses finalmente! Cada pessoa traz sua própria cultura e Plum Village parece estar apta a dar boas vindas e integrá-las sem nenhuma discriminação. Plum Village está viva. Nunca é a mesma, mas sempre surpreendentemente nova a cada momento, como uma história de amor sem fim – uma história de inclusividade.

Um dia, há alguns anos atrás, eu vi um monge trabalhando nossa mãe Terra. Eu pensei que era Thich Nhat Hanh, porque eu o vi fazendo isto muitas vezes. Tão feliz por vê-lo, eu chamei “Thay”. Quando o monge virou seu rosto para mim e sorriu, eu percebi que ele não era Thich Nhat Hanh. Ao mesmo momento eu concluí que ele era Thich Nhat Hanh também. Eu fiquei repentinamente deliciado. Thich Nhat Hanh, meu pai, estava aqui em tantos corpos!

Quando eu sentei com Thay e irmã Chan Khong antes de deixar Plum Village recentemente, percebi profundamente que estava em frente de meu pai e minha mãe. Eu desfrutei demais da presença deles, da mesma maneira que da primeira vez que os vi. Estávamos juntos novamente, nós três em uma sala pequena e simples. Eu percebi que nunca nos separamos desde o nosso primeiro encontro trinta anos atrás. Desta vez ele estava deitado quietamente em uma rede e a qualidade da luz que emanava era ainda a mesma. No final, eu disse a Thay que estava feliz demais por ter um pai desses. Ele riu para mim muito gentilmente, como o mais doce dos beijos. Plum Village é também tantos sorrisos e beijos de inúmeros olhos!

Plum Village é um presente das crianças do Vietnã para todas as crianças do mundo. Que possamos abençoá-las pela nossa prática. Trinta anos atrás, Plum Village era apenas dois rostos amorosos, Thay e irmã Chan Khong. Eu sou tão grato por eles terem me dado tantos irmãos e irmãs. Sinto que Plum Village nasceu do amor e para celebrar e praticar amor.

- Pierre Marchand

quinta-feira, julho 03, 2008

A Prática é Mais Fácil com a Sangha

Uma Sangha é uma comunidade de amigos praticando o Dharma juntos de forma a fazer acontecer e manter a consciência. Sem o refúgio em uma Sangha nossa prática tende a enfraquecer.

Nessa semana, enviamos texto do Thay (clique aqui), onde ele explica que quando sentamos juntos como uma Sangha, desfrutamos da energia coletiva da plena atenção e cada um de nós permite que a energia de plena atenção da Sangha penetre em nós. Mesmo que você não faça nada, se apenas parar de pensar e se permitir absorver a energia coletiva da Sangha, já será muito curador.

Leia (clique aqui) e experimente praticar com uma Sangha. Há sanghas da tradição do Thich Nhat Hanh no Rio, São Paulo e Natal. Os endereços estão na coluna ao lado.

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segunda-feira, junho 30, 2008

Paraíso e Inferno

Era uma vez um homem que tinha muita curiosidade em saber a diferença entre o céu e o inferno. Ele sabia que os seres no paraíso eram muito felizes, ao contrário daqueles do inferno, que eram muito infelizes. Um dia, conheceu um sábio que disse poder levá-lo a visitar os dois lugares. Nessa ocasião, poderia ver por si mesmo as diferenças. O homem se disse pronto para partir de imediato.

Em um átimo, o sábio o transportou para o inferno. De início, o homem ficou surpreso, porque achou tudo muito parecido com o que existia na Terra. Havia um grupo de pessoas à mesa, jantando. Ao examinar a cena mais de perto, porém, viu que as colheres utilizadas tinham um metro de comprimento. Os longos talheres chocavam-se o tempo todo, a comida caía. Ninguém conseguia se alimentar bem, estavam todos extremamente irritadiços e mal-humorados.

De repente, a cena mudou. O homem percebeu que estava no paraíso. E de novo surpreendeu-se com o que viu. À sua frente havia um grupo em nada diferente do que vira no inferno: pessoas à mesa, jantando e utilizando colheres de um metro de comprimento. No entanto, ao observar com mais atenção, o homem viu que, em vez de derrubarem a comida e se irritarem como os seres do inferno, os seres celestiais utilizavam os longos talheres para alimentar uns aos outros. Todos riam e sorriam, fartando-se de comida.

domingo, junho 29, 2008

Os outros

Se você tem dificuldades com outra pessoa e acha que ela apenas quer te fazer sofrer, e que é impossível fazer algo que a ajude, então você não está colocando os ensinamentos na prática.

- Thich Nhat Hanh

quarta-feira, junho 25, 2008

Perguntas Freqüentes sobre os Treinamentos

Os Cinco Treinamentos são a essência da prática budista e devemos estudá-los e recitá-los com freqüência. Eles são um guia que nos ajudam em nosso caminho espiritual.

Nessa semana, enviamos texto da monja Chân Không (clique aqui), assistente de Thich Nhat Hanh nos últimos 40 anos, onde ela responde às perguntas mais comuns sobre os Cinco Treinamentos que surgem durante os retiros. Lembro que em setembro haverá retiros no Rio e São Paulo, com monges do monastério Deer Park, onde os que desejarem poderão receber os Treinamentos e se tornarem alunos do Thay.

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terça-feira, junho 24, 2008

Para mudar o governo - Consumo Consciente

Se você quer mudar o governo, não se foque em mudar o governo, você não vai chegar a lugar nenhum. Você tem que mudar as corporações, porque o governo é apenas um peão das corporações. Bem, se você quer mudar as corporações, tem que mudar os consumidores. É aqui que a responsabilidade para, conosco. Somos os consumidores. Não somos mais cidadãos, somos consumidores. Somos aqueles que alimentam as corporações que alimentam o governo. Portanto somos aqueles que tem que mudar. Portanto, uma vez que você descobre que é o responsável, que somos parte do problema, então finalmente você pode ser parte da solução.

- Yvon Chouinard

segunda-feira, junho 23, 2008

Não force os outros

Você não pode forçar os outros a ter o seu insight. Você pode forçá-los a aceitar sua idéia, mas então será simplesmente uma idéia, não um insight verdadeiro. Insight não é idéia. A maneira de compartilhar seu insight é ajudar a criar as condições de forma que os outros possam ter o mesmo insight, através da própria experiência, não apenas ouvindo o que você diz. Isto toma paciência e requer habilidade.

- Thich Nhat Hanh

domingo, junho 22, 2008

Transitoriedade

Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:"Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil..."Mas outra onda do oceano lhe disse:"Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoísticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!""Mas," replicou a pequena onda,"se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?""Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!""Água? E o que é água?""Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egóica insatisfação..."

quarta-feira, junho 18, 2008

Passado e Futuro

Essa semana sugerimos a leitura de dois pequenos relatos (clique aqui) que foram publicados na revista Mindfulness Bell. Um dos relatos é a resposta de Thich Nhat Hanh a uma pergunta do público em uma de suas visitas ao Vietnã. A outra é da Irmã Transcendência, uma monja de Deer Park, compartilhando como vem superando seus traumas de infância através da prática.

Em ambos o tema é como lidamos com o passado, como não sermos aprisionado por ele e como curamos sentimentos e experiências fortes do passado que tem impacto no presente. Thay também fala sobre o futuro e diz como mensagem central: "Se você não tem felicidade no momento presente, não há modo de ter felicidade no futuro."

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terça-feira, junho 17, 2008

Relato de Thich Nhat Hanh sobre seu retorno ao Vietnã

Recentemente eu tive a experiência de ver o poder de um despertar coletivo quando eu voltei ao Vietnã com uma grande Sangha depois de quase quarenta anos de exílio. Eu vim para o ocidente com quarenta anos. Foi em 1966 quando eu fui aos Estados Unidos pedir o fim dos bombardeios. Os Estados Unidos tinham meio milhão de soldados no Vietnã. No final da guerra, mais de cinqüenta mil deles tinham sido mortos ou perdidos. Muitos milhões de civis vietnamitas morreram durante a guerra. A terra, florestas e água foram poluídas, destruídas por venenos químicos. Naquele tempo, eu já era um conhecido professor e escritor no meu país. Eu desejava ficar nos Estados Unidos por três meses, viajar pelo país e falar sobre a necessidade de parar a luta. Mas depois de três meses, soube que o governo do Vietnã não me queria de volta porque eu tinha ousado pedir por paz.

Muitos de nós no Vietnã sofremos muito e tínhamos visto muito sofrimento ao nosso redor causado pela guerra, portanto tínhamos que falar. Estávamos presos entre dois partidos em guerra e precisávamos falar. Mas muitos de nós não tinham como se expressar. Não havia rádio, nem televisão ou jornal que cobrissem a verdade da situação. Aqueles que ousavam falar contra a guerra eram presos. Portanto alguns se imolaram para atrair a atenção para a situação desafortunada das massas no Vietnã que não queriam a guerra. Apenas então a imprensa começou a perceber que a maioria dos vietnamitas não aceitava a guerra. É por isso que eu decidi viajar para o ocidente, para contar ao mundo sobre o sofrimento da nação e do povo vietnamita.

Depois que soube que o governo do Vietnã do Sul não me queria mais em casa, continuei meus apelos na América por paz e então fui para a Europa, Ásia e Austrália. Finalmente me estabeleci em Paris e iniciei uma comunidade de prática para continuar o trabalho pelo pedido de paz.

Durante aproximadamente quarenta anos no exílio, fizemos tentativas de negociar meu retorno ao Vietnã. Finalmente em janeiro de 2005, eu podia ir para casa. Quando eu deixei o Vietnã, era como uma célula removida de seu corpo. A Sangha é como um corpo, e cada membro é apenas uma célula deste corpo. Mas eu não sequei e morri como uma célula, porque eu trouxe toda a Sangha em meu coração. Eu fui ao ocidente pela minha Sangha e não como um indivíduo, e adiante eu comecei a construir uma pequena Sangha no ocidente. Agora, depois de quarenta anos, minha sangha no ocidente não é tão pequena.

Eu queria voltar ao Vietnã como uma Sangha, não como uma célula. No final, duzentas pessoas viajaram conosco de volta ao Vietnã. Queríamos chegar como uma verdadeira Sangha, mostrar nossa prática de entendimento e amor, porque sabíamos que se nossa prática fosse sólida, forte e autêntica, seríamos capazes de transformar o medo e a suspeita do governo.

Os membros de nossa delegação praticaram bem. No hotel, os leigos praticaram meditação sentada de manhã. Comeram apenas comida vegetariana, nunca tocaram em álcool, eram silenciosos e viviam juntos como uma sangha, em harmonia e em irmandade. Os gerentes do hotel estavam impressionados e diziam: “Eles transformaram nosso hotel em uma sala de meditação.”

A viagem foi difícil porque havia muito medo, muita suspeita. O Museu dos Criminosos de Guerra mostrava minha foto e da Irmã Chan Khong, minha assistente nos últimos cinqüenta anos. Antes da minha chegada, devido a alguns protestos, minha foto foi removida. Mas a foto da Irmã Chan Khong era ainda exibida durante nossa viagem de três meses.

Adicionalmente, durante meus quase quarenta anos de exílio, meus livros foram banidos no Vietnã por ambos os regimes, comunista e anticomunista, porque promoviam a paz e a irmandade, o que ambos os governos consideravam perigoso. Tivemos que negociar um acordo para que doze dos meus livros fossem publicados antes da minha chegada. Mas quando chegamos ao Vietnã, apenas quatro haviam sido publicados. O medo era tão grande!

Levou toda nossa viagem de três meses para que o governo do Vietnã se abrisse a nós. A presença da sangha de monjas, monges, leigos e leigas ajudou tremendamente. As pessoas viam os ocidentais aprendendo meditação e praticando bem. Isto os inspirou. Durante as palestras, presenciamos a transformação bem diante de nossos olhos. Éramos capazes de remover muitas percepções erradas das pessoas. Agora eles sabem muito melhor quem somos, porque muito medo e suspeita foram removidos. Se não fôssemos capazes de nos apoiar usando o poder da sangha e chamar as sementes da paciência, entendimento e compaixão em nós mesmos, teríamos reagido de forma raivosa e deixado o país no meio da viagem.

No início de nossa viagem, era claro que o governo não nos queria ensinando e em contato com as pessoas. Sabíamos que a prática tinha que ser estável e sólida para ser bem sucedida. A ala conservadora do partido tentou de tudo para evitar que as pessoas comparecessem a minhas palestras e ficassem expostas à nossa presença. Antes de chegarmos, soubemos que muitos monges e monjas foram advertidos que não deveriam comparecer aos eventos de nossa sangha ou teriam problemas depois que partíssemos.

Ainda assim continuamos calmos, humildes e sorrindo. Finalmente houve uma ruptura. O Instituto de Ciência Política em Saigon nos permitiu organizar uma palestra para intelectuais, especialistas, membros do partido comunista e membros do governo. Eles dispuseram assentos para trezentas pessoas. Mas como estávamos praticando a fala amorosa e escuta atenciosa, no último minuto conseguimos persuadi-los a deixar a multidão entrar. Naquele dia mais de mil ouviram a palestra. Eu compartilhei nossa experiência de ensinar a prática no ocidente. Eles estavam muito interessados. No final perguntaram várias questões, entre elas essa: “ Se você toma refúgio nas Três Jóias (o Buda, o Dharma e a Sangha), tem ainda o direito de amar seu país e o partido comunista?” Minha resposta veio muito rapidamente e foi muito simples: “ Se ao tomar refúgio nas Três Jóias significa que você perde o direito de amar seu país e o partido, para que serve tomar os refúgios? Todos aplaudiram a resposta por muito tempo. Esta declaração foi reportada ao governo central e a cada braço do partido.

É por isso que quando fui para Hue, permitiram que déssemos palestra para membros do partido comunista, intelectuais e membros do governo. Seis ou sete mil pessoas vieram. E quando fomos a Hanói pela segunda vez, cinco palestras foram organizadas para membros do partido, intelectuais e membros do governo. Todos eles estavam famintos de espiritualidade. Estar com nossa delegação e comigo era uma oportunidade para eles expressarem isso abertamente. No Instituto Político em Ho Chi Minh em Hanói, muitos organizadores comentaram que o diálogo e discussão entre o marxismo e o budismo era crucial. Um membro do partido comunista até ousou dizer que o partido fez grandes erros. Organizadores expressaram um desejo de renovar seu país e aprender mais. A atmosfera era aberta e humana. E era possível sentir a liberdade. Você podia tocar a liberdade de expressão. Era maravilhoso: pode ter sido a primeira vez que as pessoas ousaram falar assim.

Eu fui capaz de ser direto, mas não feri ninguém porque meu coração estava cheio de compaixão e irmandade. Eu disse coisas como, “Sabe, em Plum Village vivemos de forma simples. Monges, monjas e leigos vivemos juntos como uma família. Ninguém tem um carro particular. Ninguém tem uma conta de banco particular. Ninguém tem um telefone particular. Na verdade, nós somos os verdadeiros comunistas.” Eles riram e riram. Eles não estavam absolutamente com raiva. E nossa mensagem atingiu sem fim.

Havia pessoas que temiam por minha segurança porque eu ousei tocar em questões importantes, incluindo corrupção no governo. Ainda assim sentíamos que podíamos falar a verdade, podíamos compartilhar o que estava em nosso coração, porque sabíamos como usar a linguagem da fala amorosa. Como resultado desta atenção em usar meios hábeis para atingir as pessoas, o nível de raiva e medo caiu a cada dia, e uma mudança real aconteceu no governo. Esta experiência nos mostrou de forma poderosa como uma pequena minoria praticando diligentemente pode influenciar a maioria. O indivíduo pode de fato transformar o coletivo.

segunda-feira, junho 16, 2008

Gato Ritual (conto zen)

Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no Monastério fazia tanto barulho que os distraía. Então o professor ordenou que o gato fosse amordaçado durante a prática noturna. Anos depois, quando o mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação. E quando o gato eventualmente morreu, outro gato foi trazido para o Monastério e amarrado.

Séculos depois, quando todos os fatos do evento estavam perdidos no passado, praticantes intelectuais que estudavam os ensinamentos daquele mestre espiritual escreveram longos tratados escolásticos sobre a significância de se amordaçar um gato durante a prática da meditação...

sábado, junho 14, 2008

Sobre o Sucesso

Quando Van Gogh estava vivo seu trabalho não foi apreciado. Mas isso não significa que seu trabalho não tinha um tremendo valor. Meu livro “Aprendendo a lidar com a raiva” vendeu um milhão de cópias apenas na Coréia do Sul, e eles o chamaram de sucesso. Recentemente eu publiquei um livro muito pequeno chamado “Tocando a Terra”. Apenas dois ou três mil cópias foram impressas. Mas eu não estou desejando vender um milhão de cópias. Eu sei que alguns monges, monjas e leigos estão usando esse livro para praticar, para transformar seu sofrimento. E eu sei que o livro servirá a muitas gerações de praticantes no futuro. Eu não preciso ser um sucesso. Eu preciso acreditar que é um bom livro, um bom manual de prática e isto já me satisfaz completamente. Minha felicidade não é dependente da popularidade, da aprovação dos outros. Minha felicidade depende de mim. Se você pode ir para o lar do momento presente e viver na luz da plena consciência, concentração e insight, não tem motivos para se preocupar com o futuro e assim tem paz.

Sucesso não é somente uma questão de talento. Há muitos elementos que contribuem para o sucesso. Mesmo se você é uma pessoa muito talentosa, mesmo se você tem uma visão verdadeira, se o tempo correto ainda não veio, você não será bem sucedido. Portanto faça o seu melhor, e se as condições forem suficientes, você terá sucesso. Você nunca poderá ter certeza que será bem sucedido. Esta é a realidade.

-Thich Nhat Hanh (do livro "A arte do Poder")

quarta-feira, junho 11, 2008

Contribuições Budistas para a Construção de uma Sociedade Justa, Democrática e Civil

No recente retiro realizado no Vietnã, em maio desse ano, Thich Nhat Hanh falou em um evento promovido pela ONU sobre as contribuições budistas para a construção de uma sociedade justa, democrática e civil. O texto (clique aqui) foi trazido e traduzido pela Denise Kato da Sangha Plena Consciência que participou do evento.

Nessa palestra Thay fala sobre guerra e cura, justiça social, budismo engajado e desenvolvimento. Aborda também a resposta budista às mudanças climáticas e a problemas familiares, educação e nos dá uma excelente visão de como o budismo e seu aprendizado se enquadram nessa era digital onde a Internet pode nos trazer o Dharma mas também muito sofrimento.

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segunda-feira, junho 09, 2008

Retiro no Vietnã (parte 1)

Querido Thây,
Querida Sangha,

Foi com imensa gratidão e alegria que acompanhei a Sangha de Plum Village durante a visita de Thây ao Vietnã, em maio último. Foram 21 dias de viagem, divididos em três etapas: um retiro de plena consciência, a Conferência das Nações Unidas para o Dia do Vesak, e um tour precioso organizado pela Irmã Chân Không para conhecermos - ao vivo e em cores - o budismo engajado ensinado por Thây, principalmente nas áreas de assistência social e educação.

Fiquei muito feliz quando Leonardo Dobbin me convidou para compartilhar esta experiência através do blog da Sangha Virtual. A idéia inicial era que eu enviasse as notícias e fotos diretamente de Hanói, como uma espécie de ´´correspondente´´, mas a dificuldade de acesso freqüente à internet acabou impossibilitando o projeto. Combinamos então que eu enviaria as ''reportagens'' na volta, para serem incluídas em algumas edições do blog. Envio abaixo a primeira parte.

Hoje gostaria de contar a vocês um pouco sobre o Retiro Budismo Engajado, realizado ao longo de 6 dias em um hotel em Hanói, Vietnã.
O evento contou com a presença de quase 400 pessoas de 41 países e foi conduzido por Thich Nhât Hanh e seus monásticos. Teoricamente, este retiro aconteceria em Plum Village em junho (o tradicional Spring Retreat, que ocorre a cada dois anos e conta com a presença praticamente certa de Mestres do Dharma e membros internacionais da Order of Interbeing (Ordem do Interser)), mas a participação de Thây como principal palestrante na Conferência da ONU em maio de 2008 fez com que o retiro fosse transferido para Hanói.

Poucas vezes vi Thây tão feliz. Apesar de ter sido autorizado pelo governo para entrar no Vietnã pela 3a. vez, seu exílio infelizmente continua e ele não tem trânsito livre no país. Imagino o quão especial deve ter sido para ele estar com sua Sangha em Hanói, comemorando o ano do Budismo Engajado, esse budismo que é a síntese de sua prática, sua vida.

Hanói, Hanói
Hanói é uma cidade peculiar. São 5 milhões de habitantes e (pasmem!) 4 milhões de motos. Apesar do pequeno número de automóveis, a poluição é tão intensa que muitos motociclistas usam máscaras de pano. Buzinas soam sem parar, pois há semáforos apenas nas avenidas principais. Neste caos, como fazer para atravessar a rua? Muito simples: 1) inspire, expire; 2) concentre toda sua atenção no bando de motociclistas que estão vindo para cima de você; 3) faça meditação andando (um pouco mais rápido, lógico) e não pare (sim, não pare, isto é muito importante). As motos vão começar a se desviar de você e seguir caminho. É incrível, mas é o procedimento local - e funciona!
Outro aspecto marcante é a calçada da área mais antiga da cidade (Old Quarter). O mais fácil é andar pela rua mesmo, pois as calçadas ficam lotadas de motos, camelôs de todos os tipos e até famílias inteiras fazendo suas refeições, com mesinhas improvisadas e banquinhos. Mas apesar de tanta pobreza e sujeira, não há sinais de violência e poucas vezes vi um povo tão gentil, solícito e sorridente. Quando penso no sofrimento, nas guerras, na injustiça social, moral e religiosa que abalaram o país, quando vejo a doçura nas palavras de Thây e no sorriso das crianças vietnamitas, entendo de onde vem a força da transformação, essa força que nos é transmitida por nossos ancestrais espirituais.

Sou Feliz, Aqui e Agora
Resquícios do velho Comunismo continuam presentes em Hanói. Pudemos senti-los até mesmo no hotel do retiro. Guardas fardados circulavam pelo pátio e alguns participantes até comentaram, brincando, que se sentiam em um verdadeiro ´´presídio´´, já que Thây havia pedido carinhosamente que não saíssemos do hotel naquela semana, da mesma forma como não sairíamos do mosteiro para fazer compras ou turismo.
Pessoalmente, percebo que tal ambiente me permitiu vivenciar algo totalmente novo. Em vez do silêncio, da tranqüilidade e das lindas paisagens que os mosteiros ou locais escolhidos para os retiros normalmente nos proporcionam, desta vez estávamos em uma cidade poluída e barulhenta, em um ambiente com pouca vegetação e muito árido. Sabe aqueles momentos em que algo na palestra do Dharma pegou fundo e você quer ficar sozinho, procurar algum campo bonito para ver o pôr do sol ou deitar na relva e sentir a brisa? Pois é, lá não tinha nada disso. No começo, confesso que foi um pouco angustiante, mas aí é que entra a beleza da prática, que provoca transformações e permite que você seja realmente feliz, no aqui e no agora. Tive que praticar mesmo a escuta atenta para conseguir ouvir os pássaros e insetos, olhar profundamente para perceber a beleza que havia ali. E, lentamente, a cor viva das poucas flores do lugar foi se revelando, o verde intenso das árvores e o mar de sorrisos dos funcionários do hotel e de pessoas tão queridas que estavam totalmente presentes ali, naquele momento.

Impermanência
Na véspera da data marcada para a tão esperada caminhada com Thây pelo Lago Hoan Kiem, no centro de Hanói, fomos surpreendidos pela notícia de que deveríamos estar no local às 5:30 da manhã, e não às 8:30, conforme a programação. Não foi preciso dizer nada, estava claro para todos que fora a forma encontrada pelo governo para minimizar o ''impacto'' de Thây na população local.
O Lago ficava um pouco distante do hotel, portanto a Sangha se dividiu em grupos. No meu ônibus estava a Irmã Dang Nghiem, que nos contou que, para Thây, aquela caminhada era um presente da Sangha para o Vietnã e para os vietnamitas. Naquela manhã, a Sangha fluiu como um rio, como um só corpo, e entendi as palavras de Thây ao ver o carinho, as profundas reverências e as lágrimas nos rostos de tantos vietnamitas que nos aguardavam na região do Lago. Apesar da guerra, do regime comunista e da opressão religiosa no passado, o Dharma e o Budismo Engajado de Thây continuam vivos.

As Palestras do Dharma
Thây nos brindou com palestras diárias do Dharma e em cada uma delas contou um pouco sobre a história do Budismo Engajado, suas origens e toda a perseverança, diligência e compaixão que permitiram que os esforços iniciais da School of Youth for Social Services, fundada por ele, tivessem continuidade até hoje.

- texto: Denise Kato (Sangha Plena Consciência)
- fotos: Paul Davis
- Muito obrigado a Denise por essa doação de tempo e de esforço. Agardeço em nome de todos.

quinta-feira, junho 05, 2008

O que é uma Sangha

Você sabe o que é uma Sangha? No texto dessa semana (clique aqui) Thich Nhat Hanh nos explica o que é e como identificar uma verdadeira Sangha.

Segundo ele uma Sangha é uma comunidade de amigos praticando o Dharma juntos de forma a fazer acontecer e manter a consciência. A essência da Sangha é consciência, entendimento, aceitação, harmonia e amor. A Sangha não é um lugar para se esconder de forma a se evitar responsabilidades. A Sangha é um lugar para praticar, para a transformação e a cura do ego e da sociedade.

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sábado, maio 31, 2008

Inspirando, Expirando

Aproveitando imagens que capturei em retiros no Rio, São Paulo e Deer Park fiz um clip para a Música Breathe In, Breathe Out (Inspirando, Expirando) e disponibilizei na Internet para que você relaxe e aproveite. Espero que você goste.

Para assistir clique em http://www.youtube.com/watch?v=AZOLOUrhYLU.

quarta-feira, maio 28, 2008

Os Treinamentos da Ordem Interser (parte 5)

Sugerimos que nesse mês de junho você estude e procure formas de colocar em sua vida os dois últimos dos 14 treinamentos de plena atenção (clique aqui). Os treinamentos não são mandamentos, mas guias que nos ajudam a praticarmos para sermos mais felizes. Os treinamentos estão abaixo e o comentário sobre cada um deles no texto em anexo.

O DÉCIMO TERCEIRO TREINAMENTO (Generosidade) - Consciente do sofrimento causado pela exploração, injustiça social, pelo roubo e pela opressão, comprometo-me a cultivar a bondade amorosa e a aprender meios de agir para o bem estar das pessoas, animais, plantas e minerais. Praticarei a generosidade compartilhando meu tempo, minha energia e meus recursos materiais com aqueles que são necessitados. Estou determinado a não roubar e a não possuir qualquer coisa que deveria pertencer a outros. Respeitarei a propriedade alheia, mas tentarei evitar que outros tirem proveito do sofrimento humano ou do sofrimento de outros seres.

O DÉCIMO QUARTO TREINAMENTO(Conduta Correta) - Consciente que relações sexuais motivadas por apego não podem dissipar o sentimento de solidão, mas apenas criar mais sofrimento, frustração e solidão, estou determinado a não me engajar em relações sexuais sem compreensão mútua, amor e compromisso de longo prazo. Nas relações sexuais devo estar consciente do sofrimento futuro que posso causar. Eu sei que para preservar minha felicidade e a dos outros, devo respeitar tanto meus direitos e compromissos quanto os das outras pessoas. Farei de tudo que estiver ao meu alcance para proteger as crianças do abuso sexual e proteger os casais e famílias da má conduta sexual. Tratarei nosso corpo com respeito e preservando minhas energias (sexual, respiratória e espiritual) para a realização do meu ideal de bodhisatva. Serei plenamente consciente da responsabilidade de trazer novas vidas a este mundo e meditarei sobre o mundo para o qual estamos trazendo novos seres.

Para entender o que são os 14 Treinamentos de Plena Atenção e a Ordem Interser leia o texto já publicado aqui.

Olhe profundamente e leia o texto (clique aqui).

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quinta-feira, maio 22, 2008

Os primeiros ensinamentos

Nessa semana em que comemoramos o Vesak, o nascimento do Buda, sugerimos que você se delicie com esse texto (clique aqui) de Thich Nhat Hanh retirado de seu romance sobre a vida do Buda. Nele Sidarta ensina para crianças logo após sua iluminação sob a árvore Bodhi.

O texto fala de uma forma extremamente simples e direta sobre um dos fundamentos de nossa prática: viver em atenção plena. Thay também mostra o porquê de se buscar a atenção plena em cada momento da vida. Nesse mês do Vesak aproveite para ter um contato direto com o Buda histórico.

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quarta-feira, maio 14, 2008

Momento de Gratidão, Momento de Iluminação

Convidamos você essa semana a buscar momentos de gratidão pela pessoa ou pelas pessoas que compartilham a sua vida. Alguém que você aprecie profundamente a presença. Você pode se sentir grato por a outra pessoa estar viva e ter estado ao seu lado durante momentos muito difíceis.

No texto dessa semana (clique aqui), Thay nos convida a praticar a criação do nosso Sutra do Coração. Através dessa prática seremos capazes de atravessar da margem da raiva e do sofrimento para a margem da paz e da libertação. É uma prática fácil mas eficaz para nos ajudar a sermos mais felizes e termos mais momentos de iluminação.

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A paz é o caminho

Se você participou dos retiros que aconteceram ano passado no Rio e São Paulo ou assistiu a uma das palestras, te convido a ouvir uma canção clicando abaixo. Mesmo se você não participou dos eventos citados vale a pena ouvir em uma voz afinada e doce, a Irmã Jóia, monja de Plum Village, cantando uma música lindíssima chamada Peace is the Way (A paz é o caminho). E se você entende inglês, sugiro prestar atenção na letra que é muito profunda.

Se você não conseguir clicar abaixo pode clicar no link http://www.youtube.com/watch?v=_37KAk03Y_k para ouvir direto do site.







- Agradecimentos especiais ao Marcelo do site paraserzen.blogspirit.com.

quarta-feira, maio 07, 2008

Dois Bodisatvas

O texto que sugerimos essa semana (clique aqui) mostra a história de dois bodisatvas descritos no Sutra de Lótus: Dharanimdhara e Kshitigarbha.

Dharanimdhara significa Protetor-da-Terra. Ele trabalha para preservar este planeta para os seres vivos tomando conta do ar, da água e do solo. Aqueles que trabalham pra proteger o meio ambiente e manter um ecossistema sadio neste planeta Terra são todos aliados deste bodhisattva. Nós todos devemos nos tornar os braços e as mãos deste bodhisattva para proteger e preservar a Terra para as futuras gerações.

Kshitigarbha significa Tesouro-da-Terra. Ele é alguém que se comprometeu a ir nos lugares mais obscuros do universo para resgatar aqueles que estão nos estratos de maior desespero, nas situações de maior sofrimento. Ele se comprometeu a ir àqueles lugares onde não há liberdade, democracia, compaixão ou dignidade humana, onde há opressão, injustiça, desigualdade social e guerra. As pessoas que escolhem ir para lugares de grande sofrimento no mundo para ajudar aqueles que são oprimidos e não tem meios de viver uma vida decente são os seus aliados.

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quinta-feira, maio 01, 2008

14 Treinamentos da Ordem Interser (parte 4)

Sugerimos que nesse mês de maio você estude e procure formas de colocar em sua vida três dos 14 treinamentos de plena atenção (clique aqui). Os treinamentos não são mandamentos, mas guias que nos ajudam a praticarmos para sermos mais felizes. Os treinamentos estão abaixo e o comentário sobre cada um deles no texto em anexo.

O DÉCIMO TREINAMENTO (Protegendo a Sangha) - Consciente de que a essência e o objetivo de uma Sangha é a prática da compreensão e da compaixão, estou determinado a não usar a comunidade budista para ganhos pessoais, proveitos, ou transformar nossa comunidade num instrumento político. Uma comunidade espiritual deve, contudo, tomar uma posição clara contra a opressão e a injustiça e deve empenhar-se para mudar a situação, sem se engajar em conflitos partidários.

O DÉCIMO PRIMEIRO TREINAMENTO(Meio de Vida Correto) - Consciente de que grande violência e injustiça têm sido impingidas ao meio ambiente e à sociedade, comprometo-me a não viver com uma vocação que seja prejudicial aos homens e à natureza. Farei o melhor possível para escolher um meio de vida que ajude a realizar o meu ideal de compreensão e compaixão. Consciente da realidade econômica, política e social global, terei comportamento responsável como consumidor e como cidadão, não investindo em empresas que privem outros seres da chance de viver.

O DÉCIMO SEGUNDO TREINAMENTO (Reverência à vida) - Consciente que as guerras e os conflitos causam muitos sofrimentos, estou determinado a cultivar a não violência, a compreensão e a compaixão em minha vida diária, promovendo a educação para a paz, a mediação plenamente consciente e a reconciliação dentro das famílias, comunidades, nações e no mundo. Estou determinado a não matar e a não deixar que outros matem. Praticarei diligentemente a observação profunda junto à minha Sangha para descobrir maneiras melhores de proteger a vida e evitar a guerra.

Para entender o que são os 14 Treinamentos de Plena Atenção e a Ordem Interser leia o texto já publicado aqui.

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