segunda-feira, março 30, 2009

Carne aumenta risco de câncer e doença cardíaca

Comer carne vermelha e carne processada (bacon, salsicha, presunto defumado) em excesso aumenta o risco de desenvolvimento de câncer no sistema digestivo e de doenças cardiovasculares. É o que aponta estudo realizado com 500 mil americanos de 50 a 71 anos de idade, divulgado na semana passada, pelo Jornal da Associação Médica Americana (Jama).

De acordo com a pesquisa, em dez anos de acompanhamento, morreram 47.976 homens e 23.276 mulheres entre os 500 mil analisados no período. Do total, 11% das mortes entre os homens e 16% dos óbitos entre as mulheres poderiam ser adiados se houvesse redução do consumo de carne vermelha para 9 gramas do produto a cada mil calorias ingeridas.

O grupo que mais comeu carne vermelha (68 g/1.000 calorias) foi o que apresentou maior incidência de morte. Entre as mortes causadas por doenças cardiovasculares, a diminuição do risco seria de até 21% entre as mulheres.

O perigo da carne processada é devido ao alto teor de sal e gordura saturada, que eleva o risco de contrair doenças cardiovasculares e hipertensão arterial.

(Fonte: www.destakjornal.com.br)

quarta-feira, março 25, 2009

Reconciliação

Você tem algum problema com seus pais? Guarda alguma mágoa pelo que eles fizeram ou não no passado? O texto (clique aqui) fala sobre reconciliação, em particular a reconciliação com nossos ancestrais.

Thay ensina que somos a continuação dos nossos pais; nós somos nossos pais. O único caminho é buscar reconciliação conosco mesmo e com os nossos pais internos. Não há outra maneira. Fomos vítimas de comportamentos negativos, sementes negativas, mas através da prática profunda, percebemos que a outra pessoa, nossos pais, podem também ser vítimas da transmissão dessa semente. Quando você vê seus pais como vítimas da transmissão, sua raiva desaparece.

Quando olhamos para todos os seres com esses olhos paramos de culpar e julgar. Passamos a querer ajudar a transformar. Leia, reconcilie e depois divida sua experiência sobre o texto (clique aqui) em nosso blog.

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domingo, março 22, 2009

Sem complexos

O método oferecido pelo Buda serve para remover o sofrimento e cultivar o bem estar. Bem estar pode ser descrito como saúde mental. Quando temos baixa auto-estima, a saúde mental não está presente. Psicoterapeutas tentam ajudar pessoas a cultivar o oposto da baixa auto-estima. Mas o que podemos dizer da alta auto-estima? Alta auto-estima é também uma forma de doença mental. Você perdeu contato com a realidade e imagina coisas sobre si mesmo.

Seres humanos olham superiormente para outros seres vivos. Pensamos que os animais são criados para nos alimentar e que podemos fazer o que quisermos com animais, vegetais e minerais. Não somos saudáveis nesse aspecto. Há um outro tipo de estima, não um complexo de inferioridade ou de superioridade, mas a idéia que somos completamente iguais. Nos ensinamentos do Buda isto também é uma doença, porque é baseada na noção de eu, ego. "Eu sou igual a ele. Eu não sou pior que ele." Soa bom, sem baixa auto-estima ou alta auto-estima, mas é um aviso que você está ainda preso a noção de eu.

Nos ensinamentos do Buda, considerar você mesmo superior a outra pessoa, inferior a outra pessoa, ou igual a outra pessoa são percepções erradas. A correta noção de equanimidade é chamada a sabedoria de samata. De acordo com essa sabedoria, você divide a mesma base com outros seres vivos. Se uma pessoa tem a semente da budeidade, você também tem. Se uma pessoa tem a capacidade de se tornar completamente iluminado, você também tem essa capacidade. Se uma pessoa tem a capacidade de amar e ser feliz, você também, porque vocês dividem a mesma base do ser.

- Thich Nhat Hanh (Do livro "The Path of Emancipation")


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quarta-feira, março 18, 2009

Praticando Plena Consciência

Selecionamos nessa semana um texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh explica uma das práticas mais básicas do budismo, a plena consciência.

Thay ensina que não há paz ou felicidade sem plena consciência. Plena consciência é lembrar de voltar ao momento presente. Tudo que estamos procurando está aqui no momento presente. Se permitirmos a nós mesmos estar no momento presente, teremos a capacidade de tocar as coisas maravilhosas. Mas se não nos permitirmos, continuaremos a lutar. Plena consciência nos ajuda a viver de forma mais feliz e ver a beleza das coisas mais profundamente.

Leia e pratique e depois divida sua experiência sobre o texto (clique aqui) em nosso blog.

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Caça e Caçadores

Plum Village encontra-se numa região rural, cercada por vinhedos e plantações de girassóis, e muitos bosques. Em alguns destes bosques é permitida a caça, e às vezes, de Plum Village ouvimos os tiros dos caçadores. Ou então, quando vamos fazer meditação caminhando nestes bosques, deparamo-nos com as armadilhas e as torres de observação utilizadas pelos caçadores. Dentro da tradição de Budismo Engajado nasce esta iniciativa de Plum Village, através do monge Pháp An, de oferecer uma alternativa pacífica à caça esportiva, olhando em profundidade todo o contexto de interser que dá origem a essa atividade. Esta carta foi traduzida para diversos idiomas e tem sido compartilhada com Sanghas ao redor do mundo, que depois fornecem feedback a Plum Village. O Marcelo Abreu da Sangha Plena Consciência (SP) que passou recentemente 6 meses em Plum Village traduziu e se comprometeu com o Pháp An de compartilhar a iniciativa dele com a Sangha brasileira. O nosso blog se une a iniciativa de Plum Village e do Marcelo e divulga a carta.


Caro Thây, cara comunidade, caros amigos,

Irmão Phap An tem uma idéia, uma visão, a qual tem compartilhado com inúmeros praticantes, vindos de distintos paises e meios culturais e sociais, e que estão passando o Retiro de Inverno no templo de Son Ha, Plum Village, França. Hoje gostaríamos de compartilhar esta visão com Thây, com a comunidade, com membros da Ordem do Interser e praticantes de Sanghas laicas locais, pedindo que nos ajudem a tentar dar vida e substância a esta idéia.

É sobre caça e caçadores.

Desfrutamos profundamente passear pelas florestas, e estamos cientes de que caçadores e associações de caça participam significativamente na manutenção de trilhas e da acessibilidade à mata, tornando possível caminhar ali.

Estamos cientes de que a motivação dos caçadores é o amor à natureza, a busca do contato com a natureza e com suas próprias raízes.

Em tempos passados, nossos ancestrais tinham de caçar para alimentar-se, e às suas famílias. Atualmente, entretanto, os tempos mudaram e, num país desenvolvido, não mais precisamos caçar para alimentar nossas famílias.

De caçadores coletores, nossos ancestrais tornaram-se fazendeiros e pastores; mantiveram porém e nos transmitiram o desejo pela liberdade e proximidade com a natureza selvagem, que talvez só seja verdadeiramente conhecida por caçadores coletores.

Também estamos cientes de que nossos ancestrais atravessaram muitas guerras, mortandades, massacres, algumas vezes como presas e outras como predadores, e que as sementes da violência e do terror experienciados por eles estão presentes em cada um de nós.

Estamos cientes, ainda, da degradação do meio-ambiente e da violência associada ao uso de armas, no presente.

Neste contexto, como podemos reconciliar, hoje em dia, a nobre aspiração de viver livremente em contato com a natureza, com respeito pela vida e pela natureza em todos os aspectos, incluindo animais, plantas e minerais? Como podemos transmitir a nossos filhos e descendentes a rica herança que nos foi dada por nossos ancestrais, sem ao mesmo tempo transmitir-lhes todo o sofrimento associado à violência, guerras, mortandades, massacres, que nossos ancestrais atravessaram?

Aqui podemos manifestar nossa visão, nosso projeto:

Propondo, localmente, através das Sanghas laicas locais de Plum Village, em tantos lugares do mundo quanto possíveis, para associações ligadas ao meio-ambiente, à caca, e para associações de fotógrafos amadores, tornarem-se parte de uma campanha que poderia ser chamada:
OS CAÇADORES DE IMAGENS

Esquema desta campanha:
Competição de fotografia de animais vivendo em seu habitat natural.
Serão convidados a participar:
- caçadores, familiarizados com os animais e seu meio-ambiente,
- fotógrafos amadores,
- todos os amantes da natureza.

- Um júri pode selecionar fotos baseadas em critérios artísticos e na representação do meio-ambiente e comportamento dos animais. - Tal júri pode ser composto por membros de grupos para conservação do meio-ambiente, associações de caça e fotógrafos profissionais.
- Os prêmios incluiriam câmeras e outros equipamentos de alta qualidade, doados por patrocinadores, encorajando os participantes a desenvolver seus talentos.
- Um site na internet pode ser criado a fim de compartilhar as fotos e as experiências dos participantes.

Nossos objetivos:
- Promover a proteção à vida e ao meio-ambiente através da arte e da ciência da fotografia;
- Ajudar caçadores e todos os amantes da natureza a reconhecer que compartilham o amor pela natureza e o desejo de conservar e proteger nossa herança comum;
- Facilitar a comunicação construtiva e amistosa e o compartilhar de conhecimento entre pessoas (por exemplo, caçadores poderiam compartilhar com os habitantes urbanos seus conhecimentos sobre a floresta; fotógrafos amadores poderiam compartilhar seu conhecimento e paixão pela fotografia; aqueles que amam a vida poderiam compartilhar seu cuidado e respeito à vida em todas as suas formas);
- Desenvolver a consciência da importância cultural, histórica e ecológica de proteger e transmitir a nossas crianças espaços naturais livres e protegidos de toda violência.

Nota 1: Fotografar animais vivendo livremente na natureza requer grande paciência e concentração, as quais são qualidades de um verdadeiro caçador; também requer humildade e compaixão, que são qualidades de um verdadeiro ser humano.
Nota 2: Não se pode empunhar uma arma e uma câmera ao mesmo tempo. Desejamos encorajar nossos irmãos caçadores a trocar suas armas por uma câmera, e regar suas sementes de compaixão, estimulando-os a reconhecer o valor da vida e a curar as feridas da violência em nossa consciência coletiva.

Voila, apresentamos assim nossa visão, nosso projeto. Este projeto pode ser traduzido e apresentado a Sanghas ligadas a Plum Village em todo o mundo, como um exercício e proposta de colocar em prática aquilo que chamamos de Budismo Engajado. Tal exercício pretende colocar em prática:
- Ética: proteger a vida e o meio-ambiente;
- Olhar em profundidade: enxergar a relação de interser entre homens e natureza, entre caçadores e ativistas ecológicos, e entre todos nós, incluindo nossos ancestrais e descendentes;
- Discernimento: capacitar-nos a encontrar e utilizar meios hábeis de mover-nos de uma visão correta na direção da ação correta, através do discurso correto.


Obrigado por sua resposta e por oferecer-nos sugestões.

Participaram da preparação e várias traduções deste projeto:
Kelsang Jampel (USA), David (Canadá), Ricardo (Itália), Robert (Alemanha), Bart e Yuri (Bélgica e México), Karel, Gerard (Holanda), Gerard (Catalunha), Gregorio (Espanha), Marcelo (Brasil), Phap An (França)

terça-feira, março 17, 2009

A linguagem do Zen

Em uma corrida pela paz na Filadélfia, em 1966, um repórter perguntou-me, "Você é do Vietnã do Norte ou do Sul?" Se eu dissesse que era do norte, ele teria pensado que eu era pró-comunista, e se dissesse que era do sul, ele teria pensado que eu era pró-americano. Então respondi, "Eu sou do Centro".


Eu queria ajudá-lo a deixar suas noções e a encontrar a realidade que estava bem na frente ele. Esta é a linguagem do Zen.


Um monge Zen viu um belo ganso voando e quis compartilhar sua alegria com seu irmão mais velho, que estava caminhando ao lado dele. Mas por um momento, esse outro monge se abaixou para tirar uma pedra de sua sandália. Quando ele olhou para cima, o ganso já tinha ido. Ele perguntou, "O que você queria que eu visse?", mas o monge mais novo permaneceu em silêncio.


O mestre Tai Xu disse, "Enquanto a árvore estiver atrás de você, você poderá ver apenas a sua sombra. Se você quiser tocar a realidade, você deve se virar."


O "ensinamento de imagem" usa palavras e idéias. O "ensinamento de substância" comunica-se pelo modo em que você vive.

-Thich Nhat Hanh

quarta-feira, março 11, 2009

Acredite na sua experiência antes de aceitar algo

Essa semana sugerimos o texto (clique aqui) retirado de uma palestra do Thay em um retiro para cientistas em 2005, onde Thich Nhat Hanh diz que os ensinamentos do Buda são verdadeiramente científicos. O budismo não pode ser descrito como ciência, mas tem o espírito científico.

O Buda disse: "Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo."

Pratique esse espírito de desapego a idéias, liberdade de pensamento e abertura a outros pontos de vista! Leia o texto (clique aqui).

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quarta-feira, março 04, 2009

Começando Novamente

No texto sugerido desta semana (clique aqui) Thay nos fala sobre a importância da prática do Começar de Novo. Ele diz que deveríamos saber nascer, saber começar novamente, como um novo ser a cada momento de nossas vidas. Nós não devemos ficar presos na prisão da culpa apenas porque cometemos enganos em nossas vidas. Sem cometer enganos não há nenhum modo de aprendermos formas de ser uma pessoa melhor. Eis porque os erros têm um papel em nosso treinamento, em nossa aprendizagem.

Thay também diz que nossa boa vontade não é suficiente para a prática. Temos que ser hábeis em nossa prática. Caminhando, comendo, respirando, falando, trabalhando, deveríamos aprender a arte de viver atentos, porque se formos bons artistas, poderemos criar muita felicidade e alegria ao nosso redor e dentro de nós; mas se possuirmos apenas boa vontade, não será suficiente porque com boa vontade podemos causar muito sofrimento.

Reflita sobre o texto, e comente em nosso blog.

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Vídeo do 2o Treinamento

O Samuel Cavalcante de Fortaleza nos brinda com mais um vídeo feito por ele. Dessa vez podemos assistir ao 2o. Treinamento de Plena Consciência em belas imagens e trilha sonora. Aproveitem. Conheçam o blog dele clicando em http://interserblog.blogspot.com


Instituto Budista abre na Alemanha

O Instituto Europeu de Budismo Aplicado (EIAB) abriu em setembro de 2008 em Waldbrol, Alemanha. A primeira visita de Thay ao EIAB depois de ter sido adquirido pela comunidade de Plum Village aconteceu na segunda semana de setembro de 2008. Os monges e monjas que acompanharam Thay na visita não puderam contar com calor ou água quente porque o prédio estava desabitado há 2 anos e havia uma grande necessidade de limpar o local. O prefeito de Waldbrol gentilmente ofereceu os serviços da cidade para limpar o local antes da conferência de imprensa presidida por Thay.

O prédio foi construído em 1897, por um filantropo local para tratamento de doentes mentais de famílias que não podiam pagar pelo tratamento. Em 1938 os nazistas removeram 700 pessoas da cidade para local incerto, inclusive alguns pacientes do hospital. Muitos foram mortos por injeção ou esterelizados pelos nazistas. O hospital se tornou um dos centros recreacionais de Hitler. Desde o fim do nazismo o prédio voltou a ser um hospital e depois uma academia militar da OTAN. O passado deste prédio é de filantropia e compaixão bem como de ignorância e sofrimento.

O prédio foi chamado de Casa da Transformação. Durante o retiro de inverno, as portas estavam abertas para os habitantes locais para que se juntassem aos monásticos nas meditações sentadas e caminhando, bem como em 2 dias de plena consciência a cada semana. Os habitantes locais expressaram sua apreciação pela paz e alegria que sentem quando estão com os monásticos.

- Da revista Minsfulness Bell n. 50

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Perguntas e Respostas

O texto sugerido desta semana (clique aqui) transcreve um sessão de perguntas e respostas feitas em um retiro em Vermont, EUA. Nessa sessão os praticantes fazem perguntas diversas para Thay.

As perguntas são: Porque devemos nos alimentar em silêncio durante o retiro? Como praticar quando alguém continuamente rega suas sementes negativas? Sou lésbica e me sinto discriminada pela sociedade. Como lutar para mudar essa situação? Confira as respostas do Thay clicando aqui.

Reflita sobre o texto, e comente em nosso blog.

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domingo, fevereiro 15, 2009

Receber, abraçar e transformar

Um dia o Buda deu a Rahula, um jovem monge, uma palestra de Dharma sobre a capacidade da Terra de receber, abraçar e transformar todos os tipos de elementos. Há quatro grandes elementos: terra, água, fogo e ar. Todos os quatro grandes elementos têm a capacidade de receber, abraçar e transformar. “Rahula”, o Buda disse, “aprenda a ser como a terra. Se as pessoas derramarem leite ou fragrância, depositarem flores ou jóias ou derramarem urina, excremento ou muco na terra, ela os recebe sem discriminação.” Por quê? Porque a terra tem a capacidade de receber, abraçar e transformar. A terra pode receber excrementos e urina porque é imensa. Ela os transforma em flores, grama e árvores. Se você cultivar seu coração de forma que seja aberto, se tornará imenso como a terra e poderá abraçar qualquer um ou qualquer coisa sem sofrimento.

Se você colocar um punhado de sal em uma bacia e agitá-la, a água se torna tão salgada que não se pode beber. Se você coloca esta água em um rio, ele não é afetado porque é imenso. Se seu coração é como o rio, você não sofrerá devido a pequenos problemas. Sofremos porque nossos corações são pequenos e não inclusivos. Nossos corações têm a tendência a excluir e eliminar.

-Thich Nhat Hanh (traduzido do livro "The Path of Emancipation")

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Soltando Nossas Vacas

Existe alguma coisa que você possui que considere fundamental para seu bem estar e felicidade? Um emprego? Dinheiro? Um imóvel? Um relacionamento? Uma ideologia ou filosofia?

Thich Nhat Hanh nos convida a olhar em profundidade (clique aqui) para essas coisas e perceber se elas contribuem realmente para nossa felicidade ou sofrimento. Há muitas coisas que não somos capazes de deixar para trás, que nos prendem. Se você não está feliz por que está preso nelas, deixá-las para trás será fonte de alegria para você. Liberdade é a base de nossa felicidade. Não podemos ser felizes se estamos presos.

Reflita sobre o texto, e comente quais são suas vacas em nosso blog. O que você vai fazer para soltá-las?

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quarta-feira, fevereiro 04, 2009

O Meio de Vida Correto

Sugerimos que você nesse mês de fevereiro leia e reflita sobre o texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh discute mais uma prática do Caminho Óctuplo, o caminho das práticas que nos liberta do sofrimento: o Meio de Vida Correto.

Para praticar o Meio de Vida Correto, é necessário encontrar uma forma de ganhar a vida que não represente uma transgressão aos ideais de amor e compaixão. A forma pela qual você se sustenta pode ser uma expressão do seu ser mais profundo ou pode ser uma fonte de sofrimento para você e para os outros.

Temos sempre que ter consciência das consequências, imediatas ou remotas, do nosso trabalho. O Meio de Vida Correto não é apenas uma questão de escolha pessoal. Ele representa o nosso carma coletivo.Tudo o que fazemos é parte de nosso esforço de praticar o Meio de Vida Correto. Trata-se de um assunto muito mais amplo do que apenas o meio pelo qual obtemos nossa renda mensal.

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Vídeo do Primeiro Treinamento

Nosso amigo Samuel Cavalcante de Fortaleza fez um vídeo ilustrando o Primeiro Treinamento de Plena Consciência. Vale a pena assistir. Agradeço ao Samuel pelo presente. Quem quiser conferir outras preciosidades dos ensinamentos do Thay pode visitar o blog dele em http://interserblog.blogspot.com/



segunda-feira, fevereiro 02, 2009

As Cinco Consciências no Casamento

Em Plum Village, toda vez que há um casamento, a comunidade inteira celebra a união e leva seu apoio aos noivos. Depois da cerimônia, a cada lua cheia, o casal recita as Cinco Consciências juntos, relembrando que amigos de toda parte apóiam seu relacionamento. Seja a união firmada ou não por lei, ela será mais forte e mais duradoura se tiver sido realizada na presença de uma Sangha - amigos que amam as duas pessoas e as apóiam dentro do espírito da compreensão e do amor.

Antes das duas pessoas se casarem, elas têm que realizar junta a prática da plena consciência e, tornando-se casados, deverão continuar praticando as Cinco Consciências como manifestação da Plena Consciência:



  • Somos conscientes de que todas as gerações dos nossos ancestrais e da nossa descendência estão presente em nós.

  • Somos conscientes das esperanças que nossos ancestrais, nossos filhos e os filhos de nossos filhos depositam em nós.

  • Somos conscientes de que nossa alegria, nossa paz, nossa liberdade e harmonia, são a alegria , a paz, a liberdade e a harmonia de nossos ancestrais, de nossos filhos e dos filhos de nossos filhos.

  • Somos conscientes de que a compreensão é o próprio fundamento do amor.

  • Somos conscientes de que reclamações e brigas não nos ajudam e fazem apenas crescer o fosso entre nós. É unicamente graças à compreensão, à confiança e ao amor que podemos nos transformar e crescer.

Na primeira consciência nos vemos como um elemento de continuação dos nossos ancestrais e um elo para as gerações futuras. Quando adquirimos essa visão, sabemos que, tratando bem o corpo e a consciência no momento presente, estamos cuidando de todas as gerações passadas e futuras.

A segunda consciência nos lembra que nossos antepassados têm expectativas em relação a nós, assim como nossos filhos e netos. Nossa felicidade é a felicidade deles, e nosso sofrimento é o sofrimento deles também. Observando a fundo, saberemos o que nossos filhos e netos esperam de nós. Pode ser que ainda não os estejamos vendo em pessoa, mas eles já estão conversando conosco. Querem que vivamos de tal modo que não sejam infelizes quando se manifestarem. Os budistas vietnamitas não se vêem como indivíduos separados de seus ancestrais e sim como uma continuação que representa todas as gerações anteriores. As ações do casal não visam apenas satisfazer suas necessidades físicas e espirituais como indivíduos. Elas também têm como objetivo concretizar as esperanças e expectativas de seus ancestrais, bem como preparar as futuras gerações.

A terceira consciência nos diz que a alegria, paz, liberdade e harmonia não são questões individuais. Temos que viver de modo que possamos permitir a libertação dos ancestrais que estão dentro de nós, o que significa nos libertar. Se não agirmos assim, ficaremos amarrados por toda a vida e transmitiremos isso aos nossos filhos e netos. Agora é a hora de libertarmos os nossos pais e os ancestrais que estão dentro de nós. Oferecer-lhes alegria, paz, liberdade e harmonia proporciona, ao mesmo tempo, alegria, paz, liberdade e harmonia a nós mesmos, a nossos filhos e nossos netos. Isso reflete o ensinamento da interconexão. Enquanto nossos ancestrais, que estão em nós sofrendo, permanecerem sofrendo, não poderemos ser realmente felizes. Dando um passo com plena consciência, livre e felizes ao tocar a terra, o fazemos por todos - por nossos ancestrais e as gerações futuras. As três primeiras consciências são aspectos de um ensinamento profundo. Temos que continuar a estudá-las e praticá-las para aprofundarmos a nossa compreensão.

A quarta consciência é também um ensinamento básico do Buda. Onde existe compreensão, existe amor. Quando entendemos os sofrimento de alguém, ficamos motivados a ajudar, e as energias do amor e da compreensão são liberadas. O que quer que façamos com esse espírito será para a felicidade e libertação da pessoa que amamos. Às vezes , porém, destruímos essa pessoa. É como o general americano, quando disse que suas bombas tinham que destruir a cidade de Bem Tre para salvá-la. Precisamos praticar de modo a que tudo o que fizermos para os outros os torne felizes. Vontade de amar não suficiente. Se as pessoas não se entendem é impossível uma amar a outra.

Quando as pessoas se casam, elas formam uma Sangha de dois a fim de praticarem o amor - cuidar uma da outra, fazer o cônjuge florescer como uma flor, tornando a felicidade algo real. A felicidade não é uma questão individual. A pessoa deve procurar sorrir pelo menos uma vez ao dia, não só por ela mesma, mas pela outra também. Tem que praticar a meditação andando, não só pela outra, mas por si mesma também. Estamos ligados a muitos seres e pessoas. Cada passo, cada sorriso tem um efeito sobre todos os que nos rodeiam. Nossa felicidade é a felicidade de outras tantas pessoas.

- Thich Nhat Hanh
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quarta-feira, janeiro 28, 2009

A Paz está na Esquina

O conflito entre palestinos e israelenses é o tema de nossa semana. Se você olhar em profundidade poderá ver que também vivemos essas guerras em nossa realidade. É o asfalto contra o morro. A polícia contra os traficantes. Olhando mais em profundidade poderemos ver que a guerra pode ser filho contra pai, marido contra mulher, nós contra alguém na rua que nos aborrece. São todos conflitos humanos. Como resolvê-los?

Sugerimos essa semana (clique aqui) dois artigos traduzidos da revista Mindfulness Bell. O primeiro é um relato de uma israelense e a forma como a escuta atenciosa e a fala amorosa resolveram um mini-conflito árabe-israelense. O segundo é a resposta de Thay a pergunta de um soldado israelense sobre quando a força deve ser usada.

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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Gratidão, a Primeira Ceia

Você sente gratidão pelas coisas que tem? E pelo que recebeu? É grato a seus pais pelo amor que recebeu? Thich Nhat Hanh, no texto sugerido (clique aqui), diz que se sente extremamente grato por tudo. Todas as vezes em que toca a comida, sempre que vê uma flor, quando respira ar puro.

Thay diz que "Sempre que fazemos uma refeição, praticamos a gratidão. Somos gratos por estarmos juntos numa comunidade. Somos gratos por termos alimentos para comer, e realmente apreciamos a comida e a presença uns dos outros. Sentimo-nos gratos durante toda a refeição e todo o dia, e expressamos esse sentimento ficando completamente conscientes da comida e vivendo profundamente cada momento. É assim que tento manifestar minha gratidão a toda a vida. "

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(Foto:Leonardo Dobbin)

quinta-feira, janeiro 15, 2009

A Consciência do Momento Presente

Um dos pilares da prática budista é o estar no aqui e agora e para isso é necessário vencer energias de hábito que nos empurram para o esquecimento. A energia através da qual nós fazemos estas coisas é a Consciência. Consciência é um tipo de energia que nos ajuda a estar atentos ao que está acontecendo.

Sugerimos essa semana a leitura da transcrição de uma palestra do Thay (clique aqui) onde ele nos explica o que é a consciência. Thay define a consciência como a prática de estar ali, corpo e mente unidos. A prática de estar totalmente presente, a prática de estar totalmente vivo. Você tem um encontro com a vida - e você não deveria perdê-lo. O tempo e o espaço de seu encontro são o aqui e o agora.

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(Foto:Leonardo Dobbin)

Carta da Sangha de Jerusalém

Querido Thay, Querida Sangha,

Esta manhã, em casa, em Jerusalém, chorei.

Para minha surpresa, não chorei pelos habitantes de Gaza e do sul de Israel, nem pelos jovens israelenses convocados para o serviço militar, por quem sinto uma preocupação natural. Estava meditando sobre o dilema moral enfrentado pelo governo e pelos militares: mísseis e foguetes escondidos em escolas cheias de crianças e de pessoas inocentes em Gaza, lançados sobre crianças e inocentes em Israel. Felizmente, o jardim da infância destruído há poucos dias em Israel havia sido evacuado. A neutralização de mísseis e foguetes antes do lançamento mata crianças e inocentes. A não-neutralização também mata crianças e inocentes. De repente me dei conta do grande sofrimento e do enorme peso da responsabilidade dos tomadores de decisão do governo de meu país, dos quais discordo em tantos aspectos e que infelizmente não tiveram a oportunidade de obter maior clareza da mente através da prática. Ao pensar nas decisões que precisam tomar... Não desejo que ninguém esteja em seu lugar.

Meditei sobre a impermanência usando trechos de um livro do Thay, “Transformation and Healing”, e estou ciente de que minha capacidade de mudar a situação em Gaza – hoje – é limitada. Farei tudo que estiver ao meu alcance para cessar o conflito, mas sei também que as pessoas permanecerão na ignorância, no sofrimento e acabarão transmitindo suas dificuldades, lembranças, sentimentos e formações mentais de uma geração a outra. Devido à natureza da impermanência e do interser, algum dia todos esses fios que estão vivos hoje, a poucas centenas de quilômetros daqui, entrarão em contato com os fios que estou tecendo e transformando neste momento: minha própria ignorância, minhas dificuldades, sentimentos e formações mentais. Quando este momento de contato chegar, seja nesta manifestação ou na próxima, quero que os fios que teço agora estejam preparados, repletos de alegria e com estabilidade suficiente para aceitar e transformar a confusão e a raiva, não importa de onde venham e que forma assumam. Só a guerra causa guerra, só alegria causa alegria, portanto quero cultivar minha alegria hoje, aqui, para que não se perca quando o amanhã chegar.

Inspirando, estou consciente do milagre da vida.
Expirando, sou grato pelo milagre da vida.

Esta tarde, em casa, em Jerusalém, sorrio.

Bar Zecharya
Harmonious Service of the Heart
Jerusalém, Israel
Planeta Terra