quarta-feira, janeiro 28, 2009

A Paz está na Esquina

O conflito entre palestinos e israelenses é o tema de nossa semana. Se você olhar em profundidade poderá ver que também vivemos essas guerras em nossa realidade. É o asfalto contra o morro. A polícia contra os traficantes. Olhando mais em profundidade poderemos ver que a guerra pode ser filho contra pai, marido contra mulher, nós contra alguém na rua que nos aborrece. São todos conflitos humanos. Como resolvê-los?

Sugerimos essa semana (clique aqui) dois artigos traduzidos da revista Mindfulness Bell. O primeiro é um relato de uma israelense e a forma como a escuta atenciosa e a fala amorosa resolveram um mini-conflito árabe-israelense. O segundo é a resposta de Thay a pergunta de um soldado israelense sobre quando a força deve ser usada.

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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Gratidão, a Primeira Ceia

Você sente gratidão pelas coisas que tem? E pelo que recebeu? É grato a seus pais pelo amor que recebeu? Thich Nhat Hanh, no texto sugerido (clique aqui), diz que se sente extremamente grato por tudo. Todas as vezes em que toca a comida, sempre que vê uma flor, quando respira ar puro.

Thay diz que "Sempre que fazemos uma refeição, praticamos a gratidão. Somos gratos por estarmos juntos numa comunidade. Somos gratos por termos alimentos para comer, e realmente apreciamos a comida e a presença uns dos outros. Sentimo-nos gratos durante toda a refeição e todo o dia, e expressamos esse sentimento ficando completamente conscientes da comida e vivendo profundamente cada momento. É assim que tento manifestar minha gratidão a toda a vida. "

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(Foto:Leonardo Dobbin)

quinta-feira, janeiro 15, 2009

A Consciência do Momento Presente

Um dos pilares da prática budista é o estar no aqui e agora e para isso é necessário vencer energias de hábito que nos empurram para o esquecimento. A energia através da qual nós fazemos estas coisas é a Consciência. Consciência é um tipo de energia que nos ajuda a estar atentos ao que está acontecendo.

Sugerimos essa semana a leitura da transcrição de uma palestra do Thay (clique aqui) onde ele nos explica o que é a consciência. Thay define a consciência como a prática de estar ali, corpo e mente unidos. A prática de estar totalmente presente, a prática de estar totalmente vivo. Você tem um encontro com a vida - e você não deveria perdê-lo. O tempo e o espaço de seu encontro são o aqui e o agora.

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(Foto:Leonardo Dobbin)

Carta da Sangha de Jerusalém

Querido Thay, Querida Sangha,

Esta manhã, em casa, em Jerusalém, chorei.

Para minha surpresa, não chorei pelos habitantes de Gaza e do sul de Israel, nem pelos jovens israelenses convocados para o serviço militar, por quem sinto uma preocupação natural. Estava meditando sobre o dilema moral enfrentado pelo governo e pelos militares: mísseis e foguetes escondidos em escolas cheias de crianças e de pessoas inocentes em Gaza, lançados sobre crianças e inocentes em Israel. Felizmente, o jardim da infância destruído há poucos dias em Israel havia sido evacuado. A neutralização de mísseis e foguetes antes do lançamento mata crianças e inocentes. A não-neutralização também mata crianças e inocentes. De repente me dei conta do grande sofrimento e do enorme peso da responsabilidade dos tomadores de decisão do governo de meu país, dos quais discordo em tantos aspectos e que infelizmente não tiveram a oportunidade de obter maior clareza da mente através da prática. Ao pensar nas decisões que precisam tomar... Não desejo que ninguém esteja em seu lugar.

Meditei sobre a impermanência usando trechos de um livro do Thay, “Transformation and Healing”, e estou ciente de que minha capacidade de mudar a situação em Gaza – hoje – é limitada. Farei tudo que estiver ao meu alcance para cessar o conflito, mas sei também que as pessoas permanecerão na ignorância, no sofrimento e acabarão transmitindo suas dificuldades, lembranças, sentimentos e formações mentais de uma geração a outra. Devido à natureza da impermanência e do interser, algum dia todos esses fios que estão vivos hoje, a poucas centenas de quilômetros daqui, entrarão em contato com os fios que estou tecendo e transformando neste momento: minha própria ignorância, minhas dificuldades, sentimentos e formações mentais. Quando este momento de contato chegar, seja nesta manifestação ou na próxima, quero que os fios que teço agora estejam preparados, repletos de alegria e com estabilidade suficiente para aceitar e transformar a confusão e a raiva, não importa de onde venham e que forma assumam. Só a guerra causa guerra, só alegria causa alegria, portanto quero cultivar minha alegria hoje, aqui, para que não se perca quando o amanhã chegar.

Inspirando, estou consciente do milagre da vida.
Expirando, sou grato pelo milagre da vida.

Esta tarde, em casa, em Jerusalém, sorrio.

Bar Zecharya
Harmonious Service of the Heart
Jerusalém, Israel
Planeta Terra

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A Fala Correta

Em janeiro, sugerimos que você procure praticar esse passo do Caminho Óctuplo: a Fala Correta. Lembre-se que as práticas do caminho óctuplo foram o caminho que o Buda ensinou para nos livrarmos do sofrimento.

Resumidamente, segundo Thay, a Fala Correta pode ser explicada como:


(1) Falar sempre a verdade.
(2) Não falar coisas contraditórias deliberadamente.
(3) Não falar com crueldade.
(4) Não exagerar nem retocar os fatos.

Nesse texto (clique aqui) o Thay nos explica em detalhes essa prática através de seu insight privilegiado. Depois de ler divida seu insight e suas dúvidas sobre o texto em nosso blog.

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terça-feira, dezembro 23, 2008

A Mais Elevada Forma de Prece

Nesta véspera de Natal, sugerimos um texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh busca em Jesus sua inspiração.

Jesus disse: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame seu próximo e odeie seu inimigo.' Eu, porém, lhes digo: amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam, façam o bem àqueles que os odeiam e orem por aqueles que rancorosamente os usam e os perseguem. Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu: porque ele faz o sol nascer sobre os maus e os bons, e a chuva cair sobre os justos e os injustos." Muitas pessoas rezam a Deus porque querem que Ele satisfaça algumas de suas necessidades. Se elas querem fazer um piquenique, pedem a Deus que lhes dê um dia claro e ensolarado. Ao mesmo tempo, os agricultores poderão estar rezando para pedir chuva. Se o tempo ficar bom, as pessoas que querem fazer o piquenique dirão: "Deus está do nosso lado; Ele atendeu às nossas preces." Mas, se chove, os fazendeiros dirão que Deus ouviu as preces deles. É dessa maneira que costumamos rezar.

Quando você reza apenas pelo seu piquenique, e não pelos fazendeiros que precisam de chuva, está fazendo o oposto do que Jesus ensinou. Jesus disse: "Amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam." Jesus chamou essa atitude de "amar seu inimigo". Quando você é capaz de amar seu inimigo, ele deixa de ser seu inimigo. A idéia de "inimigo" desaparece e é substituída pela noção de alguém que está sofrendo e precisa de compaixão.

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(Foto de Bruno Jordão)

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Do que você se alimenta?

Quando você pensa em nutrientes certamente pensa nos alimentos que ingerimos pela boca, certo? Nessa semana, o texto proposto (clique aqui) amplia este conceito de uma forma brilhante

Thich Nhat Hanh nos ensina sobre os quatro tipos de nutrientes: alimentos, impressões sensoriais, volição e consciência. O primeiro deles é o que habitualmente conhecemos, mas entendendo nutriente como algo que nos dá energia e que nos faz agir em uma determinada direção, vemos que os outros três tipos são igualmente importantes para nossa alimentação.

Nesse final de ano, após ler o texto, porque você não tenta se alimentar mais conscientemente? Pergunte: “Essa comida é compatível com meu corpo e minha consciência?” Seguindo a prescrição da plena consciência você saberá o que consumir.

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

Buda e Mara

Nessa semana sugerimos que você leia (clique aqui) uma história escrita por Thich Nhat Hanh sobre Buda e Mara.

O oposto de Buda é Mara. Se Buda é iluminação, então tem que haver algo que não é iluminação. Mara é a ausência de iluminação. Se o Buda é entendimento, então Mara é desentendimento, e se o Buda é bondade amorosa, então Mara é ódio ou raiva e assim por diante. Se não entendermos Mara, não podemos entender o Buda.

Com uma visão não dual, Thay quebra nossa maneira habitual de ver o que é o mal. Aproveite!

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quarta-feira, dezembro 03, 2008

Retiro em Plum Village

Plum Village é um lugar especial e acho que cada um encontra a sua Plum Village na França. Ao chegarmos lá, temos questões e dificuldades que nem sabemos e várias se revelam naquele ambiente transformador. A paisagem é especial nessa época do ano. As folhas de várias cores e tonalidades dão um colorido especial. Os vinhedos recém colhidos estão pelados, mas mesmo assim lindos. Tudo bastante inspirador.

As pessoas são outro fator importante. Todos que estão lá têm um compromisso com a prática e uma aspiração comum. Buscam a transformação do sofrimento através das práticas oferecidas pelos monásticos e pelos ensinamentos do Thay. Eles são um refúgio. A prática deles ajudou minha prática nos momentos difíceis e creio que eu ajudei a vários. Em Plum Village o ambiente é calmo e frequentemente somos convidados através do sino ou do relógio do refeitório a parar tudo e apenas respirar. Nada é mais importante naquele momento. Apenas respirar.

Tive muitas dificuldades no início e não conseguia me conectar com a prática nem com o local. Depois de alguns dias pude ver profundamente em mim o porquê. Toquei sementes que remontavam minha infância, pude ver comportamentos que se repetiam há décadas sem que eu percebesse e creio que me curei. Quando isso aconteceu eu passei a ver outra Plum Village. Eu passei a pertencer, passei a existir ali. A sensação de cura me despertou para muitas outras coisas.

Ao fazer working meditation na cozinha pude ver o quão árduo é esse trabalho. Quando suor e amor são necessários para preparar o que comemos. Um sentimento de verdadeira gratidão me invadia a cada refeição, lembrando dos rostos dos amigos que passaram horas na cozinha para que eu pudesse me alimentar. Olhando mais profundamente vi que ao criar um filho fazemos o mesmo. São anos de amor, carinho, preocupações e muito trabalho árduo para que um filho cresça e se lance ao mundo. Vi o quão pouco grato era a meus pais por tudo que fizeram. Publicamente em uma discussão do Dharma manifestei minha gratidão a eles e ao voltar fiz isso pessoalmente. Não só a eles, mas a meu avô que ainda está vivo.

Por fim, o ritmo lento de Plum Village cada vez me levava mais ao momento presente. Não havia muito o que fazer por lá, nem nenhum outro lugar para ir. Um dia em um almoço com o Thay na sala de meditação, ele sugeriu que pessoas oferecessem canções. Naquele instante vi que não tinha nada mais a fazer naquele dia, e nem podia sair da sala. A única coisa que havia era desfrutar das belas canções. Vivi intensamente aquele momento. “Nowhere to go, nothing to do”. Uma felicidade verdadeira brotou em mim, a felicidade de estar verdadeiramente e inteiramente no momento presente, talvez pela primeira vez na minha vida tão intensamente. Foi muito forte. As palavras da música de Plum Village fizeram todo sentido: “Happiness is here and now/ I have dropped my worries./ Nowhere to go./ Nothing to do./No longer in a hurry.”

Depois de uma semana me sinto transformado. As palavras do Thay ganharam outro significado devido a minha experiência direta. Minha confiança na prática aumentou e também sinto mais espaço interior. Meu desafio agora é levar minha Plum Village Portátil aonde quer que eu vá. Seja no trabalho, seja no trânsito, aonde que eu vá agora sei que há um lugar lá dentro onde posso encontrar a Plum Village que continua em mim. Para isso preciso nutrir constantemente essa Plum Village interior para que ela não desapareça.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Mente

Como tudo vem da mente, tudo pode ser removido e transformado pela mente.

- Thich Nhat Hanh (Do livro "The Path of Emancipation")

quarta-feira, novembro 26, 2008

Férias


Esta semana não há post porque estou viajando para Plum Village fazer um retiro. Creio que será muito proveitoso estar na companhia de mestres e em um lugar tão especial, com tanta energia boa. Até a volta!

quarta-feira, novembro 19, 2008

Thay fala sobre meditação

Nessa semana sugerimos que você leia (clique aqui) uma reflexão de Thich Nhat Hanh sobre a prática da meditação.

Através da comparação da mente se tranquilizando com um suco de maçã, Thay ensina como nossa mente se comporta e dá instruções do que fazer e o que não fazer na prática da meditação. É precioso quando um mestre como Thay divide seus insights e nos orienta na meditação. Aproveite!

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terça-feira, novembro 18, 2008

Bênção

A maior bênção não é aquela que cai dos céus e nos é dada, mas é a felicidade que cada um de nós é capaz de gerar para si próprio.

-Thich Nhat Hanh

quarta-feira, novembro 12, 2008

Achando a Própria Mente

No texto (clique aqui) dessa semana Thich Nhat Hanh diz que quando estamos estressados com alguma coisa, ou muito ocupados, dizemos freqüentemente que estamos “perdendo a cabeça” [i.e, a mente]. Mas onde a sua mente estava antes de se perder e para onde ela teria ido? Você não pode dizer que ela está dentro do corpo, fora do corpo, ou entre eles. A mente não tem um local estabelecido.

Thay ensina que nós temos a tendência de pensar na mente como “aqui dentro” e no mundo como “lá fora”, a mente como subjetiva e o mundo, o corpo, como objetivo. Buda ensinou que mente e objeto da mente não existem separadamente, eles interexistem. Sem este, o outro não pode ser. Não há observador sem o observado. Objeto e sujeito se manifestam juntos.

Um texto instigante. Leia o texto, e divida seus insights em nosso blog.

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Insight Coletivo da Sangha (parte 4)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. Nessa série de diálogos estamos compartilhando da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia
G.

Resposta 04:
Querido G,

Lamento saber do seu ataque cardíaco - mas pare para pensar nas lindas respostas que você começou a receber da Sangha assim que decidiu compartilhar seu sofrimento com a orientação do médico. Thay nos diz repetidas vezes que nossas ações são resultado de nossa intenção e de nossa capacidade de ''estarmos no momento presente''. Lembro-me de uma resposta que ele deu à seguinte pergunta feita em nossa grande comunidade em Santa Bárbara, Califórnia, um ano atrás: "O que você faria se fosse convidado a ir à casa de alguém e ao chegar lá descobrisse que a anfitriã havia preparado frango para o jantar"? Thay respondeu, "É claro que eu comeria, não gostaria de magoá-la."

Enquanto se alimentam, os índios americanos sempre expressam gratidão ao animal por oferecer sua vida em prol da vida humana. Não estou querendo interferir na sua decisão, mas sei que seu problema cardíaco e o sofrimento gerado pela orientação médica mostram sua profunda compaixão e sua compreensão dos 5 Treinamentos da Plena Consciência. Obrigada por pedir a orientação da sangha. É um presente que você nos dá ao nos permitir sermos testemunha de sua dedicação e devoção aos Ensinamentos. Desejo-lhe bênçãos pela sabedoria, clareza e, acima de tudo, uma boa saúde.

S.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Se eu morresse amanhã

Essa semana sugerimos um pequeno texto (clique aqui) da irmã Chan Khong, a primeira colaboradora do Thay e com ele há 40 anos. Ele conta que uma vez Thich Nhat Hanh perguntou a ela se ela estava preparada para morrer.

Era uma pergunta profunda. Chan Khong refletiu e viu que não estava mas usou essa pergunta como um fator de transformação em sua vida. O texto conta essa transformação e as atitudes que ela tomou. Assim é o budismo, a pergunta do mestre leva a um olhar profundo sobre uma questão, trazendo insights que são capazes de nos mover no caminho da compreensão e do amor.

Você poderia morrer hoje? Leia o texto, reflita e responda essa pergunta em nosso blog.

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Insight Coletivo da Sangha (parte 3)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. Nessa série de diálogos estamos compartilhando da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 03:

Caro G.,

Obrigada por compartilhar suas preocupações, fico muito feliz em saber que correu tudo bem na cirurgia ... Também estive no Vietnã e pratico budismo na França há dez anos:
Sua pergunta é sempre um dilema para os ocidentais. Posso repetir o que ouvi Thay dizer e o que meu mestre Sogyal Rinpoche e Sua Santidade, o Dalai Lama, costumam nos ensinar em Paris: Não devemos praticar os ensinamentos literalmente. O bom senso sempre vem em primeiro lugar e cuidar de si próprio é sua responsabilidade. Se a orientação é você comer peixe e carne para melhorar, então esta é sua principal responsabilidade agora: dedique-se à sua alimentação e sua intenção é o mais importante. Você recebeu como presente um bom alimento, portanta coma-o para estabelecer seu equilíbrio, em prol do bem-estar e da cura - por você e por todos os seres sencientes.
Seja grato e usufrua aquilo que lhe é oferecido.

Cuide-se bem e sinta a alegria do universo, agora que você pode cantar novamente e sentir a vida com muito mais plenitude e alegria.

T.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Atenção Plena Correta

Em novembro tente praticar ao máximo a atenção plena correta. A Atenção Plena Correta, que é o terceiro passo do Nobre Caminho Óctuplo, está sempre no âmago de todos os ensinamentos de Buda. Ela é a energia que nos traz de volta para o momento presente. Cultivar a atenção plena significa cultivar o Buda interior, cultivar o Espírito Santo.

A Atenção Plena Correta tudo aceita, sem julgar nem reagir. É inclusiva e amorosa. Sua prática consiste em buscar formas para conseguir manter a atenção adequada durante todo o dia.

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quarta-feira, outubro 29, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 2)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 02:
Oi, G,

Acabei de me lembrar de uma história sobre um monge que começou sua prática no templo Tu Hieu, em Hue (o mesmo templo em que Thay foi ordenado quando jovem e de onde é abade até hoje, pelo menos tecnicamente. Se eu me lembro bem da história, o monge levava uma vida muito simples, obedecia aos princípios budistas e era, inclusive, vegetariano. Sua mãe já era uma senhora idosa e vivia no templo com ele. Um dia, ele foi visto comprando peixe no mercado local. As pessoas em Hue começaram a comentar que o monge estava violando seus votos e consumindo peixe. Quando o imperador, que conhecia o monge, questionou-o a respeito, o monge lhe respondeu a verdade, ou seja, que sua mãe estava doente e que ele havia comprado o peixe para preparar um remédio para tratar sua doença. Dali em diante, o monge ficou conhecido como ´´O Filho Bom´´.

Corro o risco de estar criando minha própria versão de trechos da história, mas acho que ela ilustra bem que precisamos fazer o que é certo no momento, sem deixar que os treinamentos da plena consciência e o dharma tornem-se rígidos e causem sofrimento desnecessário. Se você e seu médico sentem que o consumo de peixe pode ajudar no tratamento, então pense no maravilhoso presente que o peixe está lhe oferecendo. Pessoalmente, acho que é algo que precisa ser muito valorizado. Se você acha que pode obter os mesmos benefícios consumindo soja ou outros extratos vegetais, aí está então outro presente maravilhoso. Acho que tem muito mais a ver com o modo como consumimos o alimento e ao que conferimos a ele do que com o tipo de alimento em si.

Espero que consiga descansar bem e que tenha uma rápida recuperação.

S.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Os Cinco Agregados

!Essa semana sugerimos que você estude um texto básico (clique aqui) de budismo. Thich Nhat Hanh nos ensina sobre os Cinco Agregados ou Skandhas

De acordo com o budismo, os seres humanos são compostos de Cinco Agregados (skandhas): forma, sensações, percepções, formações mentais e consciência. Os Cinco Agregados contêm em si tudo o que existe - tanto dentro como fora de nós, na natureza e na sociedade. Diferentemente da visão ocidental que é dualista, os cinco skandhas intersão. Observe com atenção os cinco rios que correm dentro de você e veja como cada um deles contém em si os outros quatro.

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