terça-feira, dezembro 23, 2008

A Mais Elevada Forma de Prece

Nesta véspera de Natal, sugerimos um texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh busca em Jesus sua inspiração.

Jesus disse: "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame seu próximo e odeie seu inimigo.' Eu, porém, lhes digo: amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam, façam o bem àqueles que os odeiam e orem por aqueles que rancorosamente os usam e os perseguem. Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu: porque ele faz o sol nascer sobre os maus e os bons, e a chuva cair sobre os justos e os injustos." Muitas pessoas rezam a Deus porque querem que Ele satisfaça algumas de suas necessidades. Se elas querem fazer um piquenique, pedem a Deus que lhes dê um dia claro e ensolarado. Ao mesmo tempo, os agricultores poderão estar rezando para pedir chuva. Se o tempo ficar bom, as pessoas que querem fazer o piquenique dirão: "Deus está do nosso lado; Ele atendeu às nossas preces." Mas, se chove, os fazendeiros dirão que Deus ouviu as preces deles. É dessa maneira que costumamos rezar.

Quando você reza apenas pelo seu piquenique, e não pelos fazendeiros que precisam de chuva, está fazendo o oposto do que Jesus ensinou. Jesus disse: "Amem seus inimigos, abençoem aqueles que os amaldiçoam." Jesus chamou essa atitude de "amar seu inimigo". Quando você é capaz de amar seu inimigo, ele deixa de ser seu inimigo. A idéia de "inimigo" desaparece e é substituída pela noção de alguém que está sofrendo e precisa de compaixão.

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(Foto de Bruno Jordão)

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Do que você se alimenta?

Quando você pensa em nutrientes certamente pensa nos alimentos que ingerimos pela boca, certo? Nessa semana, o texto proposto (clique aqui) amplia este conceito de uma forma brilhante

Thich Nhat Hanh nos ensina sobre os quatro tipos de nutrientes: alimentos, impressões sensoriais, volição e consciência. O primeiro deles é o que habitualmente conhecemos, mas entendendo nutriente como algo que nos dá energia e que nos faz agir em uma determinada direção, vemos que os outros três tipos são igualmente importantes para nossa alimentação.

Nesse final de ano, após ler o texto, porque você não tenta se alimentar mais conscientemente? Pergunte: “Essa comida é compatível com meu corpo e minha consciência?” Seguindo a prescrição da plena consciência você saberá o que consumir.

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

Buda e Mara

Nessa semana sugerimos que você leia (clique aqui) uma história escrita por Thich Nhat Hanh sobre Buda e Mara.

O oposto de Buda é Mara. Se Buda é iluminação, então tem que haver algo que não é iluminação. Mara é a ausência de iluminação. Se o Buda é entendimento, então Mara é desentendimento, e se o Buda é bondade amorosa, então Mara é ódio ou raiva e assim por diante. Se não entendermos Mara, não podemos entender o Buda.

Com uma visão não dual, Thay quebra nossa maneira habitual de ver o que é o mal. Aproveite!

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quarta-feira, dezembro 03, 2008

Retiro em Plum Village

Plum Village é um lugar especial e acho que cada um encontra a sua Plum Village na França. Ao chegarmos lá, temos questões e dificuldades que nem sabemos e várias se revelam naquele ambiente transformador. A paisagem é especial nessa época do ano. As folhas de várias cores e tonalidades dão um colorido especial. Os vinhedos recém colhidos estão pelados, mas mesmo assim lindos. Tudo bastante inspirador.

As pessoas são outro fator importante. Todos que estão lá têm um compromisso com a prática e uma aspiração comum. Buscam a transformação do sofrimento através das práticas oferecidas pelos monásticos e pelos ensinamentos do Thay. Eles são um refúgio. A prática deles ajudou minha prática nos momentos difíceis e creio que eu ajudei a vários. Em Plum Village o ambiente é calmo e frequentemente somos convidados através do sino ou do relógio do refeitório a parar tudo e apenas respirar. Nada é mais importante naquele momento. Apenas respirar.

Tive muitas dificuldades no início e não conseguia me conectar com a prática nem com o local. Depois de alguns dias pude ver profundamente em mim o porquê. Toquei sementes que remontavam minha infância, pude ver comportamentos que se repetiam há décadas sem que eu percebesse e creio que me curei. Quando isso aconteceu eu passei a ver outra Plum Village. Eu passei a pertencer, passei a existir ali. A sensação de cura me despertou para muitas outras coisas.

Ao fazer working meditation na cozinha pude ver o quão árduo é esse trabalho. Quando suor e amor são necessários para preparar o que comemos. Um sentimento de verdadeira gratidão me invadia a cada refeição, lembrando dos rostos dos amigos que passaram horas na cozinha para que eu pudesse me alimentar. Olhando mais profundamente vi que ao criar um filho fazemos o mesmo. São anos de amor, carinho, preocupações e muito trabalho árduo para que um filho cresça e se lance ao mundo. Vi o quão pouco grato era a meus pais por tudo que fizeram. Publicamente em uma discussão do Dharma manifestei minha gratidão a eles e ao voltar fiz isso pessoalmente. Não só a eles, mas a meu avô que ainda está vivo.

Por fim, o ritmo lento de Plum Village cada vez me levava mais ao momento presente. Não havia muito o que fazer por lá, nem nenhum outro lugar para ir. Um dia em um almoço com o Thay na sala de meditação, ele sugeriu que pessoas oferecessem canções. Naquele instante vi que não tinha nada mais a fazer naquele dia, e nem podia sair da sala. A única coisa que havia era desfrutar das belas canções. Vivi intensamente aquele momento. “Nowhere to go, nothing to do”. Uma felicidade verdadeira brotou em mim, a felicidade de estar verdadeiramente e inteiramente no momento presente, talvez pela primeira vez na minha vida tão intensamente. Foi muito forte. As palavras da música de Plum Village fizeram todo sentido: “Happiness is here and now/ I have dropped my worries./ Nowhere to go./ Nothing to do./No longer in a hurry.”

Depois de uma semana me sinto transformado. As palavras do Thay ganharam outro significado devido a minha experiência direta. Minha confiança na prática aumentou e também sinto mais espaço interior. Meu desafio agora é levar minha Plum Village Portátil aonde quer que eu vá. Seja no trabalho, seja no trânsito, aonde que eu vá agora sei que há um lugar lá dentro onde posso encontrar a Plum Village que continua em mim. Para isso preciso nutrir constantemente essa Plum Village interior para que ela não desapareça.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Mente

Como tudo vem da mente, tudo pode ser removido e transformado pela mente.

- Thich Nhat Hanh (Do livro "The Path of Emancipation")

quarta-feira, novembro 26, 2008

Férias


Esta semana não há post porque estou viajando para Plum Village fazer um retiro. Creio que será muito proveitoso estar na companhia de mestres e em um lugar tão especial, com tanta energia boa. Até a volta!

quarta-feira, novembro 19, 2008

Thay fala sobre meditação

Nessa semana sugerimos que você leia (clique aqui) uma reflexão de Thich Nhat Hanh sobre a prática da meditação.

Através da comparação da mente se tranquilizando com um suco de maçã, Thay ensina como nossa mente se comporta e dá instruções do que fazer e o que não fazer na prática da meditação. É precioso quando um mestre como Thay divide seus insights e nos orienta na meditação. Aproveite!

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terça-feira, novembro 18, 2008

Bênção

A maior bênção não é aquela que cai dos céus e nos é dada, mas é a felicidade que cada um de nós é capaz de gerar para si próprio.

-Thich Nhat Hanh

quarta-feira, novembro 12, 2008

Achando a Própria Mente

No texto (clique aqui) dessa semana Thich Nhat Hanh diz que quando estamos estressados com alguma coisa, ou muito ocupados, dizemos freqüentemente que estamos “perdendo a cabeça” [i.e, a mente]. Mas onde a sua mente estava antes de se perder e para onde ela teria ido? Você não pode dizer que ela está dentro do corpo, fora do corpo, ou entre eles. A mente não tem um local estabelecido.

Thay ensina que nós temos a tendência de pensar na mente como “aqui dentro” e no mundo como “lá fora”, a mente como subjetiva e o mundo, o corpo, como objetivo. Buda ensinou que mente e objeto da mente não existem separadamente, eles interexistem. Sem este, o outro não pode ser. Não há observador sem o observado. Objeto e sujeito se manifestam juntos.

Um texto instigante. Leia o texto, e divida seus insights em nosso blog.

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Insight Coletivo da Sangha (parte 4)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. Nessa série de diálogos estamos compartilhando da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia
G.

Resposta 04:
Querido G,

Lamento saber do seu ataque cardíaco - mas pare para pensar nas lindas respostas que você começou a receber da Sangha assim que decidiu compartilhar seu sofrimento com a orientação do médico. Thay nos diz repetidas vezes que nossas ações são resultado de nossa intenção e de nossa capacidade de ''estarmos no momento presente''. Lembro-me de uma resposta que ele deu à seguinte pergunta feita em nossa grande comunidade em Santa Bárbara, Califórnia, um ano atrás: "O que você faria se fosse convidado a ir à casa de alguém e ao chegar lá descobrisse que a anfitriã havia preparado frango para o jantar"? Thay respondeu, "É claro que eu comeria, não gostaria de magoá-la."

Enquanto se alimentam, os índios americanos sempre expressam gratidão ao animal por oferecer sua vida em prol da vida humana. Não estou querendo interferir na sua decisão, mas sei que seu problema cardíaco e o sofrimento gerado pela orientação médica mostram sua profunda compaixão e sua compreensão dos 5 Treinamentos da Plena Consciência. Obrigada por pedir a orientação da sangha. É um presente que você nos dá ao nos permitir sermos testemunha de sua dedicação e devoção aos Ensinamentos. Desejo-lhe bênçãos pela sabedoria, clareza e, acima de tudo, uma boa saúde.

S.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Se eu morresse amanhã

Essa semana sugerimos um pequeno texto (clique aqui) da irmã Chan Khong, a primeira colaboradora do Thay e com ele há 40 anos. Ele conta que uma vez Thich Nhat Hanh perguntou a ela se ela estava preparada para morrer.

Era uma pergunta profunda. Chan Khong refletiu e viu que não estava mas usou essa pergunta como um fator de transformação em sua vida. O texto conta essa transformação e as atitudes que ela tomou. Assim é o budismo, a pergunta do mestre leva a um olhar profundo sobre uma questão, trazendo insights que são capazes de nos mover no caminho da compreensão e do amor.

Você poderia morrer hoje? Leia o texto, reflita e responda essa pergunta em nosso blog.

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Insight Coletivo da Sangha (parte 3)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. Nessa série de diálogos estamos compartilhando da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 03:

Caro G.,

Obrigada por compartilhar suas preocupações, fico muito feliz em saber que correu tudo bem na cirurgia ... Também estive no Vietnã e pratico budismo na França há dez anos:
Sua pergunta é sempre um dilema para os ocidentais. Posso repetir o que ouvi Thay dizer e o que meu mestre Sogyal Rinpoche e Sua Santidade, o Dalai Lama, costumam nos ensinar em Paris: Não devemos praticar os ensinamentos literalmente. O bom senso sempre vem em primeiro lugar e cuidar de si próprio é sua responsabilidade. Se a orientação é você comer peixe e carne para melhorar, então esta é sua principal responsabilidade agora: dedique-se à sua alimentação e sua intenção é o mais importante. Você recebeu como presente um bom alimento, portanta coma-o para estabelecer seu equilíbrio, em prol do bem-estar e da cura - por você e por todos os seres sencientes.
Seja grato e usufrua aquilo que lhe é oferecido.

Cuide-se bem e sinta a alegria do universo, agora que você pode cantar novamente e sentir a vida com muito mais plenitude e alegria.

T.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Atenção Plena Correta

Em novembro tente praticar ao máximo a atenção plena correta. A Atenção Plena Correta, que é o terceiro passo do Nobre Caminho Óctuplo, está sempre no âmago de todos os ensinamentos de Buda. Ela é a energia que nos traz de volta para o momento presente. Cultivar a atenção plena significa cultivar o Buda interior, cultivar o Espírito Santo.

A Atenção Plena Correta tudo aceita, sem julgar nem reagir. É inclusiva e amorosa. Sua prática consiste em buscar formas para conseguir manter a atenção adequada durante todo o dia.

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quarta-feira, outubro 29, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 2)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 02:
Oi, G,

Acabei de me lembrar de uma história sobre um monge que começou sua prática no templo Tu Hieu, em Hue (o mesmo templo em que Thay foi ordenado quando jovem e de onde é abade até hoje, pelo menos tecnicamente. Se eu me lembro bem da história, o monge levava uma vida muito simples, obedecia aos princípios budistas e era, inclusive, vegetariano. Sua mãe já era uma senhora idosa e vivia no templo com ele. Um dia, ele foi visto comprando peixe no mercado local. As pessoas em Hue começaram a comentar que o monge estava violando seus votos e consumindo peixe. Quando o imperador, que conhecia o monge, questionou-o a respeito, o monge lhe respondeu a verdade, ou seja, que sua mãe estava doente e que ele havia comprado o peixe para preparar um remédio para tratar sua doença. Dali em diante, o monge ficou conhecido como ´´O Filho Bom´´.

Corro o risco de estar criando minha própria versão de trechos da história, mas acho que ela ilustra bem que precisamos fazer o que é certo no momento, sem deixar que os treinamentos da plena consciência e o dharma tornem-se rígidos e causem sofrimento desnecessário. Se você e seu médico sentem que o consumo de peixe pode ajudar no tratamento, então pense no maravilhoso presente que o peixe está lhe oferecendo. Pessoalmente, acho que é algo que precisa ser muito valorizado. Se você acha que pode obter os mesmos benefícios consumindo soja ou outros extratos vegetais, aí está então outro presente maravilhoso. Acho que tem muito mais a ver com o modo como consumimos o alimento e ao que conferimos a ele do que com o tipo de alimento em si.

Espero que consiga descansar bem e que tenha uma rápida recuperação.

S.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Os Cinco Agregados

!Essa semana sugerimos que você estude um texto básico (clique aqui) de budismo. Thich Nhat Hanh nos ensina sobre os Cinco Agregados ou Skandhas

De acordo com o budismo, os seres humanos são compostos de Cinco Agregados (skandhas): forma, sensações, percepções, formações mentais e consciência. Os Cinco Agregados contêm em si tudo o que existe - tanto dentro como fora de nós, na natureza e na sociedade. Diferentemente da visão ocidental que é dualista, os cinco skandhas intersão. Observe com atenção os cinco rios que correm dentro de você e veja como cada um deles contém em si os outros quatro.

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quarta-feira, outubro 22, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 1)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.



Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 01:
Caro G,

Você se lembra de mim? Ficamos juntos no mesmo grupo de discussão do Dharma no Vietnã e na época te contei sobre meu câncer.

Fiquei muito triste em saber que vc sofreu um ataque cardíaco. Isso é sério e é muito importante você cuidar bem do seu corpo neste momento.

Desculpe-me, meu inglês não é muito bom, mas sinto que preciso te responder, pois vejo como está sofrendo (falo por mim). Escute, querido G., tive exatamente o mesmo problema e meus médicos me mandaram comer peixe por um certo tempo, pois meu corpo estava muito fraco..

Foi muito difícil para mim, vários amigos me disseram para não seguir a orientação dos médicos, mas senti - nesta situação específica, após a radioterapia - que meu corpo precisava disso. Apesar de comer muito tofu, frutas secas e algas, meu organismo parecia debilitado.

Então decidi comer peixe por um tempo e foi muito bom para mim.

Caro G, acredito que seja muito importante vc comer carne ou peixe agora. Se comer em plena consciência (eu sempre me pedia desculpas e agradecia profundamente ao peixe, por me dar sua vida em prol do bem estar do meu corpo), não há como errar.

Após dois meses, não precisei mais me alimentar de peixes, me senti muito bem e pude voltar à minha alimentação vegetariana normal.

Isto me lembrou de algo que aconteceu comigo quando eu estava trabalhando na Bósnia, logo após a guerra. Fui convidada para jantar na casa de uma família local e havia apenas carne à mesa, pois as hortaliças eram caras demais. O que fazer nessa hora? Para mim, o mais correto parecia não ofender aquelas pessoas, que estavam lutando pela sobrevivência. Conseqüentemente, comi carne, mas com muita plena consciência, gratidão, e olhando profundamente para aquela situação.

Querido G, meu inglês é muito ruim, mas quis te dar uma resposta do fundo do meu coração. Espero que possa se recuperar, seja com carne, peixe ou sem nenhum deles, como você preferir. Se você optar por consumir peixes ou carne, por favor, não se culpe. Agora você precisa de toda a sua energia para se recuperar.
Desejo-lhe tudo de bom. E levarei este meu desejo em meu coração.

uma flor de lótus para você

C.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Os Tipos de Amor

Nesse texto (clique aqui) o Buda, no romance do Thay, nos fala sobre os diversos tipos de amor. Há o amor que permanece misturado com apego e discriminação. As pessoas querem apenas amar seus pais, esposos, filhos, netos, seus parentes etc. Apego e discriminação são fontes de sofrimento para nós mesmos e para os outros.

Mas o Buda nos fala que o amor pelo qual todos os seres estão verdadeiramente famintos é a bondade amorosa e a compaixão. Bondade amorosa é o amor que tem a capacidade de levar felicidade para outro. Compaixão é o amor que tem a capacidade de remover o sofrimento do outro. Eles não causam sofrimento ou desespero.

Nesse texto esses diferentes tipos de amor são explicados através de um diálogo esclarecedor entre o rei Pasenadi e o Buda.

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terça-feira, outubro 14, 2008

Soltando nossas vacas

Muita alegria e felicidade vêm de sair ou deixar algo para trás. Suponha que você está sofrendo com o barulho, poluição e estresse da cidade. É sexta-feira de tarde e você quer sair. Você entra no seu carro e dirige. Uma vez que está no campo com bonitas árvores, céu azul e o canto dos pássaros, você sente alegria. A alegria que você experimenta de estar no campo nasceu de ter abandonado a cidade, de ter deixado algo para trás.

Há muitas coisas que não somos capazes de deixar para trás que nos prendem. Pratique olhar em profundidade para essas coisas. No começo, pode achar que elas são vitais para nossa felicidade, mas elas podem, na verdade, serem obstáculos para sua verdadeira felicidade, causando seu sofrimento. Se você não está feliz por que está preso nelas, deixá-las para trás será fonte de alegria para você. O Buda e muitos de seus discípulos experimentaram isso, e passaram sua sabedoria para nós. Por favor, olhe para as coisas que você acha necessárias para o seu bem estar e felicidade e descubra se elas te trazem felicidade ou estão quase te matando.

Um dia o Buda estava sentado com um grupo de monges na floresta perto de Sravasti. Eles haviam acabado de almoçar e estavam em uma pequena palestra de Dharma. De repente um fazendeiro se aproximou. Estava visivelmente chateado e gritou, “Monges! Vocês viram minhas vacas?”

O Buda disse, “Não vimos nenhuma vaca.”

“Sabem monges”, o homem disse, “Eu sou a pessoa mais miserável na Terra. Por alguma razão minhas 12 vacas fugiram esta manhã. Eu tenho apenas dois acres de plantação de gergelim e este ano os insetos comeram todas as plantas. Penso que vou me suicidar.” O fazendeiro estava realmente sofrendo.

Cheio de compaixão o Buda disse. “Não senhor, não vimos suas vacas. Talvez você deva procurá-las em outro lugar.”

Quando o fazendeiro se foi, o Buda virou para seus monges, olhou para eles profundamente, sorriu e disse, “Queridos amigos, vocês sabem que são as pessoas mais felizes do mundo. Vocês não têm vacas para perder.“ [risos]

Portanto amigos, se vocês têm vacas, olhem profundamente para a natureza delas para ver se elas estão trazendo felicidade ou sofrimento. Vocês deveriam aprender a arte de soltar suas vacas. A chave é deixar ir e libertar a si mesmo. Um monge ou monja deveria apenas ter três robes e uma tigela, porque liberdade é a posse mais valorosa.

Liberdade é a base de nossa felicidade. Não podemos ser felizes se estamos presos. Solidez e liberdade são a base autêntica de nossa felicidade. É por isso que praticamos para restabelecer nossa liberdade e criar espaço ao nosso redor. Também, quando você ama e é amado, se não há liberdade, seu amor pode ser sufocante. Você não pode ser livre com este tipo de amor que tira sua liberdade e não permite que você seja você mesmo. Este tipo de amor não é autêntico; é uma vaca. Você deve achar coragem de deixar suas vacas irem.

- Thich Nhat Hanh (Retiro nos EUA em 27 de maio de 1998. Do livro "The Path of Emancipation")

quinta-feira, outubro 09, 2008

Como Transformar o nosso Adubo

Sugerimos que você leia o texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh fala sobre a transformação de nossas sementes não saudáveis.

Ele compara o praticante a um jardineiro orgânico que transforma adubo em flores. Nós devemos praticar para transformar nossa raiva, nossa angústia, nossa depressão em amor e compreensão. O praticante não é aquele que não tem raiva ou angústia, mas aquele que sabe transformá-las. Nesse texto Thay nos ensina como praticar para conseguir essa transformação.

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quinta-feira, outubro 02, 2008

As Três Respostas

Essa semana trazemos a você um texto (clique aqui) que é a parte final de uma carta de Thay para Quang, seu substituto na Escola da Juventude para Serviços Sociais no Vietnã, com instruções de como preparar os novos militantes pacifistas. Thich Nhat Hanh nesse texto conta uma história de Tolstói procurando responder 3 perguntas:

Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
Qual a coisa mais importante a ser feita?

Uma leitura surpreendente (clique aqui). Seja generoso e divida seu insight sobre o texto em nosso blog.

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