sexta-feira, novembro 28, 2008

Mente

Como tudo vem da mente, tudo pode ser removido e transformado pela mente.

- Thich Nhat Hanh (Do livro "The Path of Emancipation")

quarta-feira, novembro 26, 2008

Férias


Esta semana não há post porque estou viajando para Plum Village fazer um retiro. Creio que será muito proveitoso estar na companhia de mestres e em um lugar tão especial, com tanta energia boa. Até a volta!

quarta-feira, novembro 19, 2008

Thay fala sobre meditação

Nessa semana sugerimos que você leia (clique aqui) uma reflexão de Thich Nhat Hanh sobre a prática da meditação.

Através da comparação da mente se tranquilizando com um suco de maçã, Thay ensina como nossa mente se comporta e dá instruções do que fazer e o que não fazer na prática da meditação. É precioso quando um mestre como Thay divide seus insights e nos orienta na meditação. Aproveite!

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terça-feira, novembro 18, 2008

Bênção

A maior bênção não é aquela que cai dos céus e nos é dada, mas é a felicidade que cada um de nós é capaz de gerar para si próprio.

-Thich Nhat Hanh

quarta-feira, novembro 12, 2008

Achando a Própria Mente

No texto (clique aqui) dessa semana Thich Nhat Hanh diz que quando estamos estressados com alguma coisa, ou muito ocupados, dizemos freqüentemente que estamos “perdendo a cabeça” [i.e, a mente]. Mas onde a sua mente estava antes de se perder e para onde ela teria ido? Você não pode dizer que ela está dentro do corpo, fora do corpo, ou entre eles. A mente não tem um local estabelecido.

Thay ensina que nós temos a tendência de pensar na mente como “aqui dentro” e no mundo como “lá fora”, a mente como subjetiva e o mundo, o corpo, como objetivo. Buda ensinou que mente e objeto da mente não existem separadamente, eles interexistem. Sem este, o outro não pode ser. Não há observador sem o observado. Objeto e sujeito se manifestam juntos.

Um texto instigante. Leia o texto, e divida seus insights em nosso blog.

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Insight Coletivo da Sangha (parte 4)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. Nessa série de diálogos estamos compartilhando da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia
G.

Resposta 04:
Querido G,

Lamento saber do seu ataque cardíaco - mas pare para pensar nas lindas respostas que você começou a receber da Sangha assim que decidiu compartilhar seu sofrimento com a orientação do médico. Thay nos diz repetidas vezes que nossas ações são resultado de nossa intenção e de nossa capacidade de ''estarmos no momento presente''. Lembro-me de uma resposta que ele deu à seguinte pergunta feita em nossa grande comunidade em Santa Bárbara, Califórnia, um ano atrás: "O que você faria se fosse convidado a ir à casa de alguém e ao chegar lá descobrisse que a anfitriã havia preparado frango para o jantar"? Thay respondeu, "É claro que eu comeria, não gostaria de magoá-la."

Enquanto se alimentam, os índios americanos sempre expressam gratidão ao animal por oferecer sua vida em prol da vida humana. Não estou querendo interferir na sua decisão, mas sei que seu problema cardíaco e o sofrimento gerado pela orientação médica mostram sua profunda compaixão e sua compreensão dos 5 Treinamentos da Plena Consciência. Obrigada por pedir a orientação da sangha. É um presente que você nos dá ao nos permitir sermos testemunha de sua dedicação e devoção aos Ensinamentos. Desejo-lhe bênçãos pela sabedoria, clareza e, acima de tudo, uma boa saúde.

S.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Se eu morresse amanhã

Essa semana sugerimos um pequeno texto (clique aqui) da irmã Chan Khong, a primeira colaboradora do Thay e com ele há 40 anos. Ele conta que uma vez Thich Nhat Hanh perguntou a ela se ela estava preparada para morrer.

Era uma pergunta profunda. Chan Khong refletiu e viu que não estava mas usou essa pergunta como um fator de transformação em sua vida. O texto conta essa transformação e as atitudes que ela tomou. Assim é o budismo, a pergunta do mestre leva a um olhar profundo sobre uma questão, trazendo insights que são capazes de nos mover no caminho da compreensão e do amor.

Você poderia morrer hoje? Leia o texto, reflita e responda essa pergunta em nosso blog.

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Insight Coletivo da Sangha (parte 3)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. Nessa série de diálogos estamos compartilhando da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 03:

Caro G.,

Obrigada por compartilhar suas preocupações, fico muito feliz em saber que correu tudo bem na cirurgia ... Também estive no Vietnã e pratico budismo na França há dez anos:
Sua pergunta é sempre um dilema para os ocidentais. Posso repetir o que ouvi Thay dizer e o que meu mestre Sogyal Rinpoche e Sua Santidade, o Dalai Lama, costumam nos ensinar em Paris: Não devemos praticar os ensinamentos literalmente. O bom senso sempre vem em primeiro lugar e cuidar de si próprio é sua responsabilidade. Se a orientação é você comer peixe e carne para melhorar, então esta é sua principal responsabilidade agora: dedique-se à sua alimentação e sua intenção é o mais importante. Você recebeu como presente um bom alimento, portanta coma-o para estabelecer seu equilíbrio, em prol do bem-estar e da cura - por você e por todos os seres sencientes.
Seja grato e usufrua aquilo que lhe é oferecido.

Cuide-se bem e sinta a alegria do universo, agora que você pode cantar novamente e sentir a vida com muito mais plenitude e alegria.

T.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Atenção Plena Correta

Em novembro tente praticar ao máximo a atenção plena correta. A Atenção Plena Correta, que é o terceiro passo do Nobre Caminho Óctuplo, está sempre no âmago de todos os ensinamentos de Buda. Ela é a energia que nos traz de volta para o momento presente. Cultivar a atenção plena significa cultivar o Buda interior, cultivar o Espírito Santo.

A Atenção Plena Correta tudo aceita, sem julgar nem reagir. É inclusiva e amorosa. Sua prática consiste em buscar formas para conseguir manter a atenção adequada durante todo o dia.

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quarta-feira, outubro 29, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 2)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 02:
Oi, G,

Acabei de me lembrar de uma história sobre um monge que começou sua prática no templo Tu Hieu, em Hue (o mesmo templo em que Thay foi ordenado quando jovem e de onde é abade até hoje, pelo menos tecnicamente. Se eu me lembro bem da história, o monge levava uma vida muito simples, obedecia aos princípios budistas e era, inclusive, vegetariano. Sua mãe já era uma senhora idosa e vivia no templo com ele. Um dia, ele foi visto comprando peixe no mercado local. As pessoas em Hue começaram a comentar que o monge estava violando seus votos e consumindo peixe. Quando o imperador, que conhecia o monge, questionou-o a respeito, o monge lhe respondeu a verdade, ou seja, que sua mãe estava doente e que ele havia comprado o peixe para preparar um remédio para tratar sua doença. Dali em diante, o monge ficou conhecido como ´´O Filho Bom´´.

Corro o risco de estar criando minha própria versão de trechos da história, mas acho que ela ilustra bem que precisamos fazer o que é certo no momento, sem deixar que os treinamentos da plena consciência e o dharma tornem-se rígidos e causem sofrimento desnecessário. Se você e seu médico sentem que o consumo de peixe pode ajudar no tratamento, então pense no maravilhoso presente que o peixe está lhe oferecendo. Pessoalmente, acho que é algo que precisa ser muito valorizado. Se você acha que pode obter os mesmos benefícios consumindo soja ou outros extratos vegetais, aí está então outro presente maravilhoso. Acho que tem muito mais a ver com o modo como consumimos o alimento e ao que conferimos a ele do que com o tipo de alimento em si.

Espero que consiga descansar bem e que tenha uma rápida recuperação.

S.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Os Cinco Agregados

!Essa semana sugerimos que você estude um texto básico (clique aqui) de budismo. Thich Nhat Hanh nos ensina sobre os Cinco Agregados ou Skandhas

De acordo com o budismo, os seres humanos são compostos de Cinco Agregados (skandhas): forma, sensações, percepções, formações mentais e consciência. Os Cinco Agregados contêm em si tudo o que existe - tanto dentro como fora de nós, na natureza e na sociedade. Diferentemente da visão ocidental que é dualista, os cinco skandhas intersão. Observe com atenção os cinco rios que correm dentro de você e veja como cada um deles contém em si os outros quatro.

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quarta-feira, outubro 22, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 1)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.



Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 01:
Caro G,

Você se lembra de mim? Ficamos juntos no mesmo grupo de discussão do Dharma no Vietnã e na época te contei sobre meu câncer.

Fiquei muito triste em saber que vc sofreu um ataque cardíaco. Isso é sério e é muito importante você cuidar bem do seu corpo neste momento.

Desculpe-me, meu inglês não é muito bom, mas sinto que preciso te responder, pois vejo como está sofrendo (falo por mim). Escute, querido G., tive exatamente o mesmo problema e meus médicos me mandaram comer peixe por um certo tempo, pois meu corpo estava muito fraco..

Foi muito difícil para mim, vários amigos me disseram para não seguir a orientação dos médicos, mas senti - nesta situação específica, após a radioterapia - que meu corpo precisava disso. Apesar de comer muito tofu, frutas secas e algas, meu organismo parecia debilitado.

Então decidi comer peixe por um tempo e foi muito bom para mim.

Caro G, acredito que seja muito importante vc comer carne ou peixe agora. Se comer em plena consciência (eu sempre me pedia desculpas e agradecia profundamente ao peixe, por me dar sua vida em prol do bem estar do meu corpo), não há como errar.

Após dois meses, não precisei mais me alimentar de peixes, me senti muito bem e pude voltar à minha alimentação vegetariana normal.

Isto me lembrou de algo que aconteceu comigo quando eu estava trabalhando na Bósnia, logo após a guerra. Fui convidada para jantar na casa de uma família local e havia apenas carne à mesa, pois as hortaliças eram caras demais. O que fazer nessa hora? Para mim, o mais correto parecia não ofender aquelas pessoas, que estavam lutando pela sobrevivência. Conseqüentemente, comi carne, mas com muita plena consciência, gratidão, e olhando profundamente para aquela situação.

Querido G, meu inglês é muito ruim, mas quis te dar uma resposta do fundo do meu coração. Espero que possa se recuperar, seja com carne, peixe ou sem nenhum deles, como você preferir. Se você optar por consumir peixes ou carne, por favor, não se culpe. Agora você precisa de toda a sua energia para se recuperar.
Desejo-lhe tudo de bom. E levarei este meu desejo em meu coração.

uma flor de lótus para você

C.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Os Tipos de Amor

Nesse texto (clique aqui) o Buda, no romance do Thay, nos fala sobre os diversos tipos de amor. Há o amor que permanece misturado com apego e discriminação. As pessoas querem apenas amar seus pais, esposos, filhos, netos, seus parentes etc. Apego e discriminação são fontes de sofrimento para nós mesmos e para os outros.

Mas o Buda nos fala que o amor pelo qual todos os seres estão verdadeiramente famintos é a bondade amorosa e a compaixão. Bondade amorosa é o amor que tem a capacidade de levar felicidade para outro. Compaixão é o amor que tem a capacidade de remover o sofrimento do outro. Eles não causam sofrimento ou desespero.

Nesse texto esses diferentes tipos de amor são explicados através de um diálogo esclarecedor entre o rei Pasenadi e o Buda.

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terça-feira, outubro 14, 2008

Soltando nossas vacas

Muita alegria e felicidade vêm de sair ou deixar algo para trás. Suponha que você está sofrendo com o barulho, poluição e estresse da cidade. É sexta-feira de tarde e você quer sair. Você entra no seu carro e dirige. Uma vez que está no campo com bonitas árvores, céu azul e o canto dos pássaros, você sente alegria. A alegria que você experimenta de estar no campo nasceu de ter abandonado a cidade, de ter deixado algo para trás.

Há muitas coisas que não somos capazes de deixar para trás que nos prendem. Pratique olhar em profundidade para essas coisas. No começo, pode achar que elas são vitais para nossa felicidade, mas elas podem, na verdade, serem obstáculos para sua verdadeira felicidade, causando seu sofrimento. Se você não está feliz por que está preso nelas, deixá-las para trás será fonte de alegria para você. O Buda e muitos de seus discípulos experimentaram isso, e passaram sua sabedoria para nós. Por favor, olhe para as coisas que você acha necessárias para o seu bem estar e felicidade e descubra se elas te trazem felicidade ou estão quase te matando.

Um dia o Buda estava sentado com um grupo de monges na floresta perto de Sravasti. Eles haviam acabado de almoçar e estavam em uma pequena palestra de Dharma. De repente um fazendeiro se aproximou. Estava visivelmente chateado e gritou, “Monges! Vocês viram minhas vacas?”

O Buda disse, “Não vimos nenhuma vaca.”

“Sabem monges”, o homem disse, “Eu sou a pessoa mais miserável na Terra. Por alguma razão minhas 12 vacas fugiram esta manhã. Eu tenho apenas dois acres de plantação de gergelim e este ano os insetos comeram todas as plantas. Penso que vou me suicidar.” O fazendeiro estava realmente sofrendo.

Cheio de compaixão o Buda disse. “Não senhor, não vimos suas vacas. Talvez você deva procurá-las em outro lugar.”

Quando o fazendeiro se foi, o Buda virou para seus monges, olhou para eles profundamente, sorriu e disse, “Queridos amigos, vocês sabem que são as pessoas mais felizes do mundo. Vocês não têm vacas para perder.“ [risos]

Portanto amigos, se vocês têm vacas, olhem profundamente para a natureza delas para ver se elas estão trazendo felicidade ou sofrimento. Vocês deveriam aprender a arte de soltar suas vacas. A chave é deixar ir e libertar a si mesmo. Um monge ou monja deveria apenas ter três robes e uma tigela, porque liberdade é a posse mais valorosa.

Liberdade é a base de nossa felicidade. Não podemos ser felizes se estamos presos. Solidez e liberdade são a base autêntica de nossa felicidade. É por isso que praticamos para restabelecer nossa liberdade e criar espaço ao nosso redor. Também, quando você ama e é amado, se não há liberdade, seu amor pode ser sufocante. Você não pode ser livre com este tipo de amor que tira sua liberdade e não permite que você seja você mesmo. Este tipo de amor não é autêntico; é uma vaca. Você deve achar coragem de deixar suas vacas irem.

- Thich Nhat Hanh (Retiro nos EUA em 27 de maio de 1998. Do livro "The Path of Emancipation")

quinta-feira, outubro 09, 2008

Como Transformar o nosso Adubo

Sugerimos que você leia o texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh fala sobre a transformação de nossas sementes não saudáveis.

Ele compara o praticante a um jardineiro orgânico que transforma adubo em flores. Nós devemos praticar para transformar nossa raiva, nossa angústia, nossa depressão em amor e compreensão. O praticante não é aquele que não tem raiva ou angústia, mas aquele que sabe transformá-las. Nesse texto Thay nos ensina como praticar para conseguir essa transformação.

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quinta-feira, outubro 02, 2008

As Três Respostas

Essa semana trazemos a você um texto (clique aqui) que é a parte final de uma carta de Thay para Quang, seu substituto na Escola da Juventude para Serviços Sociais no Vietnã, com instruções de como preparar os novos militantes pacifistas. Thich Nhat Hanh nesse texto conta uma história de Tolstói procurando responder 3 perguntas:

Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
Qual a coisa mais importante a ser feita?

Uma leitura surpreendente (clique aqui). Seja generoso e divida seu insight sobre o texto em nosso blog.

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quinta-feira, setembro 25, 2008

Não seja enganado pelas palavras e idéias

Sugerimos que você estude o pequeno texto (clique aqui) onde Thay explica uma das palestras de Dharma do mestre Lin Chi.

No texto Thay dá uma série de mensagens importantes. Ele diz "Seja você mesmo. Não tente ser ninguém mais. Ser uma pessoa comum já é maravilhoso." Thay também nos alerta que prática não é trabalho duro e que palestras de Dharma não são a verdade. O Dharma verdadeiro existe na mente dos estudantes como sementes e as palestras de Dharma são apenas como pequenas nuvens que liberam chuva e fazem com que as sementes nas mentes dos praticantes brotem e se manifestem.

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Minha prática do 5o. Treinamento

Quando tomei os Cinco Treinamentos achava que seria algo muito distante parar de beber. Havia outros pontos do treinamento por onde poderia iniciar meu trabalho de transformação e, na verdade, eu não entendia muito porque eu deveria parar. Afinal, eu não era alcoólatra, e nem bebia tanto assim. Bebia socialmente como se diz.

Com o tempo, a força do treinamento se fez manifestar e realmente diminuí a quantidade de álcool que eu ingeria, mas parar era algo ainda difícil. O álcool funcionava como elemento de socialização e relax e a me faltava uma razão, um motivo.

Há pouco mais de um ano uma pessoa passou a freqüentar a nossa Sangha e logo de cara compartilhou com todos seu problema com álcool. Com a seqüência de encontros passamos a dividir e sentir junto com ele as dores de ser um dependente. Ele é uma pessoa doce e amável e passou a freqüentar semanalmente o grupo o que só me fez estimá-lo, admirá-lo e sentir muita dor a cada vez que ele tinha uma crise e voltava a beber. Pude sentir seu sofrimento e seu desespero.

Em um retiro no ano passado veio o insight. O fato de eu beber contribuía para a indústria do álcool que era justamente o que o fazia sofrer. É difícil parar de beber vendo tanta gente bebendo. Percebi claramente o interser. Ele sofre como sofre porque eu bebo. Me senti responsável pela sua dor e decidi parar de beber. A consciência do sofrimento que fala o treinamento caiu como um raio e vi claramente todas as ligações e a conseqüência de meus atos.

Deixei de beber por muito tempo, até que relaxei e bebi uma taça de vinho em um jantar na minha casa, e depois um copo de cerveja em outro evento e assim por diante. Só conseguia beber um copo, porque a cada gole a consciência do sofrimento estava presente. Creio que o processo em mim é assim mesmo, em ondas. A consciência vai se aprofundando aos poucos. Depois de um novo retiro esse ano, e após ler os depoimentos da revista Mindfulness Bell, minha conscientização se tornou mais profunda e minha plena atenção mais forte para me alertar da conseqüência de meus atos.

Percebi também o interser entre os treinamentos. Não beber, significa não matar. O meu companheiro de Sangha está se matando a cada porre, como outros tantos com o mesmo problema. Eu beber também estou ajudando a matá-lo. Não beber também significa generosidade. Estou abrindo mão de um hábito, por causa dessas pessoas. Não beber ajuda a manter o compromisso de responsabilidade sexual. Outra companheira de Sangha foi abusada quando criança pelo pai que bebia muito. Não beber é poder controlar a fala e ouvir melhor. Quem nunca ouviu conversa de bêbado? Todos falam, ninguém ouve.

Há bastante tempo não bebo nada com álcool e meu compromisso é, através dessa minha renúncia, ajudar de alguma forma aqueles que não tem escolha. Aqueles para os quais o primeiro copo significa também o vigésimo e com conseqüências tristes.

- Leonardo Dobbin

quinta-feira, setembro 18, 2008

Phap Hai: Cultivando a Base do Ser

Sugerimos que você estude a palestra de Dharma (clique aqui) compartilhada pelo irmão Phap Hai, monge do Deer Park Monastery, que nas últimas duas semanas esteve conosco aqui no Brasil.

Phap Hai chama os praticantes espirituais de "cultivadores", cultivadores das sementes que nós temos em nossa consciência, criando condições que permitam que as sementes positivas venham adiante. Em vez de ser uma prática de trabalho duro, através do cultivo da plena consciência nós permitimos que nossa sabedoria inata floresça, no seu próprio tempo e modo.

Através da comparação com a fábula da busca dos cavaleiros do Rei Arthur pelo Santo Graal, ele mostra que o cultivo nos guia através da busca pelo nosso Graal, nossa aspiração mais profunda. Ele nos conduz pela fábula, misturadas com histórias do Buda e ensinando em profundidade.

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Experiência com o 5o. Treinamento

Dois anos depois de descobrir Thay e seus ensinamentos, decidi parar de beber álcool. Havia muitas razões. Eu tinha acabado de passar seis meses na Índia sem beber nada de álcool e estava inspirada a continuar esta prática. Eu também testemunhei os terríveis efeitos do vício no álcool em alguém, muito querido. E eu estava profundamente inspirada pelos ensinamentos do Thay – é melhor ser plenamente consciente do que está acontecendo dentro de nós mesmos ao invés de nos perdermos em uma taça de vinho.

No início, quando socializava com amigos, eu tinha muitas explicações para dar. Aparentemente, não beber é mais incomum que ser vegetariano. A parte mais difícil era, de longe, como explicar minha decisão para amigos sem fazê-los sentir que eu estava de algum modo os julgando. Depois de eles reconhecerem minhas preferências, mesmo se não entendiam completamente, muitos fizeram um esforço especial para servir adoráveis refrigerantes ou sucos, ao invés de uma garrafa de vinho.

Assim, o álcool completamente sumiu do meu sistema e dos meus pensamentos. Eu saltava as bebidas alcoólicas no supermercado e desfrutava de uma variedade de refrigerantes. Eu nunca realmente bebi muito, mas ao parar completamente me tornei consciente de como eu havia usado o álcool. Era o modo que eu lidava com o stress na minha vida. Depois do trabalho, apenas uma taça de vinho induziria um sentimento relaxado, aconchegante que me permitia deixar ir tudo. “Portanto, o que está errado com isso?” Eu costumava dizer a mim mesma, especialmente se uma taça de vinho faria esse truque. Contudo, o vinho suavemente mascarava o problema sem contribuir em nada para a solução. Porque eu me permitia ficar tão estressada pelas coisas que aconteciam no trabalho?

Passando a beber somente chá, também me permitiu reconhecer o papel do álcool em nossa sociedade. Eu descobri o quanto é socialmente inaceitável não beber. Há um estigma associado a isso e se presume que os únicos que param completamente de beber são os alcoólatras.

Depois de seis anos sem beber álcool, eu gradualmente me tornei menos estrita na minha prática. Ocasionalmente, quando socializando com amigos e colegas, eu tomava uma taça de vinho. Eu gostava do gosto e a sensação de estar confortavelmente confraternizando, o que é muito importante para nós nos Países Baixos. Mas isso também significou que o álcool começou a crepitar na minha vida novamente. No supermercado, eu comecei novamente a olhar para os vinhos. Ou quando pedalava do trabalho para casa, sentia um desejo por uma taça para um relaxamento imediato. Eu resisti, mas percebi que por muitos anos não havia nada para eu resistir – porque quando não estava bebendo álcool os desejos tinham ido. Eu acho que esse é um considerável benefício de parar completamente – você não tem que pensar sobre isso. Nunca!

Portanto, eu escolhi parar novamente, mas desta vez com um profundo entendimento das razões. Razões que me dão a confiança de acreditar que eu irei evitar o destino do famoso fumante que disse “parar é fácil, eu já fiz isso várias vezes.”

- Evelyn van Veen (Shining Strenght of the Heart) Amsterdam, Países Baixos