quinta-feira, outubro 30, 2008

Atenção Plena Correta

Em novembro tente praticar ao máximo a atenção plena correta. A Atenção Plena Correta, que é o terceiro passo do Nobre Caminho Óctuplo, está sempre no âmago de todos os ensinamentos de Buda. Ela é a energia que nos traz de volta para o momento presente. Cultivar a atenção plena significa cultivar o Buda interior, cultivar o Espírito Santo.

A Atenção Plena Correta tudo aceita, sem julgar nem reagir. É inclusiva e amorosa. Sua prática consiste em buscar formas para conseguir manter a atenção adequada durante todo o dia.

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quarta-feira, outubro 29, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 2)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.

Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 02:
Oi, G,

Acabei de me lembrar de uma história sobre um monge que começou sua prática no templo Tu Hieu, em Hue (o mesmo templo em que Thay foi ordenado quando jovem e de onde é abade até hoje, pelo menos tecnicamente. Se eu me lembro bem da história, o monge levava uma vida muito simples, obedecia aos princípios budistas e era, inclusive, vegetariano. Sua mãe já era uma senhora idosa e vivia no templo com ele. Um dia, ele foi visto comprando peixe no mercado local. As pessoas em Hue começaram a comentar que o monge estava violando seus votos e consumindo peixe. Quando o imperador, que conhecia o monge, questionou-o a respeito, o monge lhe respondeu a verdade, ou seja, que sua mãe estava doente e que ele havia comprado o peixe para preparar um remédio para tratar sua doença. Dali em diante, o monge ficou conhecido como ´´O Filho Bom´´.

Corro o risco de estar criando minha própria versão de trechos da história, mas acho que ela ilustra bem que precisamos fazer o que é certo no momento, sem deixar que os treinamentos da plena consciência e o dharma tornem-se rígidos e causem sofrimento desnecessário. Se você e seu médico sentem que o consumo de peixe pode ajudar no tratamento, então pense no maravilhoso presente que o peixe está lhe oferecendo. Pessoalmente, acho que é algo que precisa ser muito valorizado. Se você acha que pode obter os mesmos benefícios consumindo soja ou outros extratos vegetais, aí está então outro presente maravilhoso. Acho que tem muito mais a ver com o modo como consumimos o alimento e ao que conferimos a ele do que com o tipo de alimento em si.

Espero que consiga descansar bem e que tenha uma rápida recuperação.

S.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Os Cinco Agregados

!Essa semana sugerimos que você estude um texto básico (clique aqui) de budismo. Thich Nhat Hanh nos ensina sobre os Cinco Agregados ou Skandhas

De acordo com o budismo, os seres humanos são compostos de Cinco Agregados (skandhas): forma, sensações, percepções, formações mentais e consciência. Os Cinco Agregados contêm em si tudo o que existe - tanto dentro como fora de nós, na natureza e na sociedade. Diferentemente da visão ocidental que é dualista, os cinco skandhas intersão. Observe com atenção os cinco rios que correm dentro de você e veja como cada um deles contém em si os outros quatro.

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quarta-feira, outubro 22, 2008

Insight Coletivo da Sangha (parte 1)

Um irmão da Sangha da Grécia colocou em uma lista de discussão da Ordem Interser seu sofrimento por sua dificuldade de praticar o 5o. Treinamento devido a problemas de saúde. A partir de hoje e nas próximas semanas vamos compartilhar da sabedoria coletiva da Sangha que o ajudou e com certeza te ajudará também a compreender melhor esse treinamento.



Pergunta:

Queridos Amigos,

Na semana passada tive um ataque cardíaco. Passei sete dias no hospital e fiz uma cirurgia em duas artérias. Agora estou em casa e preciso de repouso. Os médicos me passaram uma dieta especial à base de carne e, especialmente, peixes. Gostaria de continuar sendo vegetariano, sem consumir carnes ou peixes. Em maio último, em Hanói, Vietnã, recebi os 5 Treinamentos da Plena Consciência, de livre e espontânea vontade, na cerimônia transmitida por Thay. Gostaria de manter minhas promessas, principalmente o Primeiro Treinamento.

O que fazer nesta situação? Soube de uma médica em minha cidade que é contra dietas contendo carne, mas não posso consultá-la e receber sua orientação.

Quando vejo pessoas em nosso planeta morrendo de fome, percebo que meu problema é um pseudo-dilema. Perdoem-me.

Mas espero ouvir boas palavras de todos vocês .

Com amor, da ensolarada Thessaloniki, Grécia

G.

Resposta 01:
Caro G,

Você se lembra de mim? Ficamos juntos no mesmo grupo de discussão do Dharma no Vietnã e na época te contei sobre meu câncer.

Fiquei muito triste em saber que vc sofreu um ataque cardíaco. Isso é sério e é muito importante você cuidar bem do seu corpo neste momento.

Desculpe-me, meu inglês não é muito bom, mas sinto que preciso te responder, pois vejo como está sofrendo (falo por mim). Escute, querido G., tive exatamente o mesmo problema e meus médicos me mandaram comer peixe por um certo tempo, pois meu corpo estava muito fraco..

Foi muito difícil para mim, vários amigos me disseram para não seguir a orientação dos médicos, mas senti - nesta situação específica, após a radioterapia - que meu corpo precisava disso. Apesar de comer muito tofu, frutas secas e algas, meu organismo parecia debilitado.

Então decidi comer peixe por um tempo e foi muito bom para mim.

Caro G, acredito que seja muito importante vc comer carne ou peixe agora. Se comer em plena consciência (eu sempre me pedia desculpas e agradecia profundamente ao peixe, por me dar sua vida em prol do bem estar do meu corpo), não há como errar.

Após dois meses, não precisei mais me alimentar de peixes, me senti muito bem e pude voltar à minha alimentação vegetariana normal.

Isto me lembrou de algo que aconteceu comigo quando eu estava trabalhando na Bósnia, logo após a guerra. Fui convidada para jantar na casa de uma família local e havia apenas carne à mesa, pois as hortaliças eram caras demais. O que fazer nessa hora? Para mim, o mais correto parecia não ofender aquelas pessoas, que estavam lutando pela sobrevivência. Conseqüentemente, comi carne, mas com muita plena consciência, gratidão, e olhando profundamente para aquela situação.

Querido G, meu inglês é muito ruim, mas quis te dar uma resposta do fundo do meu coração. Espero que possa se recuperar, seja com carne, peixe ou sem nenhum deles, como você preferir. Se você optar por consumir peixes ou carne, por favor, não se culpe. Agora você precisa de toda a sua energia para se recuperar.
Desejo-lhe tudo de bom. E levarei este meu desejo em meu coração.

uma flor de lótus para você

C.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Os Tipos de Amor

Nesse texto (clique aqui) o Buda, no romance do Thay, nos fala sobre os diversos tipos de amor. Há o amor que permanece misturado com apego e discriminação. As pessoas querem apenas amar seus pais, esposos, filhos, netos, seus parentes etc. Apego e discriminação são fontes de sofrimento para nós mesmos e para os outros.

Mas o Buda nos fala que o amor pelo qual todos os seres estão verdadeiramente famintos é a bondade amorosa e a compaixão. Bondade amorosa é o amor que tem a capacidade de levar felicidade para outro. Compaixão é o amor que tem a capacidade de remover o sofrimento do outro. Eles não causam sofrimento ou desespero.

Nesse texto esses diferentes tipos de amor são explicados através de um diálogo esclarecedor entre o rei Pasenadi e o Buda.

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terça-feira, outubro 14, 2008

Soltando nossas vacas

Muita alegria e felicidade vêm de sair ou deixar algo para trás. Suponha que você está sofrendo com o barulho, poluição e estresse da cidade. É sexta-feira de tarde e você quer sair. Você entra no seu carro e dirige. Uma vez que está no campo com bonitas árvores, céu azul e o canto dos pássaros, você sente alegria. A alegria que você experimenta de estar no campo nasceu de ter abandonado a cidade, de ter deixado algo para trás.

Há muitas coisas que não somos capazes de deixar para trás que nos prendem. Pratique olhar em profundidade para essas coisas. No começo, pode achar que elas são vitais para nossa felicidade, mas elas podem, na verdade, serem obstáculos para sua verdadeira felicidade, causando seu sofrimento. Se você não está feliz por que está preso nelas, deixá-las para trás será fonte de alegria para você. O Buda e muitos de seus discípulos experimentaram isso, e passaram sua sabedoria para nós. Por favor, olhe para as coisas que você acha necessárias para o seu bem estar e felicidade e descubra se elas te trazem felicidade ou estão quase te matando.

Um dia o Buda estava sentado com um grupo de monges na floresta perto de Sravasti. Eles haviam acabado de almoçar e estavam em uma pequena palestra de Dharma. De repente um fazendeiro se aproximou. Estava visivelmente chateado e gritou, “Monges! Vocês viram minhas vacas?”

O Buda disse, “Não vimos nenhuma vaca.”

“Sabem monges”, o homem disse, “Eu sou a pessoa mais miserável na Terra. Por alguma razão minhas 12 vacas fugiram esta manhã. Eu tenho apenas dois acres de plantação de gergelim e este ano os insetos comeram todas as plantas. Penso que vou me suicidar.” O fazendeiro estava realmente sofrendo.

Cheio de compaixão o Buda disse. “Não senhor, não vimos suas vacas. Talvez você deva procurá-las em outro lugar.”

Quando o fazendeiro se foi, o Buda virou para seus monges, olhou para eles profundamente, sorriu e disse, “Queridos amigos, vocês sabem que são as pessoas mais felizes do mundo. Vocês não têm vacas para perder.“ [risos]

Portanto amigos, se vocês têm vacas, olhem profundamente para a natureza delas para ver se elas estão trazendo felicidade ou sofrimento. Vocês deveriam aprender a arte de soltar suas vacas. A chave é deixar ir e libertar a si mesmo. Um monge ou monja deveria apenas ter três robes e uma tigela, porque liberdade é a posse mais valorosa.

Liberdade é a base de nossa felicidade. Não podemos ser felizes se estamos presos. Solidez e liberdade são a base autêntica de nossa felicidade. É por isso que praticamos para restabelecer nossa liberdade e criar espaço ao nosso redor. Também, quando você ama e é amado, se não há liberdade, seu amor pode ser sufocante. Você não pode ser livre com este tipo de amor que tira sua liberdade e não permite que você seja você mesmo. Este tipo de amor não é autêntico; é uma vaca. Você deve achar coragem de deixar suas vacas irem.

- Thich Nhat Hanh (Retiro nos EUA em 27 de maio de 1998. Do livro "The Path of Emancipation")

quinta-feira, outubro 09, 2008

Como Transformar o nosso Adubo

Sugerimos que você leia o texto (clique aqui) onde Thich Nhat Hanh fala sobre a transformação de nossas sementes não saudáveis.

Ele compara o praticante a um jardineiro orgânico que transforma adubo em flores. Nós devemos praticar para transformar nossa raiva, nossa angústia, nossa depressão em amor e compreensão. O praticante não é aquele que não tem raiva ou angústia, mas aquele que sabe transformá-las. Nesse texto Thay nos ensina como praticar para conseguir essa transformação.

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quinta-feira, outubro 02, 2008

As Três Respostas

Essa semana trazemos a você um texto (clique aqui) que é a parte final de uma carta de Thay para Quang, seu substituto na Escola da Juventude para Serviços Sociais no Vietnã, com instruções de como preparar os novos militantes pacifistas. Thich Nhat Hanh nesse texto conta uma história de Tolstói procurando responder 3 perguntas:

Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?
Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?
Qual a coisa mais importante a ser feita?

Uma leitura surpreendente (clique aqui). Seja generoso e divida seu insight sobre o texto em nosso blog.

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quinta-feira, setembro 25, 2008

Não seja enganado pelas palavras e idéias

Sugerimos que você estude o pequeno texto (clique aqui) onde Thay explica uma das palestras de Dharma do mestre Lin Chi.

No texto Thay dá uma série de mensagens importantes. Ele diz "Seja você mesmo. Não tente ser ninguém mais. Ser uma pessoa comum já é maravilhoso." Thay também nos alerta que prática não é trabalho duro e que palestras de Dharma não são a verdade. O Dharma verdadeiro existe na mente dos estudantes como sementes e as palestras de Dharma são apenas como pequenas nuvens que liberam chuva e fazem com que as sementes nas mentes dos praticantes brotem e se manifestem.

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Minha prática do 5o. Treinamento

Quando tomei os Cinco Treinamentos achava que seria algo muito distante parar de beber. Havia outros pontos do treinamento por onde poderia iniciar meu trabalho de transformação e, na verdade, eu não entendia muito porque eu deveria parar. Afinal, eu não era alcoólatra, e nem bebia tanto assim. Bebia socialmente como se diz.

Com o tempo, a força do treinamento se fez manifestar e realmente diminuí a quantidade de álcool que eu ingeria, mas parar era algo ainda difícil. O álcool funcionava como elemento de socialização e relax e a me faltava uma razão, um motivo.

Há pouco mais de um ano uma pessoa passou a freqüentar a nossa Sangha e logo de cara compartilhou com todos seu problema com álcool. Com a seqüência de encontros passamos a dividir e sentir junto com ele as dores de ser um dependente. Ele é uma pessoa doce e amável e passou a freqüentar semanalmente o grupo o que só me fez estimá-lo, admirá-lo e sentir muita dor a cada vez que ele tinha uma crise e voltava a beber. Pude sentir seu sofrimento e seu desespero.

Em um retiro no ano passado veio o insight. O fato de eu beber contribuía para a indústria do álcool que era justamente o que o fazia sofrer. É difícil parar de beber vendo tanta gente bebendo. Percebi claramente o interser. Ele sofre como sofre porque eu bebo. Me senti responsável pela sua dor e decidi parar de beber. A consciência do sofrimento que fala o treinamento caiu como um raio e vi claramente todas as ligações e a conseqüência de meus atos.

Deixei de beber por muito tempo, até que relaxei e bebi uma taça de vinho em um jantar na minha casa, e depois um copo de cerveja em outro evento e assim por diante. Só conseguia beber um copo, porque a cada gole a consciência do sofrimento estava presente. Creio que o processo em mim é assim mesmo, em ondas. A consciência vai se aprofundando aos poucos. Depois de um novo retiro esse ano, e após ler os depoimentos da revista Mindfulness Bell, minha conscientização se tornou mais profunda e minha plena atenção mais forte para me alertar da conseqüência de meus atos.

Percebi também o interser entre os treinamentos. Não beber, significa não matar. O meu companheiro de Sangha está se matando a cada porre, como outros tantos com o mesmo problema. Eu beber também estou ajudando a matá-lo. Não beber também significa generosidade. Estou abrindo mão de um hábito, por causa dessas pessoas. Não beber ajuda a manter o compromisso de responsabilidade sexual. Outra companheira de Sangha foi abusada quando criança pelo pai que bebia muito. Não beber é poder controlar a fala e ouvir melhor. Quem nunca ouviu conversa de bêbado? Todos falam, ninguém ouve.

Há bastante tempo não bebo nada com álcool e meu compromisso é, através dessa minha renúncia, ajudar de alguma forma aqueles que não tem escolha. Aqueles para os quais o primeiro copo significa também o vigésimo e com conseqüências tristes.

- Leonardo Dobbin

quinta-feira, setembro 18, 2008

Phap Hai: Cultivando a Base do Ser

Sugerimos que você estude a palestra de Dharma (clique aqui) compartilhada pelo irmão Phap Hai, monge do Deer Park Monastery, que nas últimas duas semanas esteve conosco aqui no Brasil.

Phap Hai chama os praticantes espirituais de "cultivadores", cultivadores das sementes que nós temos em nossa consciência, criando condições que permitam que as sementes positivas venham adiante. Em vez de ser uma prática de trabalho duro, através do cultivo da plena consciência nós permitimos que nossa sabedoria inata floresça, no seu próprio tempo e modo.

Através da comparação com a fábula da busca dos cavaleiros do Rei Arthur pelo Santo Graal, ele mostra que o cultivo nos guia através da busca pelo nosso Graal, nossa aspiração mais profunda. Ele nos conduz pela fábula, misturadas com histórias do Buda e ensinando em profundidade.

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Experiência com o 5o. Treinamento

Dois anos depois de descobrir Thay e seus ensinamentos, decidi parar de beber álcool. Havia muitas razões. Eu tinha acabado de passar seis meses na Índia sem beber nada de álcool e estava inspirada a continuar esta prática. Eu também testemunhei os terríveis efeitos do vício no álcool em alguém, muito querido. E eu estava profundamente inspirada pelos ensinamentos do Thay – é melhor ser plenamente consciente do que está acontecendo dentro de nós mesmos ao invés de nos perdermos em uma taça de vinho.

No início, quando socializava com amigos, eu tinha muitas explicações para dar. Aparentemente, não beber é mais incomum que ser vegetariano. A parte mais difícil era, de longe, como explicar minha decisão para amigos sem fazê-los sentir que eu estava de algum modo os julgando. Depois de eles reconhecerem minhas preferências, mesmo se não entendiam completamente, muitos fizeram um esforço especial para servir adoráveis refrigerantes ou sucos, ao invés de uma garrafa de vinho.

Assim, o álcool completamente sumiu do meu sistema e dos meus pensamentos. Eu saltava as bebidas alcoólicas no supermercado e desfrutava de uma variedade de refrigerantes. Eu nunca realmente bebi muito, mas ao parar completamente me tornei consciente de como eu havia usado o álcool. Era o modo que eu lidava com o stress na minha vida. Depois do trabalho, apenas uma taça de vinho induziria um sentimento relaxado, aconchegante que me permitia deixar ir tudo. “Portanto, o que está errado com isso?” Eu costumava dizer a mim mesma, especialmente se uma taça de vinho faria esse truque. Contudo, o vinho suavemente mascarava o problema sem contribuir em nada para a solução. Porque eu me permitia ficar tão estressada pelas coisas que aconteciam no trabalho?

Passando a beber somente chá, também me permitiu reconhecer o papel do álcool em nossa sociedade. Eu descobri o quanto é socialmente inaceitável não beber. Há um estigma associado a isso e se presume que os únicos que param completamente de beber são os alcoólatras.

Depois de seis anos sem beber álcool, eu gradualmente me tornei menos estrita na minha prática. Ocasionalmente, quando socializando com amigos e colegas, eu tomava uma taça de vinho. Eu gostava do gosto e a sensação de estar confortavelmente confraternizando, o que é muito importante para nós nos Países Baixos. Mas isso também significou que o álcool começou a crepitar na minha vida novamente. No supermercado, eu comecei novamente a olhar para os vinhos. Ou quando pedalava do trabalho para casa, sentia um desejo por uma taça para um relaxamento imediato. Eu resisti, mas percebi que por muitos anos não havia nada para eu resistir – porque quando não estava bebendo álcool os desejos tinham ido. Eu acho que esse é um considerável benefício de parar completamente – você não tem que pensar sobre isso. Nunca!

Portanto, eu escolhi parar novamente, mas desta vez com um profundo entendimento das razões. Razões que me dão a confiança de acreditar que eu irei evitar o destino do famoso fumante que disse “parar é fácil, eu já fiz isso várias vezes.”

- Evelyn van Veen (Shining Strenght of the Heart) Amsterdam, Países Baixos

quarta-feira, setembro 10, 2008

Amor Verdadeiro

No texto dessa semana podemos estudar a reflexão de Thich Nhat Hanh sobre o amor verdadeiro (clique aqui). Ele diz que devemos realmente compreender a pessoa que queremos amar. Se nosso amor não passa de uma vontade de possuir, ele não é amor. Devemos olhar em profundidade para ver e compreender as carências, as aspirações e o sofrimento da pessoa amada. É essa a verdadeira base do amor.

No texto Thay também explica a meditação sobre a compaixão, a meditação sobre o amor, a meditação do abraço, que vale a pena aprender para praticar, e para finalizar, uma lindíssima história sobre o rio que descobre sua verdadeira essência.

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Reflexão sobre o 5o. Treinamento

Nos meus estudos, aprendi que o insight era uma das portas para a liberação e que não-eu, impermanência e não-sofrimento eram as chaves para o insight. Estas eram idéias interessantes, mas eu não conseguia realmente descobrir como praticá-las. Resultou que minha prática com álcool me deu meu primeiro lampejo dentro do não-eu.

Inicialmente, quando eu praticava o Quinto Treinamento de Plena Atenção, era sempre forçado, quase um esforço físico evitar beber. Às vezes esta técnica não funcionava e eu acabava bebendo. Nesses casos eu frequentemente tentei trazer minha plena consciência à minha bebida, tomando ciência de como ela me fazia sentir. Eu trazia consciência para as razões que me levavam a beber e descobria o desejo de me conectar mais profundamente com os outros, de escapar das emoções negativas e para me sentir mais confiante. Às vezes notar esses desejos fazia com que minha cerveja não fosse terminada.

Com o tempo, eu vi como minha vida estava melhorando por reduzir o consumo de álcool. Embora ocasionalmente me sentisse como se estivesse faltando algo para a alegria. Outras vezes era o oposto, um sentimento de culpa por beber e ir contra meu voto. E outras vezes eu subia no meu cavalo alto e dizia a meus amigos o quanto eles eram maus por beber.

Plena atenção fez com que fosse cada vez mais fácil não beber. Eu comecei a me sentir mais livre. Então algo mudou - eu percebi como o fato de eu beber encorajaria meus amigos a beber. É fácil beber quando outros estão fazendo isso. Eu vi que ao comprar uma cerveja, estava pagando pelos anúncios da indústria do álcool. Eu era parcialmente responsável pelo problema do alcoolismo que temos em nossa sociedade. Meu ponto de vista se deslocou - não era mais apenas somente sobre mim. Quando eu vi isto pela primeira vez, e entendi isso em meu coração, então neste momento todo desejo de beber foi removido. Não havia sentimento de culpa, não havia sentimento de estar perdendo algo, nenhum desejo de escapar. Substituindo o desejo estava um sentimento de amor e cuidado pelos meus amigos. Eu percebi que poderia me conectar com eles de um modo verdadeiro sem a necessidade de álcool. Eu poderia estar com eles sem julgá-los pelo fato deles beberem. Eu me senti muito livre. Eu senti que pela primeira vez em minha vida, minhas intenções finalmente estavam em linha com minhas aspirações.

O insight do não-eu e a mente do amor estão presentes com sua voz clara: não é apenas sobre mim.

- Paul Baranowski (Solid Awakening of the Heart), Toronto Canadá
Publicado na revista Mindfulness Bell n. 48

quinta-feira, setembro 04, 2008

A Energia Habitual da Raiva

Thich Nhat Hanh nos conta no texto dessa semana (clique aqui) a história de David e Angelina. Uma fábula muito bonita e rica de ensinamentos sobre o comportamento humano.

David sempre culpava os outros pela sua infelicidade. Ele fazia sofrer as pessoas mais próximas. Apesar de não querer que elas fossem infelizes, o hábito era tão forte, que ele não conseguia evitar suas atitudes. Angelina é a companheira, aquela pessoa muito agradável que passa a fazer parte da nossa vida e, se soubermos cuidar dela, nossa vida adquire mais significado. Como David não soube tomar conta de si mesmo e da energia que existia em seus hábitos não soube cuidar da sua Angelina. É por esse motivo que as Angelinas nos deixam, por sofrerem muito com o nosso comportamento.

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Aviso Importante - Descontos para estadia em Plum Village

A Irmã Harmonia, de Plum Village, nos informa que aqueles que gostariam de viajar para Plum Village e não podem pagar pela estadia, serão hospedados pela metade do valor da acomodação. De forma a apoiar pessoas que viajam do Brasil, Plum Village cobrará apenas metade do custo normal de forma que as pessoas de poucos recursos possam ir e praticar junto aos monásticos na Europa.

Não perca essa oportunidade de praticar junto a maior Sangha ligada ao Thay!

quinta-feira, agosto 28, 2008

As Três Jóias

Sugerimos essa semana que você estude o texto (clique aqui) sobre as Três Jóias: O Buda, o Dharma e a Sangha.

Thay nos ensina que a raiz da palavra Buda significa despertar, tomar conhecimento, compreender. E aquele que desperta e compreende é chamado de Buda. Simplesmente isso! O Dharma, isto é, o que Buda ensinou, é o caminho da compreensão e amor: como entender, como amar, como transformar esses conhecimentos numa realidade. Sangha é a comunidade que vive consciente e em harmonia.

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quarta-feira, agosto 27, 2008

Reflexão sobre o 5o. Treinamento de Plena Atenção

Este é o Quinto Treinamento de Plena Atenção: Consciente do sofrimento causado pelo consumo irrefletido, comprometo-me cultivar boa saúde, tanto física como mental para mim, minha família e para a sociedade praticando o ato de comer, beber e consumir de modo consciente. Farei ingestão de produtos que preservem a paz, o bem-estar e a alegria em meu corpo, em minha consciência, no corpo da coletividade, na consciência de minha família e da sociedade. Estou determinado a não ingerir álcool ou outro tóxico, alimentos ou produtos que contenham toxinas tais como alguns programas de TV, revistas, livros, filmes e conversas. Estou consciente de que prejudicando meu corpo e minha consciência com estes venenos estou traindo meus antepassados, meus pais, a sociedade e as futuras gerações. Trabalharei para transformar a violência, o medo, a angústia e a confusão em mim e na sociedade adotando hábitos de consumo salutares para mim e para sociedade. Compreendo que uma conduta adequada é importante tanto para a autotransformação como para a transformação da sociedade.

Depoimento: Eu sofri muito devido ao que ingeri no passado. Enquanto crescia, minha família era muito infeliz e não éramos capazes de ficarmos próximos e nos apoiar. Como resultado, todos nós desenvolvemos vícios pela comida e pela TV, entre outros hábitos não saudáveis. Juntando-me à Sangha e ouvindo este treinamento, soube que tinha que mudar o modo fundamental como eu estava me relacionando comigo mesmo. Eu não mais quis negligenciar meu corpo e ser aterrorizado pelos meus pensamentos e sentimentos perturbadores. Eu tomava refúgio na comida, no esnobismo intelectual, na expressão criativa não saudável e numa atitude julgadora. Naquele momento eu queria deixar estes refúgios. Mas como eu poderia fazer tal mudança radical?

Este treinamento me faz ficar em contato com muitos elementos de que eu sou feito. Cultivando consciência, eu posso escolher que elementos permitir entrar em mim para se tornarem o futuro eu. Eu aceito que sou vulnerável, afetado por tudo no meu ambiente e também que sou poderoso, apto a direcionar meu futuro por saber quais ambientes me permitirão crescer saudável e quais não permitirão. Quando eu identifico o sofrimento, posso examinar o que tenho consumido – o que como, o que presto atenção, o que penso, o que digo ou participo. Fazendo isso tenho a confiança que dei um bom passo em direção ao bem-estar.

Agora quando como, eu penso: "Quero comer esta comida porque meu corpo deseja o nutriente ou porque me sinto agitado e quero ignorara agitação?" Se meu corpo deseja ser nutrido pela comida, ao comer estou sendo compassivo e amoroso comigo mesmo. Se estou me sentindo agitado, preciso me dar compaixão, tomar conta de mim mesmo retornando à minha respiração e acalmando a agitação.

Quando eu compro coisas, trazendo consciência eu posso perguntar: "Estas coisas me trarão alegria depois?" Eu convido minhas motivações a se revelarem e também minhas necessidades. E então eu me pergunto, o que me traz alegria e paz? Desta maneira posso conhecer meu verdadeiro eu e prestar atenção a todas as coisas maravilhosas ao meu redor que me trazem alegria, solidez e clareza. Eu preciso ser compassivo e usar essas oportunidades para me nutrir agora de forma que possa ser forte no futuro.

Este treinamento me leva ao refúgio da sangha, para o ambiente saudável que ela provê. Na sangha eu consumo estabilidade, sanidade e amor. Eu participo alegremente da corrente da vida nos meus pares ao permitir que meu coração se abra. Estando presente eu os nutro e sou nutrido por eles, e minha vida tem sentido. A partir deste treinamento eu reconheço que minha prática é alimento para mim mesmo e para todos que conheço. Eu pratico este treinamento por minha família de forma a amá-los melhor, por meus ancestrais cujos ambientes os preencheram com degradação e desejo e, portanto eles perderam a oportunidade de desenvolver a capacidade de amar e serem amados.

- Scott Morris (Realizing Vision of the Heart) - Toronto, Canadá

(Publicado na revista Mindfulness bell n. 48 - Traduzido por Leonardo Dobbin)

domingo, agosto 24, 2008

Carta do Thay ao Presidente do KFC

Dharma Cloud Temple
Plum Village Meditation Practice Center
Dordogne, France

David C. Novak, CEO e Presidente
Yum! Brands, Inc.


Prezado Sr. Novak,

Espero que minha carta o encontre em boas condições de saúde.

Ouvi relatos de que os fornecedores do KFC cortam o pescoço de frangos conscientes, que muitas aves ainda estão conscientes ao passarem pelo processo de escaldamento e que o KFC recusa-se a convencer seus fornecedores a adotarem métodos mais humanitários, seja para as aves ou para os seres humanos envolvidos no processo.

Também fui informado de que os frangos produzidos para o KFC são genética e farmacologicamente manipulados para se desenvolverem muito rapidamente, de forma tão pouco natural, que acabam incapacitados devido ao excesso de peso corporal. É muito constrangedor observar tudo isso.

Tenho oferecido retiros para líderes empresários como o senhor; muitos de meus amigos são executivos também e entendo as pressões que devem sofrer. Também tenho certeza de que o senhor tem muita compaixão no coração. Se esses relatos forem verídicos, por favor, pare e reconsidere-os. Nenhuma criatura com sentimentos deve ser tratada com tamanha crueldade. Qualquer tratamento com brutalidade fere não apenas cada uma dessas aves, mas também cada um de nós, inclusive o senhor e seus entes queridos. Se olhar profundamente, tenho certeza de que verá a questão com clareza e terá determinação para buscar outro caminho. Acredito que já saiba, em seu coração, que nosso sucesso na vida não pode ser medido apenas em dólares e centavos.

Por favor, reflita e faça o melhor possível, pelo menos ao implantar as recomendações de seus próprios consultores na área de bem-estar animal. Estou à sua disposição e ficaria feliz em ter notícias. As cartas poderão ser enviadas aos cuidados de minha assistente, Sister Pine (ubcadmin@earthlink.net).

Prezado amigo, muito obrigado por ler esta carta.
Thich Nhat Hanh (Mestre Zen)

(traduzido por Denise Kato)

quinta-feira, agosto 21, 2008

Práticas de Paz

O texto dessa semana (clique aqui) foi retirado de uma palestra pública de Thay na Universidade de San Diego em 2007 para mais de 2.000 pessoas. A parte que selecionamos mostra práticas para obtermos paz.

Thay nos ensina que a prática da paz envolve corpo e mente. A paz pode começar apenas com levar nossa atenção à nossa inspiração. Thay propõe uma série de exercícios concretos para levar paz ao nosso corpo e a nossa mente extraído diretamente dos ensinamentos do Buda. No texto Thay nos mostra também como lidar com sentimentos dolorosos.

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